terça-feira, 15 de junho de 2010

estranha beleza

2010 está estranho. Estou meio amarga e ranzinza: meu olhar, que estava acostumado a ver o copo meio cheio, agora voltou a flechar pessimista e descrente. Ando muito realista e pouco sonhadora. São Paulo me parece insuportavelmente atraente: quero fugir, mas desejo ficar. A música, essa me escapa pelos dedos, e não consigo ver tanta poesia como antes.
Apesar de tudo, há uma estranha beleza no ar gelado. Desafios, escolhas, encontros. Coisas bonitas mesmo. Amanhã meu pai está voltando, depois de sete anos fora do Brasil. Ele está feliz como uma criança e pediu até pra eu ir buscá-lo no aeroporto - coisa pra qual ele não liga a mínima. Apesar do intenso frio e da baita gripe que me pegou, os dias têm sido de um azul muito azul - e eu adoro dias muito azuis. Daqui a 29 dias eu saio de férias e as possibilidades são infinitas (e todas bonitas). E na sala ao lado mora uma pessoa realmente querida, que estou aos poucos conhecendo e descobrindo, surpresa das melhores desse outono. A Vitória se esgueira por entre as minhas pernas enquanto escrevo. Mia. Ela quer conversa, lindeza.
E agora pouco, fui até a cozinha buscar um chá e dei de cara com a máquina de lavar transbordando sabão por todo lado, borbulhas brancas descontroladas. Isso podia ser muito chato, mas eu dei risada, e atentei pro doce perfume de roupa lavada que ficou na minha casa. Estranho, mas belo.

6 comentários:

Anônimo disse...

lindinha lindinha lindinha ... me identifiquei com seu post ... sabe que eu também tenho encontrado na sala ao lado uma misteriosa surpresa de outono!!!! Beijos no seu enorme coração libriano!

Paula Corrêa disse...

quanta beleza há aqui!

Anônimo disse...

Como sempre, adoro vir aqui.
Você diz que se sente amarga e ranzinza e eu digo que sinto teu coração doce e terno (como, aliás, sempre foi...e olha que só te conheço via blog).

beta disse...

que delícia!!!!!!!!!
:)

caracol menina disse...

ih, vc descobriu o segredo! =O
nas máquinas de lavar com perfume e borbulhas; com a Vitória te intimando a conversar; as mil e uma possibilidades; e a surpresa boa, que mora ao lado.

Quando parece que somos o alvo da ventania louca que traz a penumbra, pequeninas doses de alegria fazem a vida mais ou menos assim ó:
"Não sei, mas sinto que é como sonhar que o esforço para lembrar é a vontade de esquecer"

:D

deve ser uma baita fase. espero que sim. espero que você reencontre a poesia, o sabor doce; ou então que esta tenha sido uma oportunidade de experimentar novos sabores, novas formas de poesia.

"nada destrói o espírito"

caracol menina disse...

*nota: vc me lembrou Elis nessa foto do teu perfil.

:)