sexta-feira, 18 de junho de 2010

confissão

Uma frase improvável varreu o meu pensamento nas últimas horas. Como aquele tom de galanteio de sempre, ele disse: "Você tem cara de apaixonada". Achei que fosse uma saída bem bolada para uma pergunta não respondida, mas me garantiu que não, que o que queria dizer era: "Você tem cara de apaixonada - pela vida!".
Não consigo intuir o que isso significa para ele... seriam meus olhos úmidos de céu azul, seria minha pele corada, minha gestualidade mediterrânea, ou meu sorriso largo? Talvez minha ironia cortante, minha franqueza reta? Ou minha espontaneidade excessiva? O que me faria parecer "apaixonada" aos seus olhos? Não sei.
Mas sei o que essa frase significa para mim: que, na maior parte do tempo, eu sou genuinamente eu mesma: vibrante com a novidade. Vidrada pela subversão. Tenho em meu signo, em minha tez, em minha voz, a necessidade de transformar. E a paixão é o motor dessa necessidade, full time. Sou movida a esse combustível assustador, que nunca se esgota. E que amedronta pela sua força.
Essa sou eu, apaixonada confessa.


Ilustração de Roberto Weigand

2 comentários:

caracol menina disse...

Poxa Beta, deu vontade demorar perto de vc.

beta disse...

rs... nem queira tentar!