segunda-feira, 18 de julho de 2011

estado civil: noronha

Moro em uma vila de três mil e quinhentos habitantes. Esta vila se divide em três tribos: locais (ilhéus), estrangeiros (haules) e turistas. É triste e engraçado ao mesmo tempo, porque mesmo num universo tão pequeno em que praia e balada são lugares democráticos onde todos se encontram (com pouca roupa, é bom que se diga...), os guetos continuam existindo, determinados, obviamente pelo nível sócio-econômico e cultural de cada pessoa. E, como bons "homens cordiais" que somos, aprendemos que segregar na cara dura é muito feio, mas também não nos misturamos nem a pau - pode crer!

Um detalhe importante é que em qualquer uma das tribos, o número de cromossomos XY é imensamente superior ao de XX. Pra quem faltou nas aulas de biologia, simplifico: há muito mais homens do que mulheres - o que, no meu entender, gera um descompasso hormonal em todos os níveis. As mulheres ficam insuportavelmente competitivas para abocanhar a parte mais suculenta do boi, além de alvoraçadas e açanhadíssimas, pois são cobiçadas sem pausa por predadores sedentos. E os homens perdem a noção, porque na falta, qualquer coisa serve (simples assim, como só a alma masculina sabe ser!).

Mas voltando ao começo (porque eu adoro ziguezaguear pelos assuntos), eu faço parte da tribo dos haules. Diria, chutando, que são uns mil individuos desta espécie, talvez menos. Todos se conhecem, convivem, se encontram com frequência e, eventualmente, se envolvem. E como já foi dito, não se misturam. Conclusão? A troca de casais é uma prática ordinária desta tribo, sem muitos critérios ou regras. É meio um vale tudo de deixar qualquer Contigo! no chinelo... Aliás, eu diria que tá mais pra Ilha de Caras (perdoem o trocadinho infame, hehe).

Eu não sei se é certo ou errado e nem pretendo julgar com este olhar.
A gente perde um pouco esses parâmetros aqui, porque a lei da sobrevivência fala mais alto. Mas o fato é que valores eu não perco: sei bem quando impera a falta de respeito, quando o carinho e o cuidado com o outro são só substantivos vazios, quando se quebra a confiança de uma maneira tão brusca que é impossível recuperá-la. E isso é muito triste, porque a tribo continua tendo mil indivíduos que se conhecem, convivem... mas aparentemente se encontram apenas no tamanho da sua solidão.

Estado civil: Noronha.

4 comentários:

Anônimo disse...

Já cansei de dizer: na minha opinião voce está fazendo tudo errado. Deveria só escrever,escrever,escrever. Voce se expressa muito bem quando escreve. Talvez seja o canal para as pessoas realmente te entenderem.
Baci

Anônimo disse...

A solidão, os valores semi ausentes.Só mudaram de endereço?

Anônimo disse...

a solidão, os semi todos, semi nus. Só muda de endereço??

beta disse...

na verdade, acho que sim. -Semi é o estado da contemporaneidade. Tudo pela metade, desesperado por ser inteiro.
beijos