sexta-feira, 23 de outubro de 2009

o corpo padece

quando a alma fica asfixiada. Quando a energia fica estagnada. Dores, dores por todo lado, que começam no centro do peito, se estendem pelos braços, amarram as costas em uma camisa de força da qual parece impossível libertar-se. A cabeça lateja, forte, explodindo por dentro toda a raiva, todo o medo, todo o abandono, todo o cansaço. Os joelhos tremem, falhando ao sustentar o peso de olhos inchados. Uma incrível sensação de fragilidade, incompreensão e solidão se apossam do meu corpo. A dor causa ânsia, me sinto como uma vaca, regurgitando o que nunca foi engolido.
Neste estado de semi-vida, à beira de um desmaio, disco teu número absolutamente sem querer. Noutro dia mesmo, andando na rua, me peguei tentando relembrar teu número e fiquei feliz ao perceber que o havia esquecido. E então, nesse momento de quase inconsciência, ele vem naturalmente, como se meus dedos o discassem todos os dias. Como se te pedir ajuda ou resgate ainda fosse uma possibilidade.
Toca. Duas vezes. De repente, atino para o que havia feito e, em um estalo, antes de te dar a chance de atender, antes de me dar a chance de te explicar que havia sido um ato completamente inconsciente, antes de criar uma situação constrangedora de "bom, já que você ligou, me conte como vai a vida, o que tem feito? olha, desculpe mesmo ter ligado, foi sem querer (...)", antes de tudo isso, meu dedo aperta o gancho do telefone. Suspiro.
E então ligo para o número certo.
Para que o resgate chegue. O mais rápido possível.

Um comentário:

Gunnar Vargas disse...

hahaha
eu tenho meus "resgates" que ligo sem pudor... ligo pra pedir remédio, atenção, chá, ou pra passar a noite de insônia comigo hahaha