Feliz dia dos pais pra você que é mãe solteira.
domingo, 11 de agosto de 2013
mama africa
Feliz dia dos pais pra você que é mãe solteira.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
super mulher
Eu já não sabia mais como lidar com uma vida cheia de
atribuições. Tive que me exilar numa ilha semi deserta no meio do Atlântico pra
deixar de ter 4 empregos, fazer pós graduação, estudar canto, assistir a todos
os filmes em cartaz, ir ao supermercado, ser bem cuidada, culta, sociável e namorável...
Não sucedi muito. Foram poucos meses de “experiência do vazio”.
Logo comecei a me envolver em trabalhos comunitários, cursos, atividades mil
fora o meu trabalho oficial – que eu tinha jurado que era a única coisa que eu
ia fazer porque realmente precisava! Então o tempo foi me engolindo, a rotina
frenética foi se apaixonando por mim novamente. Aceitei que esta é minha
essência, não posso fugir dela. Não deixei de ir à praia, mergulhar, aproveitar
a ilha... mas fui acumulando funções, recheando meus dias de compromissos e
horários.
Então entra em cena uma barriga. Atualmente com 24 cm. Ela me
impôs limites. De repente, cadê minha independência? Onde foi parar minha
vontade própria? Cadê minha disposição para enfrentar jornadas de trabalho,
estudo, prazer?? Essa história de gravidez é uma insanidade! Eu preciso deixar
tudo em ordem pra quando meu filho chegar!!!! Estar saudável e cuidar para que
ele esteja, praticar yoga, cozinhar e comer bem, ganhar e guardar dinheiro,
fazer um caderninho de memórias para ele, pensar em como será o parto, onde,
quando e com quem, concluir trabalhos e realizar repasses e treinamentos, lidar
com o fim de um relacionamento no meio deste turbilhão emocional, cuidar da relação
com meu pai, ter paciência com a imbecil que tirou 15 dias de atestado médico
no trabalho, organizar chás de fraldas e ter um enxoval mínimo para receber o
pequeno, cortar o cabelo, a unha, ser blogueira, conciliadora, versátil, magra
e... louca??? chegaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Cansei de ser super mulher. Não quero. Não preciso.
Cansei de ser super mulher. Não quero. Não preciso.
Mas não sei como ser diferente.
#levedesespero
domingo, 4 de agosto de 2013
tudo tão rápido
Eis que, de repente, 25 semanas. Isso quer dizer: pausa para nada. A vida corre desenfreada, mais do que antes. Já passei da metade do caminho e... tantas coisas para fazer! Acordo e adormeço querendo sorver cada segundo desta maravilhosa experiência, cada milímetro desta barriga, cada movimento deste pequeno ser que cresce dentro de mim, graças a mim, cresce comigo. Me preparo para recebê-lo com tudo que há de melhor em mim. Me dedico a orar com ele, falar com ele, cantar pra ele, desenhar pra ele, escrever pra ele. Me sinto bonita por ele e para ele. Quero que ele tenha uma mãe bonita. Sorrio mais por ele, tento relevar a vida por ele. Quero que ele tenha uma mãe bem humorada e leve. E quando ouço seu coração batendo que nem uma alfaia acelerada, não consigo imaginar nada maior do que este milagre. Sinceramente? Tudo inesperado. Nada disso pode sequer ser imaginado ou descrito sem que seja sentido na pele. É pura magia, a natureza dominando seu corpo com toda força. É só confiar e entregar!
segunda-feira, 15 de julho de 2013
o cravo brigou com a rosa
Desde que me descobri grávida, todas as manhãs acordo cantando.
"Bom dia começa com alegria!
Bom dia começa com amooooor!
O sol a brilhar, passarinhos a voar,
Bom dia, bom dia, bom diaaaaa!"
A terceira estrofe é sempre mutante: se está chovendo eu substituo por "a chuva a cair, as folhinhas a reluzir", se estou indo trabalhar: "mamãe vai trabalhar, ligeirinha a caminhar"... e assim por diante, ao gosto da inspiração do dia.
Antonio já gosta muito de música, também pudera, está no DNA dos pais... Canto muito o hino de Noronha pra ele também, que acho a coisa mais linda, exaltando as belezas da ilha onde ele foi concebido, celebrando as cores do mar e o céu sempre cheio de estrelas...
E tem uma história lendária da minha infância: eu pedia repetidamente (leia-se r-e-p-e-t-i-d-a-m-e-n-t-e!) uma musiquinha do cravo e da rosa. Teve uma viagem de carro que durou 3 horas e meia, e minha mãe foi cantando até o destino final! Toda vez que terminava, eu dizia: "otaveiz!", e dá-lhe a paciência maternal a repetir indefinidamente, quase chorando, a mesma canção.
O que eu me dei conta noutro dia, enquanto cantava pro Antonio, é que a letra é triste pra caramba: o Cravo briga com a Rosa, os dois ficam chateados e depois o cravo fica doente, MORRE, e a rosa chora!
PORRA!!!!! Que desgraça...
Então lá fui eu, inventar uma nova versão:
"O cravo beijou a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu brilhante
E a rosa apaixonada
O cravo ficou doente
A rosa foi visitar
O cravo ficou contente
E agora vão se casar"
É isso, filho: só desejo alegria e finais felizes pra você!!
"Bom dia começa com alegria!
Bom dia começa com amooooor!
O sol a brilhar, passarinhos a voar,
Bom dia, bom dia, bom diaaaaa!"
A terceira estrofe é sempre mutante: se está chovendo eu substituo por "a chuva a cair, as folhinhas a reluzir", se estou indo trabalhar: "mamãe vai trabalhar, ligeirinha a caminhar"... e assim por diante, ao gosto da inspiração do dia.
Antonio já gosta muito de música, também pudera, está no DNA dos pais... Canto muito o hino de Noronha pra ele também, que acho a coisa mais linda, exaltando as belezas da ilha onde ele foi concebido, celebrando as cores do mar e o céu sempre cheio de estrelas...
E tem uma história lendária da minha infância: eu pedia repetidamente (leia-se r-e-p-e-t-i-d-a-m-e-n-t-e!) uma musiquinha do cravo e da rosa. Teve uma viagem de carro que durou 3 horas e meia, e minha mãe foi cantando até o destino final! Toda vez que terminava, eu dizia: "otaveiz!", e dá-lhe a paciência maternal a repetir indefinidamente, quase chorando, a mesma canção.
O que eu me dei conta noutro dia, enquanto cantava pro Antonio, é que a letra é triste pra caramba: o Cravo briga com a Rosa, os dois ficam chateados e depois o cravo fica doente, MORRE, e a rosa chora!
PORRA!!!!! Que desgraça...
Então lá fui eu, inventar uma nova versão:
"O cravo beijou a rosa
O cravo saiu brilhante
E a rosa apaixonada
O cravo ficou doente
A rosa foi visitar
O cravo ficou contente
E agora vão se casar"
É isso, filho: só desejo alegria e finais felizes pra você!!
domingo, 14 de julho de 2013
velhos escritos
Ler emails antigos é como abrir aquele baú cheio de memórias, é uma alucinante viagem ao passado, recriando cenas, cores, sorrisos e lágrimas. Lembrei de pessoas de quem já havia esquecido - e decidi que quero retomar contato com algumas delas. Percebi que umas passaram, mas que sempre houve alguma troca válida nessa passagem. Senti que outras nunca vão passar, por mais passado que sejam. Li sobre momentos difíceis, dores de amor nem se fala, sarcasmo e ironia fina, mil projetos começados, outros tantos realizados, outros mil que ficaram só na ideia mesmo. Velhos escritos me atualizam, me despertam pras coisas que empreendi com brilho, garra e amor. Quero sentir isso de novo e agora de forma mais inteira, não por simples experimento, mas por convicção. Agora que sou dois para sempre.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
nunca entendi tão pouco de tudo
...faz hooooras que estou com essa página aberta esperando as letras surgirem magicamente, um download divino baixar e que dele nasça um texto inspirado e publicável. Mas ele não vem! Talvez seja mesmo o momento de admitir como me sinto confusa, atordoada, esquecida, frágil, impaciente, faminta, sonolenta, solitária... grávida?! sim, talvez seja mesmo o momento de admitir como me sinto grávida, com tudo o que isso traz de maravilhoso e de... esquisito?
Fico aqui imaginando que nove meses é pouquíssimo tempo pra se preparar pra tudo isso que está por vir. A sensação é de que nunca estarei pronta. Claro, a graça toda está na surpresa, nas descobertas, nos aprendizados gigantes, nas mudanças - isso é o que sinto. Mas a mente não dá tréguas: custava a gente poder desvendar um pouquinho desse mistério antes dele acontecer? É tanta ansiedade, um sem fim de incertezas, expectativas, um tanto de querer fazer planos, dividir tudo o que se passa. E ao mesmo tempo, um silêncio, uma necessidade de estar quieta, aproveitando cada segundo, cada movimento, cada sensação nova... ufa, sei lá. Nunca entendi tão pouco de tudo.
Fico aqui imaginando que nove meses é pouquíssimo tempo pra se preparar pra tudo isso que está por vir. A sensação é de que nunca estarei pronta. Claro, a graça toda está na surpresa, nas descobertas, nos aprendizados gigantes, nas mudanças - isso é o que sinto. Mas a mente não dá tréguas: custava a gente poder desvendar um pouquinho desse mistério antes dele acontecer? É tanta ansiedade, um sem fim de incertezas, expectativas, um tanto de querer fazer planos, dividir tudo o que se passa. E ao mesmo tempo, um silêncio, uma necessidade de estar quieta, aproveitando cada segundo, cada movimento, cada sensação nova... ufa, sei lá. Nunca entendi tão pouco de tudo.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
nó
só escrevendo pra cuspir esse nó.
nó que só ata garganta e coração,
que não desata emoção.
nó que agora deveria ser laço de união.
é só um nó que não se afrouxa na escuridão.
que nó que dá na minha mente estar só com este nó que não quer desatar.
que nó na garganta não saber quanto só vou estar - pra sempre ou nunca mais?
melhor só sem nó?
melhor só, sem dó.
nó que só ata garganta e coração,
que não desata emoção.
nó que agora deveria ser laço de união.
é só um nó que não se afrouxa na escuridão.
que nó que dá na minha mente estar só com este nó que não quer desatar.
que nó na garganta não saber quanto só vou estar - pra sempre ou nunca mais?
melhor só sem nó?
melhor só, sem dó.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
cha-cha-changes!
Em tempo de tantas reviravoltas sociais, chacoalhões políticos, tormentas populares, não me deixo tomar pelo entusiasmo excessivo, pela onda de otimismo de que amanhã vamos acordar num novo Brasil. Fico desconfiada, conheço meu galinheiro: sei que somos capazes de nos esvaziar com a mesma intensidade, rapidez e fulgor com que nos inflamamos. Somos um povo passional, apaixonado, apaixonante com tudo o que isso tem de bom e de ruim. De qualquer forma, estou feliz e orgulhosa por este levante. Independentemente de seus resultados concretos, já cumpriu um efeito simbólico muito importante. As crianças, por exemplo, estão vivenciando plenamente um processo de cidadania e, com fé, orquestrarão uma geração mais consciente, menos apática do que a nossa. É assim que ocorrem as mudanças, p-a-u-l-a-t-i-n-a-m-e-n-t-e. São questões culturais muito profundas que devem ser revistas e mudadas. Isso leva tempo. E amadurecimento. Confesso que hoje, cantando o hino nacional em coro, grávida de quatro meses, me arrepiei de verdade por um par de vezes. Os cabelinhos dos braços chegaram a se ouriçar e os olhos ficaram mareados. Senti a energia da coletividade pulsando, as pessoas realmente vendo sentido naquilo que estavam fazendo. Não éramos poucos, nem muitos, éramos apenas o número exato para aquele momento. E não há melhor sensação de plenitude do que a sensação de paz e suficiência.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
hora de acordar
Liguei pra te contar do perfume dos jasmins em flor. E falar das frutas da estação. E do banho de chuva que pensei em tomar (com você). Desta vez, não quis me preocupar com julgamentos à minha verdade, sendo contigo apenas eu mesma. Queria falar a sua língua, para que entendesses cada sílaba de mim. Tive, por um breve e ilusório instante, a certeza de que minha transparência serviria para te fazer compreender que cada ato meu foi mais uma tentativa de aproximação de mim mesma. E logo de ti.
Queria me sentir livre na sua presença - porque ainda me
sinto uma estranha quando não estás. Torci para que cada palavra minha fosse um
sentimento bom, e que cada sentimento se transmutasse em compaixão. E que eu pudesse
apenas sorrir quando você diz o que nem sabe que está dizendo. Queria que essas
lágrimas tolas parassem de insistir, me sinto ingrata por chorar em um momento
tão abençoado. E que apenas as boas lembranças povoassem minha mente. Que
refletida na minha íris cor de mel, eu pudesse ver seu olhar apaixonado e
inocente de um dia. Queria que eu fosse a linha, e você o linho, pra sua vida
bordar na minha. E fosse reaparecendo aos poucos nosso amor.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
mulher
Não há outro caminho de entrada no mundo que não seja pelo corpo da
mulher. A mulher é o portal para o universo. Ela é também o ventre do
Ser. Cada pessoa no mundo começou a vida como um traço minúsculo nas
profundezas da mãe cujo ventre é o espaço onde esse traço se expande e
se abre para assumir a forma humana. Em termos de futura identidade e
destino de uma pessoa caminhando pelo mundo, este é o tempo de máxima
formação e influência. No encontro humano, nada chega a ser mais próximo
do que isso; nunca dois seres poderão estar mais perto como quando um
está se formando nas profundezas do outro. Naturalmente a relação é
imensamente desequilibrada: um é uma pessoa completa, o outro é
minúsculo, apenas começando sua jornada rumo à identidade absorvendo
vida da mãe. Porém, na noite do corpo materno, cada um está
desesperadamente aberto ao outro. Homem nenhum chega mais perto de uma
mulher. Mulher nenhuma chega mais perto de outra mulher. Esse intricado
nutrir e desabrochar de identidade se dá debaixo da luz no subconsciente
físico de seu corpo. A mãe não vê nada. A jornada é inteiramente às
escuras. É a mais longa jornada humana do invisível ao visível. De cada
via interna, o labirinto de seu corpo aporta um fluxo de vida para
formar e liberar esse peregrino interno. Imagine os incríveis eventos
que vão chegando para formar o embrião: de como cada partícula de
crescimento equivale à formação de um mundo oriundo de fragmentos.
[John O´Donohue]
[John O´Donohue]
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