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terça-feira, 28 de abril de 2020

agradece

Abro os olhos. Mais um dia. A criança acorda. Pede comida. Reclama. Porque tem que escovar os dentes, porque tem que se trocar e lavar a própria louça do café da manhã. Essa mania dele reclamar da vida, não sei de quem puxou. Sigo dizendo: agradece, agradece, agradece! Olha como você é afortunado – e listo as razões pelas quais ele deveria apenas ser grato. Ele parece não me ouvir. Ele não me ouve. Mais um dia sem ser ouvida.

O copo está cheio. As costas doem. É um peso descomunal não ter com quem dividir a responsabilidade de criar um ser humano, em todos os níveis. Uma criança é um projeto de, no mínimo, dois. Não sou vítima. E não falo só por mim, por ser mãe solo. Falo pela grande maioria de nós, acompanhadas ou não, mas extremamente sós nesta missão de criar filh@s. Falo por esse sistema escroto que nos obriga a criar nossos homens, além de nossos filhos, para que aprendam a criar os filhos deles. Falo pela inconsciência de muitas de nós sequer nos darmos conta dessa perversidade. Ou, se nos damos, silenciamos e seguimos perpetuando esta dor ancestral. A dor de uma linhagem inteira de mulheres subtraídas de suas potencialidades, ensinadas a acreditar que nasceram para ser mães.

Rezo para me conectar a estas velhas bruxas sábias, que elas nos mostrem o que amavam e sabiam fazer e despertem em nós essa liberdade. E agradeço - porque afinal só tenho a agradecer!


quarta-feira, 18 de março de 2020

quando tudo passar

Meu sonho é que a gente acorde deste pesadelo despertos. Que um número muito grande de pessoas  dê uma grande guinada e seja incapaz de permanecer levando uma vida vazia.

Que percebam o quão possível e natural é ficar na pausa com os seus fazendo "nada", gastando "nada", comprando "nada", mas sentindo tudo. Compartilhando e refletindo sobre o valor real das coisas, sobre a essência de estarmos aqui, sobre o divino que é SER HUMANO. 

Sonho que as pessoas vivam plenamente esse ócio criativo, tocar, cozinhar, tricotar, ler, debulhar feijão, passar um café, fazer pão, prosear, contar histórias de família... e que depois de tudo se perguntem: "o que pode ser melhor que isso? por que preciso abrir mão de tudo isso para viver?"

Sonho que a gente consiga olhar para tudo que temos, olhar e agradecer, mas perceber que não precisamos de um décimo de tudo aquilo. Que, ao acordarmos, possamos reavaliar nossas necessidades materiais reais, acumular menos, doar mais.

Se doar mais. 

Sonho que despertemos deste torpor e que coloquemos nossos corações em marcha. 

[Hilma Af Klint]



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

é amor

Eu lembro quando te contei que, na faculdade, eu tive uma paixão fulminante que mudou muito minha vida naquele momento - eu ia me casar aos 22, e desisti por causa dessa paixão, que durou três semanas. Nada mais. Nunca mais.

Agora eu me sinto mais ou menos assim: como se você tivesse mudado o rumo da minha vida. Graças a você, estou mergulhando em mim como nunca estive. Era isso que eu queria te falar.

Ainda arrepio ao lembrar, a intensidade não amorna tão facilmente neste corpo.

Ainda não compreendo como viramos fumaça, mas ao mesmo tempo, tudo faz um sentido profundo. 18 fotos. A primeira delas, um clarão branco pra escrevermos uma nova história. Não juntos. Cada um a sua - mas nova.

Estou muito orgulhosa da gente, do passo que demos rumo à felicidade, da escolha que fizemos de viver isso. Um privilégio. Estou muito feliz por me despir e perceber a beleza que se esconde por trás das diferenças - onde mora o grande aprendizado. Apesar de sermos opostos, somos pessoas incríveis fazendo o melhor que podemos.

Honro nossa verdade e nossa entrega. Sempre fomos nós mesmos, nunca outros. Por isso deu tão certo. E quando é uma coisa de verdade é pra sempre. Uma vez, um cara de quem eu gostei muito me disse: "Se for só pra você me ensinar a lixar as unhas, já vai ter valido à pena". É isso. 


Eu sinto muito pois sua dor é também a minha dor.

Me perdoe por te julgar.

Eu te amo por ser exatamente quem você é.

Eu sou grata por nossos caminhos terem se cruzado.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

perdas e ganhos

Um tufão passou por aqui bagunçou um pouco a vida, mas deixou bons legados.

Ganhos
- Voltei a usar Phebo (como algum dia eu pude deixar de usar?!).
- Retomei a escrita afetiva.
- Comecei a sonhar de novo.
- Descobri que óleo de coco é bom pra tudo (mesmo).
- Me lembrei que qualquer coisa é possível.
- Percebi que há dores imensuráveis - e que as minhas são minúsculas.
- Me dei conta (sem me dar conta) que amor não é sexo e sexo não é amor.
- Reafirmei que os opostos não se atraem. Se distraem.
- Quebrei (mais) paradigmas.
- Superei alguns (poucos) preconceitos.
- Percebi que nem todo fim precisa ser dramático. 
- Descobri que quanto menos a gente procura, mais a gente acha.

Perdas
- Você.







terça-feira, 13 de março de 2012

change the world

Porque vim não sei. Trouxe quase nada. Livros suficientes para o tempo pretendido, bastante creme hidratante e meu inseparável mat da yoga. Cheguei já pensando em voltar, mas não sei bem o que aconteceu, nem quando, nem como. Fui ficando... e lá se foi um ano fabuloso de encanto, beleza, muito mais felicidades do que dores. Um ano privilegiado de crescimento e amores. O que Noronha representa agora? Arrisco: os dias mais felizes da minha vida até hoje. Porque plenos por dentro, porque de auto conhecimento profundo, de encontro comigo mesma, de sol e lua ao mesmo tempo num céu infinito. Onde a lindeza é proporcional à aberração, onde o azul brilhante pode se transformar no breu profundo num piscar de olhos, exercita-se o desapego em igual medida ao apego máximo. Na tentativa de afinar a corda, estica-se até sua tensão-limite. Os insights são diários. E vive-se tudo com uma intensidade só suportável por mentes muito insanas como a minha. Então, nestes últimos dias de intensidade quase insuportável, tento encontrar espaço para organizar sentimentos contraditórios: necessidade louca de partir + vontade louca de ficar. Saudades já do que nem passou ainda. Saudades de tudo que não fiz, e do que fiz, de quem encontrei, e de quem só conheci, e também de quem deixei de conhecer por preconceito ou desamor. Dentre tantas mudas germinadas e plantadas, levo comigo a sementinha da mudança, mais forte do que nunca. Mudança de mim pro mundo, confiança de que o melhor ainda está por vir e de que ainda vou dizer muitas vezes - como já arrisquei dizer aqui: estes são os dias mais felizes da minha vida até hoje.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

sinto muito

Por favor, toque com gentileza. Eu sou flor que se cheire. E quero ser cheirada, e que meu cheiro seja lembrado. Eu sinto muito. Sinto felicidade, dor, amor, um milhar de sentimentos. Sinto o que está no ar e nem foi respirado ainda - e sinto muito pelos que sentem pouco. Acho que acabo sentindo um pouco por eles, de tanto que eu sinto. Eu tenho vários defeitos, como qualquer um. Sentir muito pode ser um deles, dependendo do ponto de vista. Apesar de todo sentimento, sou controladora e racionalizo processos que até mesmo eu duvidaria se não me conhecesse tão bem, se não tivesse consciência do que nossa mente é capaz de fazer com o poder que atribuímos a ela. Eu sei. Mas eu também fraquejo. E então uso deliberadamente todos os subterfúgios que tenho à disposição para que as coisas saiam como eu quero. Ainda assim, a vida me escapa por entre os dedos, e então percebo (de novo e de novo) que nada, NADA pode ser controlado, previsto, escrito. O próximo momento é uma ilusão e a vida é impermanência pura. Por isso, quero seguir sentindo cada vez mais: porque a razão é limitada e forjada por uma mente voluntariosa. Sentimento brota do centro, naturalmente, como a flor que desabrocha depois da chuva. Sentimento é atemporal e real. É só deixar sentir.

domingo, 8 de janeiro de 2012

elevation of love

Então me espreguiço e suspiro uma maquiagem no rosto pra vida ficar mais colorida. Mas tem dias que só pintando a cara toda mesmo, ai como eu queria pintar a cara toda, passar um batom vermelho, muito blush, encher os olhos inchados de rimmel, talvez o nariz da Levita também caísse bem. Pena que algumas coisas eu fui abandonando pelo caminho... também não dá pra carregar a vida toda numa mala, né!? E como a cara toda também não dá pra pintar, deslizo suavemente o pincel, clareza e suavidade pra enfrentar o dia com a beleza protegida.
Outra coisa que não dá mais é pra continuar matando uma a uma essas atormentadas formigas voadoras, tem que haver outro jeito de eliminá-las coletivamente - sim, eu sou eco cri cri, mas já tentei até inseticida; não funciona. Estou exausta de ter que fazer absolutamente tudo por mim: sinto vontade de me abandonar um pouco. Mas olho pro lado e não consigo. Na verdade, é acima de tudo de mim que tenho que cuidar, dá trabalho mas é retorno garantido. Investimento seguro. Entendo quando meu pai diz que lhe falta motivação. Como encontrá-la, se já não há? Onde buscá-la, se já partiu? E como fazer isso... sozinho?!?
Simplicidade (com ternura). Voltar à paz de não precisar fazer nada e sentir o prazer do ócio criativo sem culpa. Voltar pras artes, mais música, mais pintura, mais teatro. Voltar pro coração, sem medo. Voltar pra dentro.

Viajar.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

o amor verdadeiro

Uma amiga foi traída virtualmente. Acho que a dor é tão grande como se fosse presencial, não ter consumado o fato em si não significa nada. A repulsa é a mesma. Quando flagrada, a palavra escrita é mais pesada, mais concreta. Fere fundo ler frases como "estou loucamente apaixonada por você" ou "nunca tive uma conexão assim com alguém", ou até mesmo coisas de teor sexual que você nunca imaginou que seu parceiro pudesse te falar. Completamente apaixonada pelo namorado, está naquele velho dilema: algo se quebrou, não sei como recuperar a confiança, mas é o amor da minha vida. O que fazer? Ele diz que não significou nada, que me ama, mas não consigo confiar nisso. Então diga isso a ele, sugeri. Será?! Diante da cara de dúvida, perguntei: qual é o seu medo? Que apresentando essa desconfiança ele diga: "então, se você não confia mais em mim, é melhor terminarmos"? Talvez...
Então, siga seu coração! foi o que eu disse. Por mais clichê que possa parecer, é a mais pura verdade. Nosso coração, a voz de nossa alma, é a única guia que nunca nos engana. É nossa linha-mestre, nosso termômetro, nossa verdade. E pode apostar que o medo sempre vai surgir pra nos bloquear, pra nos desviar do nosso caminho de felicidade. Mas... e se ele me deixar?? Eu vou ficar solteirona, abandonada??? A solidão vai me consumir?

Pegue o seu coração e deixe-se voar. Seguir em frente, mesmo com medo, é abrir-se para a vida, que pulsa fora de nosso controle. Um dia, quando abdiquei de um amor em prol do meu coração, um amigo querido me disse: "Que incrível lição se apaixonar por alguém, mas quando esse alguém não está maduro para fazer as coisas no caminho de uma integridade, ter o poder de quebrar isso".

A única maneira, é enfrentar o medo, sem medo.
Não existe amor mais verdadeiro do que o amor para com você mesmo.

domingo, 10 de julho de 2011

eu to cansada

Sempre desconfiei dos quietinhos. Dos bonzinhos, nem se fale... Têm uma mania de enxergar o mundo com óculos maniqueísta: falta-lhes a compreensão de que somos seres duais, bons E maus, que amam E odeiam, que explodem E se recolhem, como na natureza as flores, as marés. Nos últimos anos, tenho feito imersões profundas em mim mesma para tentar ser mais quietinha e mais boazinha, sempre mantendo minha essência. E devo dizer que consegui avanços consideráveis. Honro muito essas conquistas. Herdei da mãe um temperamento explosivo, do pai uma visão demasiadamente realista da vida, e agora finalmente sinto um encontro comigo, com quem eu sou. E eu não sou nada fácil, não me iludo. Mas quem é fácil, afinal?!? Os bonzinhos??? Os quietinhos??? Por que eles são "mais fáceis" do que eu?

Tô meio cansada. Vejo e sinto minha evolução, mas sou continuamente julgada pelo que ainda não evolui, como se já não bastasse o peso da minha própria cobrança. Tô cansada, porque apesar de mais boazinha e mais quietinha, continuo incomodando demais. Meu limite não é reconhecido, meu esforço não é reconhecido. To cansada de demonstrar tanta disponibilidade e ainda assim ter que me esforçar pra ler nas entrelinhas dos bonzinhos. E fico pensando se tô tão enganada assim sobre quem eu sou e como eu ajo... acho que não, né?! Deve ser só cansaço mesmo.

Good night. And good luck.

sábado, 4 de junho de 2011

lealdade

Ando com dor de barriga frequente. É a dor do medo. Vem da ideia de você não vir, não chegar, não confirmar, não aparecer, não me priorizar, não me ligar. Na cabeça resolvo tudo: sei perfeitamente o que devo fazer. Mas meu corpo não responde. Se deixa tomar pelas emoções e fica totalmente entregue. vulnerável. Não consigo enganá-lo. É como se eu já conhecesse o desfecho, mas não quero aceitar. Não quero aceitar que tantos impasses sinalizem a morte já anunciada. É mais bonita a ilusão de que eles servem para nos fortalecer, para criar bases sólidas para um “nós” que não existe. Mas ilusões são traiçoeiras, assim como as verdades homeopáticas. Preferia receber um tapa na cara bem ardido, do que carregar essa dor de barriga constante. Lembro sempre do Dario cantando "Lealdade" pra mim, olhando bem fundo nos meus olhos. "Serei leal contigo, quando eu cansar dos teus beijos, te digo. E tu também liberdade terás, pra quando quiseres bater a porta sem olhar pra trás. Quando os teus olhos cansarem dos meus olhos, e o teu sorriso cansar da minha voz. Quando o teu corpo tiver cansado dos meus braços não é preciso haver falsidade entre nós".

Por favor, seja, apenas, leal.

sábado, 28 de maio de 2011

panela de pressão

Outra tarde, entrei numa igrejinha com uma portinha que parecia de um conto de fadas. Era muito pequena mesmo, tanto a igreja quanto a porta. Sentei no banco ao lado do altar, olhei pra nossa senhora da Conceição e comecei a conversar com ela com toda inocência de uma criança que faz um pedido pro Papai Noel - e acredita piamente que seu pedido será atendido.

"Eu quero o pai pros meus filhos. Um cara bonito, pero no importa mucho - que fique claro que se for bonito, não vou achar ruim. Mas que seja, acima de tudo, bonito por dentro. Sincero, honesto, boa indole. Que goste dos meus amigos. E que meus amigos gostem dele. Que tenha um papo bom, bom, bom de doer de tão bom, porque isso é o que me dá mais tesão na vida: conversar. Não precisa ter dinheiro, mas sem dívidas é um requisito. Que seja bom de cama (não vou entrar em detalhes, mas pra ela eu pedi tudinho!!). Uma pessoa que tenha tons de cinza, mas muitas cores pra dividir. Que tenha um humor leve e uma boa relação com a mãe. Que tenhamos os mesmos gostos, porque esse negócio de opostos que se atraem só funciona na física mesmo. Eu quero um homem a quem eu possa amar em igual medida à medida que ele me ama. Com quem eu possa trocar de pele de vez em quando. Saborear doces e salgados, ter gatos e ver as mesmas belezas da vida".

Mas teve um pedido que eu esqueci de fazer naquela tarde pra Conceição: que esse homem seja livre e seu coração, desempedido.

domingo, 15 de maio de 2011

c.o.r.a.g.e.m

Em qualquer lugar, até mesmo no paraíso, têm dias em que o desconforto toma conta. A alma fica pequenina, não vence a falta de sol, não encontra espaço para o amor. O corpo adoece, a mente se culpa, a auto estima se esconde. Com certa frequência, minha voz desaparece. Geralmente ela se vai porque deixei de falar algo que precisava. Mas desta vez, foi diferente: ela se calou para eu me calar. Preciso aquietar o coração e olhar para dentro. Ouvir mais a intuição, que é a voz da alma, gritando para mim.

E - fundamental - preciso de coragem para segui-la.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

germinar

cada um vira um pouco o outro na arte de se encontrar, se entender, se reconhecer. Na dúvida, no experimento, na ousadia, nos movimentos de libertação, na explosão. Cria=se uma identidade na intersecção de sonhos, valores, algo maior que quer nascer e não sabe o que é. Na verdade falamos todos sobre a mesma coisa: amor. 'Não excluir' é a máxima. No nível sutil: ver o invisível, ouvir o inaudível e sentir o que nunca antes foi sentido. Emoção genuina.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

que confusão

Na minha vida, faço muitos planos, mutáveis e mutantes, tenho ideias um tanto vagas e projetos que vão se delineando, se concretizando aos poucos - porque tudo é processo. Mas tenho uma prioridade: o amor. E quando ele chega, avassalador, forte, verdadeiro, refaço meus planos (com o outro), tenho novas ideias (juntos) e abandono alguns projetos, para empreender outros, que envolvam dois. Acho que é um movimento natural da vida. Já foi mais intenso e extremo, hoje está abrandado, mas assim sou eu.
Se me dôo para tudo, por que não para o amor?
E hoje ouvi de um amigo que sou contraditória e incoerente. Que largar meus planos por um homem não combina comigo, que meu discurso de mulher independente cai por terra quando digo que posso mudar tudo por causa de um amor. Então eu fiquei confusa... sem entender a lógica desta vida um tanto frívola que levamos. O que tem a ver eu ser uma mulher independente e autônoma com a minha decisão única, pessoal e intransferível de mudar meus planos pelo sentimento mais nobre e fenomenal do universo? Acho que as pessoas andam desacostumadas com a simples decisão de ser feliz. Parece mais importante e natural manter o discurso intacto, a aparência incólume, do que revelar sua verdadeira essência. Isso me custa.
Coragem.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

sorriso

Fechei a porta e o dong tocou. Me contaram que o dong, quando vibra, deixa pra fora todas as energias negativas, protegendo a casa das coisas estranhas e mantendo aqui dentro apenas aconchego. Funciona mais ou menos como os sapatos, que eu tiro antes de passar a soleira, diariamente, para livrar o ambiente das cargas da rua.
Então, depois de um show louco, chocolate, massagem e longo abraço (e outro), você calça os sapatos e me deixa um sorriso no rosto. Permanente. Que até agora, 20 minutos depois, teima em quase me causar caibra nas bochechas. Me deixa com esse sentimento que não sei explicar - e que bom que é não saber explicar alguma coisa na minha vida! É bom e isso basta. Preenchimento. E sorriso.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

sobre o Amor

Desde ontem tô emocionada. Uma sensação de bem-estar me tomou repentinamente, insistindo em conviver com aquela melancolia habitual, o que, ao invés de me entristecer, está me emocionando.
Só pode ser o Amor.
No começo da aula de ontem, a Tita, inspiradíssima em mais um de seus downloads divinos, falou palavras lindas sobre o Amor. Palavras que me fizeram chorar. E como nunca antes, a certeza tão certa de que é muito mais; de que esse que conhecemos, esse Amor condicional que nos ensinaram a sentir... não é nada disso!
Amor é incondicional. E só quem sente ou já sentiu, vai entender do que estou falando. Eu falo de um Amor imensurável por todas as coisas deste mundo, mesmo as que parecem ser ruins. Com esse tipo de Amor é possível ao menos compreendê-las. Eu falo de um Amor que é superação, liberdade, predisposição.
Então, o claro entendimento: até hoje, muito do Amor que eu senti não era ESSE Amor! Daí a incompreensão, a mágoa, os medos.
E isso não tem nada a ver com Amor...

Hoje o dia foi muito legal.
Estou me sentindo livre.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

nananinanão

Uma das prerrogativas da minha vida é a intensidade. Nem sempre isso é bom, às vezes fica tudo meio embolado, não dá tempo de digerir direito. Mas na maior parte das vezes é sensacional viver as coisas como se fossem únicas, porque elas de fato são singulares e irrepetíveis. Tudo está muito interessante, mas tem acontecido com uma rapidez que meu corpo não consegue acompanhar. Quero ter brechas para fugas repentinas, para me lançar ao mar, para reforçar o desapego.
Hoje, regados a bom vinho, música nutritiva e comidinhas deliciosas, falamos muito sobre a necessidade de se dizer NÃO. Isso parece super batido, mas é tão importante... porque fomos criados acreditando que dizer não é sinônimo de desamor, de falta de disponibilidade, agressividade, quando na verdade é exatamente o contrário: ao dizer não para o outro, você está reconhecendo suas limitações e deixando claro o quanto de você há à disposição.
É duro ouvir não. Não, não é fácil. Mas é saudável. Porque 'não' não é o antônimo de sim, é só seu contraponto.
Não porque não me faz bem - e se não faz bem pra mim, não vai fazer bem pra você.
Não porque preciso ser verdadeiro comigo mesma pra poder ser verdadeira com você.
Não porque não estou com vontade. Simples assim.
Não porque não preciso te falar sim pra ser aceita por você.
Não porque não quero.
Não porque não consigo.
Não porque não há espaço dentro de mim para isso.
Não porque não te amo mais.
E eu realmente sinto muito se você não gosta de nãos.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

mauzinha

É muito libertador reconhecer a maldade na gente. Reconhecer o egoismo, a raiva, a falta de vontade. A gente se liberta, ainda que momentaneamente, das pressões, das reponsabilidades, das expectativas que nos impelem a um comportamento protocolar. No fundo, percebemos que só queremos ser aceitos com normalidade e com doçura pelos outros, mas por dentro... ahhhhh, por dentro queima, arde, não encaixa (de jeito nenhum). É uma sensação perene de deslocamento. É aí então que a verdade faz-se cada vez mais necessária, mesmo que cause conflitos e desconfortos - porque coloca o outro frente a frente com a sua hipocrisia social, com a sua inverdade interior. Mas a verdade é do coração, não é da razão, por isso é tão difícil de ser aceita.
Quando eu crescer quero ser igualzinha à tita. Meditar todo dia e cantar kiirtan com voz de anjo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

desabafo

A cada dia que passa eu fico mais inconformada. Ao contrário do que dizem, que a idade nos torna mais acomodados, eu só quero subverter, quebrar paradigmas, agir cada vez mais instintivamente. Estou num processo estranho, porque parei de manifestar isso, mas internamente sou um vulcão em plena erupção.
Tô meio cansada de ser rotulada como "louca" (ou, carinhosamente, "doidinha"), "alternativa", "diferente". Se fazer o que o seu coração manda e não assistir televisão é ser louca, se agir coerentemente com seus ideais é ser alternativa, se expressar o que você acredita sem se importar com o que os outros vão pensar é ser diferente, aceito as etiquetas. Mas é preocupante, porque a mediocridade impera soberana e a maior parte dos seres parece não ter essas características. Se espantam com atitudes minhas que considero absolutamente legítimas (porque, repito, coerentes com minhas crenças), criticam minha espontaneidade, porque é preciso ser bem comportado. Sempre. Não pode alterar a porra do tom da voz, não pode se atrasar, nem chorar, nem rir demais, nem demonstrar muita alegria, tristeza nem pensar. Em suma, não pode ser você. Seja neutra. Mecânica. Robótica, neurótica, mal amada. Junto a isso, as preciosas contribuições da nossa doutrina cristã: tenha medos, muitos medos! (eles supostamente são elementos motivadores...). Se esforce muito, caso contrário nada do que você conquistou terá o seu devido valor e os outros também irão achar que você consegue tudo de mão beijada, não pega bem... Melhor sofrer bastante pelas coisas, nada de facilidades!
Olha, há dias em que eu realmente fico desanimada de remar contra a maré e até entendo porque as coisas estão como estão: é preciso manter o tempo todo a disposição a milhão para agir diferente e mostrar que é possível que as coisas sejam diferentes. E há dias em que eu perco um pouco essa disposição. Mas são apenas alguns dias. Na maior parte do tempo estou brilhando e vibrando pelo novo. E, apesar dos esforços, ninguém vai conseguir mudar isso em mim. Por isso, parem de se esforçar, sejam mais felizes.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

coerência

A ética é, em si, um conceito positivo. Não existe, para mim, ética má ou falta de ética. Tudo o que me aproxima da minha essência e faz bem à minha alma é ético. Na incansável busca por uma maior conexão comigo mesma, lá está a ética: me ordena que, na possibilidade da escolha, eu faça somente o que me faz feliz. E que eu seja coerente com as minhas verdades, sempre.
Vamos lá, então.