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terça-feira, 13 de março de 2012
change the world
Porque vim não sei. Trouxe quase nada. Livros suficientes para o tempo pretendido, bastante creme hidratante e meu inseparável mat da yoga. Cheguei já pensando em voltar, mas não sei bem o que aconteceu, nem quando, nem como. Fui ficando... e lá se foi um ano fabuloso de encanto, beleza, muito mais felicidades do que dores. Um ano privilegiado de crescimento e amores. O que Noronha representa agora? Arrisco: os dias mais felizes da minha vida até hoje. Porque plenos por dentro, porque de auto conhecimento profundo, de encontro comigo mesma, de sol e lua ao mesmo tempo num céu infinito. Onde a lindeza é proporcional à aberração, onde o azul brilhante pode se transformar no breu profundo num piscar de olhos, exercita-se o desapego em igual medida ao apego máximo. Na tentativa de afinar a corda, estica-se até sua tensão-limite. Os insights são diários. E vive-se tudo com uma intensidade só suportável por mentes muito insanas como a minha. Então, nestes últimos dias de intensidade quase insuportável, tento encontrar espaço para organizar sentimentos contraditórios: necessidade louca de partir + vontade louca de ficar. Saudades já do que nem passou ainda. Saudades de tudo que não fiz, e do que fiz, de quem encontrei, e de quem só conheci, e também de quem deixei de conhecer por preconceito ou desamor. Dentre tantas mudas germinadas e plantadas, levo comigo a sementinha da mudança, mais forte do que nunca. Mudança de mim pro mundo, confiança de que o melhor ainda está por vir e de que ainda vou dizer muitas vezes - como já arrisquei dizer aqui: estes são os dias mais felizes da minha vida até hoje.
domingo, 22 de janeiro de 2012
como faz?
Subject: como?
Date: Thu, 19 Jan 2012 22:01:33 -0200
Ei. Essa coisa de sumir do mapa e ir pra longe...
Como faz?
Tua opção me cativa um bocado.
Ouviria histórias se quiser contar.
Bjo.
__________________________________________________
Muitos amigos têm me escrito manifestando vontade de voar.
Deixo aqui um pouco da minha transpiração - que a cada dia se transforma em muita inspiração.
Meu querido,
Sou tão feliz pela minha escolha, que poderia passar a noite aqui te dando motivos para me imitar. Como? Como é muito fácil: arrume uma mala pequena, compre a passagem e parta pra onde o teu coração sugerir, mesmo que você não saiba direito o que está indo fazer lá. Foi assim que eu fiz.
Mas eu sei que não é a este "como" que você se refere. O movimento, ao contrário do que parece, é algo que está dentro de nós, então você só o fará se ele fizer profundo sentido para você. E mesmo que ele faça sentido, não é fácil. Na verdade, eu diria que é difícil pra caramba. É preciso ter muito desprendimento, força de vontade, confiança e alegria pra suportar a distância total da sua zona de conforto. Mas vale à pena, porque se afastando dela, você abre espaço para o novo, um espaço que você nem sabia que existia dentro de você. Se estiver disposto a enfrentar o medo do desconhecido, o medo de baratas, o medo da solidão, será recompensado de maneira absolutamente surpreendente, com um pote dourado dentro do qual estarão todas as ferramentas para a sua FELICIDADE. Se estiver com a mente aberta para aceitar verdadeiramente as diferenças, se tiver tempo para olhar a natureza e diariamente se der conta da efemeridade da vida, será muito menos penoso lidar com as crises existenciais e com as coisas que te desagradam. A vida se tornará mais leve e você, uma pessoa melhor.
Não sei te dizer exatamente "como", não tem receita de bolo. Levei alguns anos para efetivar essa escolha. Fui arando o terreno, regando um pouquinho todos os dias, preparando a retirada e, sobretudo, consultando meu coração, precioso oráculo. Me perguntava se a vontade de partir não era meramente uma fuga. No fundo, não me iludo: acho que todas as partidas são fugas, mas fugir consciente é diferente de fugir por fugir. Então, atenção a este ponto. E se for uma fuga descarada mesmo, que seja bem claro do que você está fugindo, porque pode ter certeza de que vai voltar - mesmo que você more no paraíso.
Ontem ouvi que minha vida é uma "montanha russa". Achei essa imagem bem engraçada. Irônico que, quando criança, eu ia ao playcenter e nunca gostei desse brinquedo que me deixava com enjôo e me dava muito medo - nunca subi em uma. No imaginário coletivo, a montanha russa é um desafio delicioso: todo mundo quer andar nela, pra poder gritar a vontade, extravasar, viver os medos face to face. No fundo, a gente gosta.
Então, depois de tudo isso, se eu puder te dar um conselho: vá andar de montanha russa, passe pelos loopings, frios na barriga, vômitos, frios, suadouros. Passe pela experiência, por todas as possíveis, se possível. Não deixe que as experiências passem, passe você por elas. Depois você vai ter muito mais do que um bocado de histórias pra contar: vai perceber que ainda tem um SEM FIM de descobertas por fazer.
Beijos,
Beta
Date: Thu, 19 Jan 2012 22:01:33 -0200
Ei. Essa coisa de sumir do mapa e ir pra longe...
Como faz?
Tua opção me cativa um bocado.
Ouviria histórias se quiser contar.
Bjo.
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Muitos amigos têm me escrito manifestando vontade de voar.
Deixo aqui um pouco da minha transpiração - que a cada dia se transforma em muita inspiração.
Meu querido,
Sou tão feliz pela minha escolha, que poderia passar a noite aqui te dando motivos para me imitar. Como? Como é muito fácil: arrume uma mala pequena, compre a passagem e parta pra onde o teu coração sugerir, mesmo que você não saiba direito o que está indo fazer lá. Foi assim que eu fiz.
Mas eu sei que não é a este "como" que você se refere. O movimento, ao contrário do que parece, é algo que está dentro de nós, então você só o fará se ele fizer profundo sentido para você. E mesmo que ele faça sentido, não é fácil. Na verdade, eu diria que é difícil pra caramba. É preciso ter muito desprendimento, força de vontade, confiança e alegria pra suportar a distância total da sua zona de conforto. Mas vale à pena, porque se afastando dela, você abre espaço para o novo, um espaço que você nem sabia que existia dentro de você. Se estiver disposto a enfrentar o medo do desconhecido, o medo de baratas, o medo da solidão, será recompensado de maneira absolutamente surpreendente, com um pote dourado dentro do qual estarão todas as ferramentas para a sua FELICIDADE. Se estiver com a mente aberta para aceitar verdadeiramente as diferenças, se tiver tempo para olhar a natureza e diariamente se der conta da efemeridade da vida, será muito menos penoso lidar com as crises existenciais e com as coisas que te desagradam. A vida se tornará mais leve e você, uma pessoa melhor.
Não sei te dizer exatamente "como", não tem receita de bolo. Levei alguns anos para efetivar essa escolha. Fui arando o terreno, regando um pouquinho todos os dias, preparando a retirada e, sobretudo, consultando meu coração, precioso oráculo. Me perguntava se a vontade de partir não era meramente uma fuga. No fundo, não me iludo: acho que todas as partidas são fugas, mas fugir consciente é diferente de fugir por fugir. Então, atenção a este ponto. E se for uma fuga descarada mesmo, que seja bem claro do que você está fugindo, porque pode ter certeza de que vai voltar - mesmo que você more no paraíso.
Ontem ouvi que minha vida é uma "montanha russa". Achei essa imagem bem engraçada. Irônico que, quando criança, eu ia ao playcenter e nunca gostei desse brinquedo que me deixava com enjôo e me dava muito medo - nunca subi em uma. No imaginário coletivo, a montanha russa é um desafio delicioso: todo mundo quer andar nela, pra poder gritar a vontade, extravasar, viver os medos face to face. No fundo, a gente gosta.
Então, depois de tudo isso, se eu puder te dar um conselho: vá andar de montanha russa, passe pelos loopings, frios na barriga, vômitos, frios, suadouros. Passe pela experiência, por todas as possíveis, se possível. Não deixe que as experiências passem, passe você por elas. Depois você vai ter muito mais do que um bocado de histórias pra contar: vai perceber que ainda tem um SEM FIM de descobertas por fazer.
Beijos,
Beta
quinta-feira, 14 de julho de 2011
vento bom
Parece que já se passaram alguns meses desde a minha volta. O retorno de saturno dando as caras de novo, com tudo. Pequenos terremotos internos, um novo módulo, um novo amor, uma nova companhia de quarto, um novo armário... O mar está mais frio, o sol mais fraco, o céu enevoado. E o vento sopra forte, dia e noite, parece querer abalar minhas verdades. Então, quando acho que não tenho mais onde me escorar, ele muda de direção, levantando poeira, deixando uma bagunça danada do lado de dentro, como quem diz: “tudo não passa de uma rajada, não há o que temer”.
Apesar do nó na garganta, sigo firme, inspirando fundo a noite clara. Abro os braços ao caminhar, para receber suas rajadas de peito aberto. Por mais que doa, sei que a qualquer momento pode mudar de direção e soprar a meu favor. E não vai demorar.
"Viração, virando vai
Olha o vento, a embarcação
Minha jangada não é navio não
Não é vapor nem avião
Mas carrega muito amor dentro do seu coração".
[Corrida de Jangada]
Apesar do nó na garganta, sigo firme, inspirando fundo a noite clara. Abro os braços ao caminhar, para receber suas rajadas de peito aberto. Por mais que doa, sei que a qualquer momento pode mudar de direção e soprar a meu favor. E não vai demorar.
"Viração, virando vai
Olha o vento, a embarcação
Minha jangada não é navio não
Não é vapor nem avião
Mas carrega muito amor dentro do seu coração".
[Corrida de Jangada]
domingo, 10 de julho de 2011
eu to cansada
Sempre desconfiei dos quietinhos. Dos bonzinhos, nem se fale... Têm uma mania de enxergar o mundo com óculos maniqueísta: falta-lhes a compreensão de que somos seres duais, bons E maus, que amam E odeiam, que explodem E se recolhem, como na natureza as flores, as marés. Nos últimos anos, tenho feito imersões profundas em mim mesma para tentar ser mais quietinha e mais boazinha, sempre mantendo minha essência. E devo dizer que consegui avanços consideráveis. Honro muito essas conquistas. Herdei da mãe um temperamento explosivo, do pai uma visão demasiadamente realista da vida, e agora finalmente sinto um encontro comigo, com quem eu sou. E eu não sou nada fácil, não me iludo. Mas quem é fácil, afinal?!? Os bonzinhos??? Os quietinhos??? Por que eles são "mais fáceis" do que eu?
Tô meio cansada. Vejo e sinto minha evolução, mas sou continuamente julgada pelo que ainda não evolui, como se já não bastasse o peso da minha própria cobrança. Tô cansada, porque apesar de mais boazinha e mais quietinha, continuo incomodando demais. Meu limite não é reconhecido, meu esforço não é reconhecido. To cansada de demonstrar tanta disponibilidade e ainda assim ter que me esforçar pra ler nas entrelinhas dos bonzinhos. E fico pensando se tô tão enganada assim sobre quem eu sou e como eu ajo... acho que não, né?! Deve ser só cansaço mesmo.
Good night. And good luck.
Tô meio cansada. Vejo e sinto minha evolução, mas sou continuamente julgada pelo que ainda não evolui, como se já não bastasse o peso da minha própria cobrança. Tô cansada, porque apesar de mais boazinha e mais quietinha, continuo incomodando demais. Meu limite não é reconhecido, meu esforço não é reconhecido. To cansada de demonstrar tanta disponibilidade e ainda assim ter que me esforçar pra ler nas entrelinhas dos bonzinhos. E fico pensando se tô tão enganada assim sobre quem eu sou e como eu ajo... acho que não, né?! Deve ser só cansaço mesmo.
Good night. And good luck.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
a praça dos sonhos
Eu não sei como funciona a vida para os que não sonham, mas deve ser muito chata. Eu sonho demais e muitos dos meus sonhos se tornam realidade material e concreta em frente aos meus olhos. Quando isso acontece, uma sensação de imenso prazer me invade, meu corpo formiga, não consigo (nem quero) esconder sorrisos. Aqui em Fernando de Noronha, um grupo de pessoas (eu incluída) está trabalhando num projeto de resgate de uma feira de artesanato que há 12 anos não acontece. Estamos reunindo os artesãos da ilha, trabalhando com seus sonhos, suas visões de futuro, seus desejos. Bonito de ver. Além de valorizar a arte e os produtos locais com um viés de sustentabilidade (escolhido por nós), pretendemos que esta feira se transforme num espaço de encontro para a comunidade, onde todos possam se sentir em casa, acolhidos por um clima de entusiasmo, encantamento, inspiração. A feira tem acontecido e tem sido um sucesso, mas é claro: estamos encontrando diversas pedras no caminho. Faz parte. Bate aquele desânimo, vontade de desistir, me pergunto porque eu sempre me meto nessas pra me matar de trabalhar... me desgasto... e no final, sobra o quê?!
Há algumas semanas, decidimos dar uma pausa no evento para avaliar o processo, melhorar de fato o que precisa ser melhorado e resolver algumas questões pontuais dentro do grupo organizador. Noutra noite, caminhando solta pela brisa, passei em frente à praça onde a feira ocorre. A praça não sofreu nenhuma interferência estrutural significativa: apenas uma grande luz verde foi instalada no topo de um coqueiro. Bastou isso. O que pude ver? A mesma praça iluminada por uma lâmpada verde?? Não. O que eu vi foi meu sonho se tornando realidade, ali, aos poucos, muito sutilmente. Crianças brincando de pega-pega, jovens senhoras conversando e rindo da vida, pessoas caminhando e curtindo o barato de ter uma luz verde iluminando a praça que antes servia de estacionamento. Essa cena boba e corriqueira me fez sorrir e pensar que as coisas são muito mais simples do que imaginamos. E que tudo parece pequeno quando já passou. Então, em resposta à minha pergunta: resta o sonho. E isso não é pouco não.
Há algumas semanas, decidimos dar uma pausa no evento para avaliar o processo, melhorar de fato o que precisa ser melhorado e resolver algumas questões pontuais dentro do grupo organizador. Noutra noite, caminhando solta pela brisa, passei em frente à praça onde a feira ocorre. A praça não sofreu nenhuma interferência estrutural significativa: apenas uma grande luz verde foi instalada no topo de um coqueiro. Bastou isso. O que pude ver? A mesma praça iluminada por uma lâmpada verde?? Não. O que eu vi foi meu sonho se tornando realidade, ali, aos poucos, muito sutilmente. Crianças brincando de pega-pega, jovens senhoras conversando e rindo da vida, pessoas caminhando e curtindo o barato de ter uma luz verde iluminando a praça que antes servia de estacionamento. Essa cena boba e corriqueira me fez sorrir e pensar que as coisas são muito mais simples do que imaginamos. E que tudo parece pequeno quando já passou. Então, em resposta à minha pergunta: resta o sonho. E isso não é pouco não.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
germinar
cada um vira um pouco o outro na arte de se encontrar, se entender, se reconhecer. Na dúvida, no experimento, na ousadia, nos movimentos de libertação, na explosão. Cria=se uma identidade na intersecção de sonhos, valores, algo maior que quer nascer e não sabe o que é. Na verdade falamos todos sobre a mesma coisa: amor. 'Não excluir' é a máxima. No nível sutil: ver o invisível, ouvir o inaudível e sentir o que nunca antes foi sentido. Emoção genuina.
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