Mostrando postagens com marcador ônibus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ônibus. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

feliz aniversário

que engraçado: eu não me livro de você. Mesmo se eu for morar no Butão ainda vou encontrar alguém que ouça interessado à história de como a gente se conheceu, que eu te pedi em casamento no primeiro encontro e que você adorou. Por que, convenhamos, qual é a chance de alguém me abordar na rua e perguntar se eu te conheço numa ilha no meio do oceano??? Passam os anos e nossos caminhos voltam a se cruzar, por um motivo ou por outro, a gente se encontra na fila do cinema, ou no meio da noite eu te ligo pra te perguntar... "que música é essa mesmo?". Eu não sei porque isso acontece, você é tipo uma ressaca. Nem sei como ainda sei seu número de telefone decor, acho que deve ser o único no mundo que eu sei decor, mesmo sem discá-lo há anos. Mas eu desconfio que tem amor demais na música que sempre nos uniu, e que talvez a gente tenha se gostado o suficiente pra nunca nos separarmos definitivamente. Não importa quem a gente namore pro resto dos dias, com quem a gente case ou tenha filhos. A gente já foi pra nova iorque e comprou all stars coloridos e pegou o "A train".
Apesar de tudo, eu acho nossa história linda. Fomos passaportes pra sermos pessoas melhores. Feliz aniversário.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

sorrisos matutinos

Entra no elevador o menino franzino que sempre toma o ônibus comigo. Sorri em sinal de cumprimento e fica visivelmente envergonhado com o brado da mãe: "vai com deeeus, filho". Subimos juntos até o ponto sem trocar palavra. Acho que ele é tímido. Ele tem cara de estagiário de escritório de advocacia. Da próxima vez, vou perguntar o que ele faz da vida;

A mulher leva na coleira um cachorro que é duas vezes maior do que ela. Segura severamente o laço, quase enforcando o bicho, enquanto ele tenta vingativo arrastá-la para o meio fio. Ao passar por mim, esboça um sorriso no canto da boca;

O cobrador responde meu "bom dia", como de costume. Comento que estou com frio e errei na roupa. Ele então abre um largo sorriso: "Pode ter errado, mas tá linda. E cheirosa, como sempre". Enrubreço (e sorrio);

O passageiro sentado ao meu lado fala alguma coisa. Tiro o fone do ouvido. Ele repete "Esse desce a Consolação?". Aviso que não, terá de trocar nas Clínicas. Ele sorri e agradece. Reparo como ele é parecido com você. Tem o seu tamanho e as mãos iguais às tuas. Lembro do nosso sorvete no ponto de ônibus e sorrio.

Atravesso a avenida, tomo o lado esquerdo da calçada. E lá está ele, à procura. O cheiro azedo invade a minha passagem. Em busca de restos podres, alimentando-se de nossos descartes, ele abre um saco após o outro, sem pudor, sem nojo, com a naturalidade cotidiana de quem abre uma loja.

Escancara na nossa cara o mais desagradável dos mundos.

Ele não sorri. Nem eu. Sorte que já houve outros sorrisos para compensar esse momento. Ele, o mais (in)digno de todos os homens, é o único personagem que eu não gostaria de encontrar nas minhas manhãs sorridentes.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

tirei a chave do bumba

Gente: um barraco! No ponto de ônibus, todo mundo olhando. Aquela situação de pernas tremendo, ela descontrolada gritando: "Me fala teu nome compleeeeto agoooora!!!". Tudo porque, enquanto ela guardava o troco e apanhava o bilhete único para validar, o cobrador/motorista do Vila Monumento, um micro ônibus que faz o trajeto Ipiranga-Vila Madá, liberou a catraca. "Mas moço, eu preciso pegar outro ônibus agora...". "Problema seu", foi o que ele respondeu. COMO É QUE É??? PROBLEMA MEU??? E completou, sorrindo: "Agora já era, se vira. Você devia ter avisado antes que ia passar o cartão...". Então ela, debruçada sobre a barra que divide o motorista/cobrador dos passageiros, perguntou: "Qual seu nome?". Manuel. Manuel era o nome dele. "O seu nome completo, por favor". "Não vou falar meu nome, não. Pra quê?", retruca. "Porque eu vou fazer uma reclamação do senhor, isso é uma falta de respeito!", já alterando um pouco o tom de voz.
Ele teimava em não querer falar seu nome completo (quem não deve, não teme, diz a minha mãe) enquanto o ônibus se aproximava do ponto em que ela precisava descer. "Qual o teu nome? Me fala?". Parou no ponto. Outros passageiros entravam e tentavam validar seus bilhetes esbarrando nela, que bloqueava a passagem. Ela, aquela moça insistente com cara de brava e riquinha metida a andar de ônibus, insistia em querer saber o nome do motorista/cobrador. O negócio começou a esquentar. Furiosa, ela tentou verificar se o motorista portava um crachá de identificação no pescoço. Nada. Abriu o caixa em busca de uma identificação, era questão de honra resolver aquilo ali mesmo. O motorista, também aos gritos: "Não mexe em mim!!". Sem hesitar, ela enfiou a mão no contato e girou a chave, desligando o motor. Arrancou a chave do contato.

"VAI OU NÃO VAI ME FALAR TEU NOME??" perguntou derradeira.

(entrada da coadjuvante, tirando o ipod do ouvido).
"Moça, pelo amor de Deus, todo mundo tem que ir trabalhar. O que é que está acontecendo? Fala direito com ele...".
"Fala direito???? Fala direito, como? Se foi ele quem me faltou com o respeito? (Curiosos do ponto se adensam em volta da porta do ônibus). Isso é uma falta de civilidade! Ele liberou a catraca e quando eu disse que precisava passar o cartão, ele me disse que era problema meu, que eu que me virasse! Eu estou perguntando o nome dele para fazer uma reclamação e ele não quer me falar!!", gritou.
"Vai até o ponto final e conversa com o fiscal lá", sugeriu outra coadjuvante.
(a primeira coadjuvante faz cara de compreensiva).
Com a chave, rapidamente recuperada das mãos trêmulas da garota, o motorista se apressou em ligar o motor. Antes do veículo entrar em movimento, mais um desabafo: "Deixa eu descer dessa merdaaaaaaa!", foi o último grito que se ouviu naquela manhã, em frente ao açougue.

Logo o outro ônibus chegou.
Ela pagou novamente pela viagem e foi trabalhar.

Galera, eu tirei a chave do bumba!