que engraçado: eu não me livro de você. Mesmo se eu for morar no Butão ainda vou encontrar alguém que ouça interessado à história de como a gente se conheceu, que eu te pedi em casamento no primeiro encontro e que você adorou. Por que, convenhamos, qual é a chance de alguém me abordar na rua e perguntar se eu te conheço numa ilha no meio do oceano??? Passam os anos e nossos caminhos voltam a se cruzar, por um motivo ou por outro, a gente se encontra na fila do cinema, ou no meio da noite eu te ligo pra te perguntar... "que música é essa mesmo?". Eu não sei porque isso acontece, você é tipo uma ressaca. Nem sei como ainda sei seu número de telefone decor, acho que deve ser o único no mundo que eu sei decor, mesmo sem discá-lo há anos. Mas eu desconfio que tem amor demais na música que sempre nos uniu, e que talvez a gente tenha se gostado o suficiente pra nunca nos separarmos definitivamente. Não importa quem a gente namore pro resto dos dias, com quem a gente case ou tenha filhos. A gente já foi pra nova iorque e comprou all stars coloridos e pegou o "A train".
Apesar de tudo, eu acho nossa história linda. Fomos passaportes pra sermos pessoas melhores. Feliz aniversário.
Mostrando postagens com marcador ônibus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ônibus. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
sorrisos matutinos
Entra no elevador o menino franzino que sempre toma o ônibus comigo. Sorri em sinal de cumprimento e fica visivelmente envergonhado com o brado da mãe: "vai com deeeus, filho". Subimos juntos até o ponto sem trocar palavra. Acho que ele é tímido. Ele tem cara de estagiário de escritório de advocacia. Da próxima vez, vou perguntar o que ele faz da vida;
A mulher leva na coleira um cachorro que é duas vezes maior do que ela. Segura severamente o laço, quase enforcando o bicho, enquanto ele tenta vingativo arrastá-la para o meio fio. Ao passar por mim, esboça um sorriso no canto da boca;
O cobrador responde meu "bom dia", como de costume. Comento que estou com frio e errei na roupa. Ele então abre um largo sorriso: "Pode ter errado, mas tá linda. E cheirosa, como sempre". Enrubreço (e sorrio);
O passageiro sentado ao meu lado fala alguma coisa. Tiro o fone do ouvido. Ele repete "Esse desce a Consolação?". Aviso que não, terá de trocar nas Clínicas. Ele sorri e agradece. Reparo como ele é parecido com você. Tem o seu tamanho e as mãos iguais às tuas. Lembro do nosso sorvete no ponto de ônibus e sorrio.
Atravesso a avenida, tomo o lado esquerdo da calçada. E lá está ele, à procura. O cheiro azedo invade a minha passagem. Em busca de restos podres, alimentando-se de nossos descartes, ele abre um saco após o outro, sem pudor, sem nojo, com a naturalidade cotidiana de quem abre uma loja.
Escancara na nossa cara o mais desagradável dos mundos.
Ele não sorri. Nem eu. Sorte que já houve outros sorrisos para compensar esse momento. Ele, o mais (in)digno de todos os homens, é o único personagem que eu não gostaria de encontrar nas minhas manhãs sorridentes.
A mulher leva na coleira um cachorro que é duas vezes maior do que ela. Segura severamente o laço, quase enforcando o bicho, enquanto ele tenta vingativo arrastá-la para o meio fio. Ao passar por mim, esboça um sorriso no canto da boca;
O cobrador responde meu "bom dia", como de costume. Comento que estou com frio e errei na roupa. Ele então abre um largo sorriso: "Pode ter errado, mas tá linda. E cheirosa, como sempre". Enrubreço (e sorrio);
O passageiro sentado ao meu lado fala alguma coisa. Tiro o fone do ouvido. Ele repete "Esse desce a Consolação?". Aviso que não, terá de trocar nas Clínicas. Ele sorri e agradece. Reparo como ele é parecido com você. Tem o seu tamanho e as mãos iguais às tuas. Lembro do nosso sorvete no ponto de ônibus e sorrio.
Atravesso a avenida, tomo o lado esquerdo da calçada. E lá está ele, à procura. O cheiro azedo invade a minha passagem. Em busca de restos podres, alimentando-se de nossos descartes, ele abre um saco após o outro, sem pudor, sem nojo, com a naturalidade cotidiana de quem abre uma loja.
Escancara na nossa cara o mais desagradável dos mundos.
Ele não sorri. Nem eu. Sorte que já houve outros sorrisos para compensar esse momento. Ele, o mais (in)digno de todos os homens, é o único personagem que eu não gostaria de encontrar nas minhas manhãs sorridentes.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
tirei a chave do bumba
Gente: um barraco! No ponto de ônibus, todo mundo olhando. Aquela situação de pernas tremendo, ela descontrolada gritando: "Me fala teu nome compleeeeto agoooora!!!". Tudo porque, enquanto ela guardava o troco e apanhava o bilhete único para validar, o cobrador/motorista do Vila Monumento, um micro ônibus que faz o trajeto Ipiranga-Vila Madá, liberou a catraca. "Mas moço, eu preciso pegar outro ônibus agora...". "Problema seu", foi o que ele respondeu. COMO É QUE É??? PROBLEMA MEU??? E completou, sorrindo: "Agora já era, se vira. Você devia ter avisado antes que ia passar o cartão...". Então ela, debruçada sobre a barra que divide o motorista/cobrador dos passageiros, perguntou: "Qual seu nome?". Manuel. Manuel era o nome dele. "O seu nome completo, por favor". "Não vou falar meu nome, não. Pra quê?", retruca. "Porque eu vou fazer uma reclamação do senhor, isso é uma falta de respeito!", já alterando um pouco o tom de voz.
Ele teimava em não querer falar seu nome completo (quem não deve, não teme, diz a minha mãe) enquanto o ônibus se aproximava do ponto em que ela precisava descer. "Qual o teu nome? Me fala?". Parou no ponto. Outros passageiros entravam e tentavam validar seus bilhetes esbarrando nela, que bloqueava a passagem. Ela, aquela moça insistente com cara de brava e riquinha metida a andar de ônibus, insistia em querer saber o nome do motorista/cobrador. O negócio começou a esquentar. Furiosa, ela tentou verificar se o motorista portava um crachá de identificação no pescoço. Nada. Abriu o caixa em busca de uma identificação, era questão de honra resolver aquilo ali mesmo. O motorista, também aos gritos: "Não mexe em mim!!". Sem hesitar, ela enfiou a mão no contato e girou a chave, desligando o motor. Arrancou a chave do contato.
"VAI OU NÃO VAI ME FALAR TEU NOME??" perguntou derradeira.
(entrada da coadjuvante, tirando o ipod do ouvido).
"Moça, pelo amor de Deus, todo mundo tem que ir trabalhar. O que é que está acontecendo? Fala direito com ele...".
"Fala direito???? Fala direito, como? Se foi ele quem me faltou com o respeito? (Curiosos do ponto se adensam em volta da porta do ônibus). Isso é uma falta de civilidade! Ele liberou a catraca e quando eu disse que precisava passar o cartão, ele me disse que era problema meu, que eu que me virasse! Eu estou perguntando o nome dele para fazer uma reclamação e ele não quer me falar!!", gritou.
"Vai até o ponto final e conversa com o fiscal lá", sugeriu outra coadjuvante.
(a primeira coadjuvante faz cara de compreensiva).
Com a chave, rapidamente recuperada das mãos trêmulas da garota, o motorista se apressou em ligar o motor. Antes do veículo entrar em movimento, mais um desabafo: "Deixa eu descer dessa merdaaaaaaa!", foi o último grito que se ouviu naquela manhã, em frente ao açougue.
Logo o outro ônibus chegou.
Ela pagou novamente pela viagem e foi trabalhar.
Galera, eu tirei a chave do bumba!
Ele teimava em não querer falar seu nome completo (quem não deve, não teme, diz a minha mãe) enquanto o ônibus se aproximava do ponto em que ela precisava descer. "Qual o teu nome? Me fala?". Parou no ponto. Outros passageiros entravam e tentavam validar seus bilhetes esbarrando nela, que bloqueava a passagem. Ela, aquela moça insistente com cara de brava e riquinha metida a andar de ônibus, insistia em querer saber o nome do motorista/cobrador. O negócio começou a esquentar. Furiosa, ela tentou verificar se o motorista portava um crachá de identificação no pescoço. Nada. Abriu o caixa em busca de uma identificação, era questão de honra resolver aquilo ali mesmo. O motorista, também aos gritos: "Não mexe em mim!!". Sem hesitar, ela enfiou a mão no contato e girou a chave, desligando o motor. Arrancou a chave do contato.
"VAI OU NÃO VAI ME FALAR TEU NOME??" perguntou derradeira.
(entrada da coadjuvante, tirando o ipod do ouvido).
"Moça, pelo amor de Deus, todo mundo tem que ir trabalhar. O que é que está acontecendo? Fala direito com ele...".
"Fala direito???? Fala direito, como? Se foi ele quem me faltou com o respeito? (Curiosos do ponto se adensam em volta da porta do ônibus). Isso é uma falta de civilidade! Ele liberou a catraca e quando eu disse que precisava passar o cartão, ele me disse que era problema meu, que eu que me virasse! Eu estou perguntando o nome dele para fazer uma reclamação e ele não quer me falar!!", gritou.
"Vai até o ponto final e conversa com o fiscal lá", sugeriu outra coadjuvante.
(a primeira coadjuvante faz cara de compreensiva).
Com a chave, rapidamente recuperada das mãos trêmulas da garota, o motorista se apressou em ligar o motor. Antes do veículo entrar em movimento, mais um desabafo: "Deixa eu descer dessa merdaaaaaaa!", foi o último grito que se ouviu naquela manhã, em frente ao açougue.
Logo o outro ônibus chegou.
Ela pagou novamente pela viagem e foi trabalhar.
Galera, eu tirei a chave do bumba!
Assinar:
Postagens (Atom)