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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ilhada

Tô. Tô sim. Melancólica até debaixo d'água. Fui mergulhar cinza, esperando voltar azul, mas lá embaixo a melancolia só tem outro peso, outra densidade, outra cor. Ela continua penetrando, viscosa e opaca. O mar estava inquieto, exigiu concentração. Só depois, navegando de volta ao porto, barco feroz rasgando ondas escuras, me deu tempo de pensar em como a felicidade desaba sobre mim com a mesma intensidade que a tristeza. Altíssimos e baixíssimos, diria sabiamente a Gabi. Tô melancólica porque há 4 dias estou absolutamente desconectada do mundo, sem internet, sem telefone, sem a liberdade de poder me comunicar. Pela primeira vez, me sinto literal: estou ilhada. Tô melancólica porque a saudade dos meus amigos está cortante, falta-nos coragem para transpor a distância. Porque sinto falta repentina de cheiros conhecidos, de deitar no meu futon com a Vitória, fechar a porta de casa e deixar o mundo lá fora.

Hoje eu só queria soltar a cabeça no colo da minha mãe e usufruir do melhor cafuné do mundo.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

o mendigo e o cachorro

Neste fim de tarde inusitado, andando na garoa como há muito tempo não fazia, curtindo o visual da minha avenida preferida, dei de cara com uma cena muito corriqueira. Sentados na calçada, um mendigo - pés muito pretos e barba longa - e seu clássico vira-lata mais fofo do mundo. Com um amor imensurável, o mendigo beijava o cão, fazia carinhos, afagava o bichinho até cansar, e repetia uma dose de beijos verdadeiros. Era tanto amor que transbordava daquele homem sujo, com frio, talvez com fome...! que eu pensei: talvez eu esteja sendo exigente demais com o amor.

Por via das dúvidas, cheguei em casa e agarrei a Vitória.
Só pra não perder o hábito.

terça-feira, 15 de junho de 2010

estranha beleza

2010 está estranho. Estou meio amarga e ranzinza: meu olhar, que estava acostumado a ver o copo meio cheio, agora voltou a flechar pessimista e descrente. Ando muito realista e pouco sonhadora. São Paulo me parece insuportavelmente atraente: quero fugir, mas desejo ficar. A música, essa me escapa pelos dedos, e não consigo ver tanta poesia como antes.
Apesar de tudo, há uma estranha beleza no ar gelado. Desafios, escolhas, encontros. Coisas bonitas mesmo. Amanhã meu pai está voltando, depois de sete anos fora do Brasil. Ele está feliz como uma criança e pediu até pra eu ir buscá-lo no aeroporto - coisa pra qual ele não liga a mínima. Apesar do intenso frio e da baita gripe que me pegou, os dias têm sido de um azul muito azul - e eu adoro dias muito azuis. Daqui a 29 dias eu saio de férias e as possibilidades são infinitas (e todas bonitas). E na sala ao lado mora uma pessoa realmente querida, que estou aos poucos conhecendo e descobrindo, surpresa das melhores desse outono. A Vitória se esgueira por entre as minhas pernas enquanto escrevo. Mia. Ela quer conversa, lindeza.
E agora pouco, fui até a cozinha buscar um chá e dei de cara com a máquina de lavar transbordando sabão por todo lado, borbulhas brancas descontroladas. Isso podia ser muito chato, mas eu dei risada, e atentei pro doce perfume de roupa lavada que ficou na minha casa. Estranho, mas belo.

domingo, 15 de novembro de 2009

so precious


Gente, essa é a Vitoria. Eu já mencionei ela em vários posts e as pessoas ficavam me perguntando quem era... pronto, agora estão apresentados. Ela é minha housemate, companheira desta passagem tão ligeira. Ela só finge ser gata pra ganhar mais carinhos, mas na verdade ela é gente. Tenho certeza que na próxima encarnação voltaremos como irmãs!
E pra quem não gosta de gatos, já aviso que nem adianta resistir, porque ela conquistou até a pauli, que tem pavor de felinos.
Não há que não se apaixone...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

voltei

Noite dessas, cheguei em casa desesperada. Chorando muito, rolava no chão da minha pequena sala, me contorcendo como um animal moribundo, com vontade de arrancar os cabelos, vomitar. Não era raiva, era pura dor. Apesar de me compreender - ela sempre me compreende - a Vitória me olhava com estranhamento, me acompanhando em meus rastejos.
No afã de extirpar a visceralidade da vida que levei até agora - da qual não me arrependo, nem de um segundo (é importante que fique bem claro), rasguei roupas, fotos, livros. Queria apagar todos os vestígios. Destruí também arquivos virtuais, entre eles este blog.
Agora voltei, arrependida. Nunca destruam seus escritos. Eles são seus e de mais ninguém. É como o amor. Um amigo me disse antes desse incidente: "Esse amor todo é seu, querida, te pertence. Esse amor não está no outro, está em você".
Tudo está em mim.
Nunca devia ter ido, mas o importante é que voltei.
Inteira.