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quinta-feira, 12 de março de 2020

auto-alta

Hoje me dei alta da terapia. Eu mesma.
Nunca tinha feito isso e me senti muito corajosa.

To num desassossego. A gata inquieta anda, mia, come, se estica, pula pela janela, se roça na minha canela. Espelha meu estado de espirito. Não consigo dormir. Comecei a ler sobre o tal do vírus. Humanidade doente (literalmente, agora). Penso como conseguimos chegar nisso: odiar a vida a ponto de querer aniquilar a sua própria. Bicho homem. Tão apartado de tudo, como desaprendeu tão rápido?

Aquela chuva toda de semanas atrás lavou muita coisa aqui dentro.
Árvores caíram.
Desprenderam suas raízes para dar espaço a novas sementes.

Aquele curso - na sequencia da chuva toda - encontrou uma placenta.
Absolutamente fértil.
Attraversiamo?


terça-feira, 25 de setembro de 2018

inferno astral

À beira dos 37 muito bem vividos, me emociono ao perceber como ainda me deixo ser tocada pela vida. Sigo mais suscetível do que nunca e choro as dores do outro, que são as minhas próprias. Não quero nem vou mudar isso. Manter-me permeável num mundo blindado é resistência. Manter-me sensível e disposta neste contexto acirrado é amor. Manter-me atenta ao entorno é conexão. Resistência, amor e conexão: o que mais desejar para um novo ciclo?

Neste fim de semana de emoções atropeladas, pensei um pouquinho em você - fazia tempo que você não aparecia por aqui. Pensei que talvez sejamos mais parecidos do que eu gostaria. Pensei que talvez você vote no coiso e isso imediatamente me fez espanar as poucas memórias agradáveis que ainda guardo da gente. Mas fui além e me perguntei: quanto do "coiso" existe dentro de cada um de nós que não queremos ver? Quanto de louco, radical, preconceituoso, feio, bizarro, escroto, mau, incoerente, nojento existe em você? E foi então que percebi também o quanto de você há em mim. Você que só critica e julga. Talvez por isso doa tanto te ver assim de frente.

Tudo que é perturbador é também revelador.

Talvez o segredo seja olhar no espelho e aceitar o que vier. Até o auto-engano.


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

carta pro filho 3

Ontem desenhamos desejos para este novo ano. Eu fiz uma casa na praia com gramado, coqueiro e rede de balançar. Você me ajudou a colorir e depois desenhou um sol. Mas o que ontem era uma garatuja, do dia pra noite se transformou num sol com raios. A surpresa de ver brotar daquele papel formas mais conhecidas por mim, me fez brilhar os olhos, como um passo antes da escrita.

Nestes dias de férias, em que a intensidade da convivência não é pouca bobagem, testemunhar suas conquistas tem me feito chorar. A cada pedalada na sua bici nova, você abre um sorriso de satisfação que nunca vi em nenhum outro rosto. É um milagre. E quando você cai, meu coração vem até a garganta, mas você se levanta, limpa a mão na camiseta e sorri. Você é tão corajoso, curioso e valente, filho. Admiro muito isso em você. Observo sua sede de autonomia, seu ânimo de viver, sua doçura bruta, sua desobediência civil: você é a criança que eu gostaria de ter sido. Você brilha.

Quero me contaminar pelo seu riso frouxo. E ouvir atentamente seus ensinamentos com o coração aberto: "Cada um tem seu jeito de fazer as coisas, mamãe" ou "Você precisa aceitar o nonno como ele é", ou ainda "Mangia che ti fa bene!". 
  
Nesta insana proximidade, agradeço a oportunidade de nos reconectarmos - como fizemos nas férias de julho. Agradeço por perceber como sou boba quando perco a paciência por besteiras, como repito contigo os mesmos erros que cometeram comigo. Preciso calibrar minhas emoções pra dar conta de tantos aprendizados. Gratidão por ter me escolhido para te maternar, meu pequeno-grande Mestre. 


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

perdas e ganhos

Um tufão passou por aqui bagunçou um pouco a vida, mas deixou bons legados.

Ganhos
- Voltei a usar Phebo (como algum dia eu pude deixar de usar?!).
- Retomei a escrita afetiva.
- Comecei a sonhar de novo.
- Descobri que óleo de coco é bom pra tudo (mesmo).
- Me lembrei que qualquer coisa é possível.
- Percebi que há dores imensuráveis - e que as minhas são minúsculas.
- Me dei conta (sem me dar conta) que amor não é sexo e sexo não é amor.
- Reafirmei que os opostos não se atraem. Se distraem.
- Quebrei (mais) paradigmas.
- Superei alguns (poucos) preconceitos.
- Percebi que nem todo fim precisa ser dramático. 
- Descobri que quanto menos a gente procura, mais a gente acha.

Perdas
- Você.







quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

de repente, 2015!

Faz uns meses que to tomando fôlego pra escrever e de repente amanhã já é ano novo! A vida deu uma guinada de 360 graus em looping, a rotina me engole, o cansaço de consome, a necessidade de sobrevivência se impõe. Sigo adiante, sem escrever, sem expressar, pra não desmontar. Mas esse seu sorriso maroto sempre presente me dá confiança no ser humano. Estou com saudades de quem eu era, sinto uma falta IMENSA da minha independência, mas olhar para você dormindo ou mamando ou gargalhando me faz lembrar que esta missão é muito maior. E quer saber? Acho que com todos os percalços, tô me saindo muito bem! E não sei como seria sem a presença dos seus avós maravilhosos, que nos lambem como crias pequeninas que nunca deixaremos de ser. E sem os amigos incríveis que cultivei ao longo da vida, que estão conosco pro que der e vier! E sem seu pai, sem o qual você simplesmente não existiria...

2014 foi um ano duro. Que em 2015 a gente consiga mais leveza (venimim, levezaaaa!!!). Que eu seja mais corajosa pra me jogar com você no mundo. Que a gratidão, a positividade e a confiança permeiem todas as nossas relações. Que a nossa saúde siga perfeita. Que a vida siga nos presenteando com encontros mágicos, abundância, amor e felicidade. Porque a gente merece. Feliz novo ano.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

relato de parto

Outro dia, minha mãe me perguntou quando eu havia optado pelo parto natural, quando essa escolha se tornou uma possibilidade para mim. Eu pensei por alguns instantes e a única coisa que eu consegui responder foi: “Não foi uma opção, sempre foi uma certeza!”.

Agora, enquanto ouço o set list de músicas que preparei para tocar durante o meu parto, me emociono ao lembrar de flashs daquele que, sem dúvida, foi o maior momento da minha vida até hoje. Já não consigo imaginar como seria viver sem ter passado pela experiência de trazer Antonio ao mundo como eu sonhei e como ele desejou.

E foi assim: na segunda-feira, 11 de novembro, me olhei no espelho antes de dormir e vi meu lábio superior muito inchado, parecia que eu tinha depilado o buço. Como este é um dos indícios da preparação do seu corpo para o parto, pensei: é amanhã! Acordei sentindo algumas contrações e liguei para minha doula, Thiana. Ela é de Jundiaí, mas estava em São Paulo, pois havia acompanhado um parto no dia anterior na cidade. Perguntei se ela poderia passar em casa para nos vermos, pois não tinha certeza se aquilo já era o início do meu trabalho ou se era um falso alarme. Só que ela, junto com minha parteira Camila, estavam a caminho de Jundiaí onde outra gestante já estava em trabalho de parto. Ops, pensei... e agora? E se não der tempo delas chegarem aqui? Ela se certificou de que minhas contrações ainda não estavam ritmadas, me tranquilizou, e disse que à noite ela e Camila estariam comigo. “Respira que vai dar tudo certo!”. E foi isso que eu fiz, comecei a respirar.

Decidi ir até o Parque do Ibirapuera com minha mãe. Levamos uma canga e ficamos deitadas à sombra de uma grande árvore conversando, rezando e aproveitando os raios de sol da manhã. As contrações ainda estavam bem espaçadas e fraquinhas, mas eu sabia que estava perto. Voltando para casa, preparamos o almoço e fui descansar um pouco. Durante todo o tempo, Thiana e Camila ficaram em contato comigo, trocando mensagens e monitorando meu estado. Eu estava de fato tranquila. À tarde, perto das 16h00, Thiana me ligou avisando que Valentina, filha da outra gestante, já havia nascido.

Confesso que fiquei aliviada. Eu ainda não estava em trabalho de parto de fato, mas as contrações já estavam um pouco mais doloridas. Minha mãe estava o tempo todo comigo. Pedi doce de leite, ela começou a fazer um panelão. Ainda havia algumas coisinhas pra pendurar no quarto de Antonio, então pedi a meu pai que pegasse o martelo, porque “de hoje não passa”. Foi nesse momento, por volta das 19h30, enquanto ele martelava a parede do nosso quarto, que senti uma pontada mais forte. E depois de oito minutos, outra. E depois de cinco, mais outra. A evolução foi bem rápida, ou não sei se fui eu que não percebi que as contrações estavam ficando mais frequentes, mas minha sensação foi que aconteceu de repente. Liguei para as meninas, elas estavam saindo de Jundiaí. Pedi pra acelerarem um pouco na estrada, pois o negócio estava apertando.

Decidi entrar na banheira para dar uma relaxada. Apaguei as luzes e acendi umas velinhas que já havíamos preparado. Minha mãe ao meu lado, começamos a rezar juntas. Eu respirava concentrada e quando a contração vinha, me ajoelhava na banheira e vocalizava um grande aaaaahhhhh, ou ooohhhhhh, soltando o ar junto. Foi instintivo. Até aí ainda estava tranquilo, pois as contrações estavam bem breves.

Depois de um tempo, decidi sair da banheira e comecei a preparar o ambiente no quarto dos meus pais, onde havia escolhido realizar o parto. Peguei meu tapetinho da yoga, estendi no chão, e coloquei por cima várias toalhas que já estavam separadas. Tentei encontrar a posição mais confortável para mim, sempre respirando e me concentrando muito. De quatro era o modo como me sentia melhor. Acho que já era perto das 21h00 quando eu realmente comecei a ficar um pouco aflita por estar sem o amparo das meninas, mas eu sabia que dentro de poucos minutos elas chegariam. De fato, dali a 20 ou 30 minutos Thiana e Camila chegaram. Eu já estava meio em alfa, as contrações já estavam bem dolorosas e nem sei mais de quanto em quanto tempo estavam vindo, mas sei que era pouco.

Logo Camila fez o toque e constatou que eu estava com 5 para 6 cm de dilatação. Já?, perguntei. Nossa, que rápido... uau, em apenas duas horas eu já tinha andado mais da metade do caminho. E sozinha! Fiquei confiante e feliz com a notícia. E assim prosseguimos. Elas me apresentaram outras posições que poderiam ajudar e juntas fomos construindo as próximas horas. O ambiente estava aconchegante na penumbra e havia muitas velas espalhadas por todo o quarto. Meus pais não saiam de perto de mim.

Inicialmente eu havia pedido para meu pai não participar do parto, pois ele se afligiria e me deixaria mais nervosa. Mas, para minha surpresa, foi ele quem ficou ao meu lado até o final, quase ininterruptamente, aplicando um passe de energia em silêncio. No final, foi minha mãe quem deu uma sumida - depois fiquei sabendo que ela ficou bastante nervosa em me ver com dor e não aguentou ficar próxima.

Não demorou muito, chegou também a Dani, assistente da parteira Camila, cuja presença foi essencial. Seu toque forte e carinhoso me massageou muito em vários momentos, e sua voz maravilhosa ajudou a embalar o parto com músicas lindas que cantamos juntas, além de tocar também alguns instrumentos para chamar Antonio para este mundo.

Acho que perto da meia noite, a bolsa rompeu e pude sentir aquela água viscosa e quentinha, que por nove meses havia guardado meu filho, escorrer por entre as minhas pernas. A esta altura, eu já estava com muita dor. Thiana me instruía a não resistir, a me entregar à dor, dizendo que ela não era mais forte do que eu, e que ia passar. Enquanto isso, eu falava palavras doces para meu filho, convidando-o a chegar e realizar a passagem. Lembro de ter falado pra ele que iria leva-lo para conhecer os golfinhos em Fernando de Noronha e que todos estavam muito felizes esperando por ele aqui fora. Durante todo o processo, o bebê era auscultado com frequência e eu podia ouvir seu coraçãozinho batendo a milhão, o que me tranquilizava bastante.

Já perto do início do expulsivo, voltei pra banheira quentinha. Isso ajudou muito a atenuar a dor das contrações. Neste momento, acho que por volta da 1h30 da manhã, eu já estava com 9 cm de dilatação, mas Antonio estava gostando de ficar lá dentro e não descia. Então, Camila pediu que eu saísse da banheira para ficarmos um pouco em pé rebolando, que auxiliaria na expulsão. Relutei porque estava muito melhor ficar na água, mas sabia que era necessário. Voltei então pro quarto e aí o bicho pegou.

Começou a doer muito, de forma quase insuportável. Mas o corpo é muito sábio e, depois de uma contração dolorosíssima, vinha outra mais leve para poder recobrar energias. E a tal da vontade de fazer força chegou. Camila me orientou a ficar de cócoras e disse que estava muito perto, Dani me sustentava por trás. Era muita dor, muita! De repente, o urro da leoa trouxe Antonio de uma vez, chegou chegando!
Não consegui chorar. Ele veio direto pro meu colo, fiquei olhando atônita, maravilhada. Exausta. Ele também não chorou. Era rosadinho e grandão. Meus pais se chegaram e eu senti o amor da família com toda sua potencia. Eu e Antonio só existíamos porque meus pais existiam.

Ficamos alguns instantes nos namorando, eu e meu pequeno. Logo depois, fui para a cama e na sequência a placenta dequitou inteirinha. O cordão foi cortado pela minha mãe assim que parou de pulsar, uns 15 minutos depois. Antonio nasceu com 3.700kg e 53 cm. Não tive laceração e minha recuperação foi espetacular, muito rápida. Mas o que mais me inspirou, o que me faz dizer hoje que passaria por tudo isso de novo, foi o respeito e o amor com que fui tratada. Estar na minha casa, junto
dos meus queridos, amparada por uma equipe amorosa e atenciosa, tendo liberdade para me mover, comer, gritar sem ser julgada, tudo isso não tem preço.

Meu parto domiciliar foi um ato de puro amor. Acredito que tenha sido a primeira vez na vida que me dispus a vivenciar todas as sensações de coração aberto, sem reclamar, sem julgar. E foi um exercício lindo de doação. Sou outra mulher, agora mãe.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

dos finais

[porque os meus têm que ser sempre apoteóticos, senão não são finais dignos]

Suely Carvalho me falou de finais não-tradicionais, não precisa ser aquela quebra, corte seco para a próxima cena. Ela falou de possibilidades transitórias, menos impactantes, daquelas que dão tempo de digerir, interiorizar, reafinar o instrumento. Isso me tocou. Gostaria de provar desta calma, mas percebo que todos os meus finais são abruptos, apesar dos meus esforços em fazer diferente. Será possível torná-los suaves e dar-se conta, com serenidade, que é preciso deixar ir (let go)?

Mas nem tudo está perdido, já que na minha crença todo final é um recomeço!

Tô com a alma suspensa: muitos finais ao mesmo tempo para recomeços definitivos. Porque ter um filho é muito definitivo: é materialização pura, é concretizar sua passagem por este planeta.

Eis o que se passa:
final 1: adeus individualidade, agora sou dois;
recomeço 1: sou mãe do Antonio, nunca mais estarei sozinha (pelo menos por um bom tempo).
 
final 2: ideal de família Doriana despedaçado - este final é formado por vários finaizinhos melodramáticos e deve estar perto de seu Gran Finale;
recomeço 2: apenas recomeçar (aaaaai, que preguiçaaaaaa!).

final 3: deixar meu 'lar salgado lar' - este me causa dor e alívio ao mesmo tempo;

recomeço 3: não faço a menor ideia.

É, muitos desafios pela frente, alguém já tinha me avisado. Um pouco ansiosa, confesso, mas confiante. Não sei exatamente em que direção seguir, mas não tenho escolha, senão seguir caminhando. E caminhar com confiança é bem melhor!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

balanço

Em 2012, ganhei um balanço embaixo de um Mulungu. Tomei divinos banhos de mar, ganhei um amor com cachinhos de anjo embrulhado pra presente. Me dei umas quantas viagens: India, Inglaterra, Itália... Ninguém que eu amo teve doença grave nem sofrimentos profundos, ninguém que eu amo morreu (nem de morte morrida, nem de morte figurada) - e também não consegui "matar" quem eu não gosto muito... mas tudo bem, 2013 tá aí pra perdoar!!

Fui eu quem deu muito trabalho em 2012. Achei que não ia sobreviver a este ano. Houve dias tão amargos, tão azedos, tão cinzas que eu quase acreditei que era o fim do mundo chegando. Mas o santo é forte, a ajuda vem de todos os lados, e quando você menos espera, acorda com o céu azul. 
Agora, não sei o que me espera. Contrariando todas as tradições, não fiz listinha de desejos, não usei calcinha nova, não pulei sete ondinhas, não fiquei muito doida nem amanheci o dia na praia empanada de areia. 
Só pedi um ano mais tranquilo. 
Não sei o que me espera, mas tenho certeza de que será melhor do que o foi.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

o quase fim do mundo

Essa coisa do fim dos tempos coincidir com o fim do ano, época em que todos estão naturalmente mais emotivos, só pode ser conspiração dos Maias. Esses cabras sabem das coisas...
Apesar de ridícula, eu achei boa essa paranoia toda, porque gera uma reflexão sobre os tempos em que vivemos. Será que queremos seguir assim? Será que não há outra forma de se relacionar, de consumir? Será  que não estamos no limite de forças, de recursos, de estratégias, de burocracias?
Para mim, é fato que o fim do mundo já começou, e faz tempo! Estamos aniquilando nossa própria espécie. Criamos um sistema insano de necessidades, uma rede intrincada de siglas, taxas, sem a qual não é possível viver. Colocamos o dinheiro como senhor de nossas vidas. Nos desconectamos da natureza, da sabedoria que ela nos dá de graça, diariamente, sem pedir nada em troca. Nos ensimesmamos, acreditando que manifestar emoções, loucuras e instintos seja algo unicamente dos "bichos". E nós, somos o quê?

O mundo precisou quase acabar pra nos tocarmos. Aproveite então, e se toque. Toque no seu coração, no seu corpo, na sua alma. Faz tempo também que existem milhões de pessoas fazendo diferente, construindo novos valores, praticando economia solidária, atuando em rede, crowdfunding, pensando no desenvolvimento de forma coletiva e realizando-o de forma colaborativa.

O que faz sentido pra você?

Hoje é um dia de reflexão, de meditação, de celebração. De se religar com algo sagrado.

Então se liga aí: se quiser continuar desfrutando desse presente maravilhoso que é a vida, reinvente-se. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

3 em 1

Se eu tivesse que descrever um dia típico daqui, não saberia. Aqui não tem nada de típico, tudo é único. Às vezes, me pego pensando que estou no meio do oceano! Esse fato por si só já é bem excêntrico. Mas minha maior piração é sobre a noção de tempo. Logo que cheguei (e lá se vai um ano...) entendi rapidinho como funcionava: um dia equivale a três, mas passa numa velocidade três vezes maior. Não só pra nós, residentes, mas para os viajantes também... quantas vezes ouvi dizer "noooossa, estou aqui há 5 dias e parece que faz quinze!". Além das milhões de coisas que você consegue fazer em 24 horas, sinto que isso se deve sobretudo à intensidade dos acontecimentos. Os dias começam cedo e terminam tarde, os encontros são muitos e, a qualquer hora, podem mudar seu rumo. Totalmente, acredite. O mito de ser "um ilhéu" tem um impacto psicológico muito grande nas pessoas e acho que isso faz com que todos os dias façamos algo inédito ou absolutamente imprevisível acontecer. Ok, você vai dizer, a vida é assim... imprevisível. Mas na Terra do Nunca estamos sujeitos a uma imprevisibilidade tipo "só acontece em filme". Talvez, para explicar, seja realmente necessário um filme, tipo corra lola corra em slow motion ambientado em uma ilha oceânica.
Já morei em outros lugares e sei que cada um é especial à sua maneira.
Mas esse lugar é especial d-e-m-a-i-s. É único: talvez essa seja sua tipicidade.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

os 30

Não achei que fazer trinta anos seria tão marcante. Foi lindo, emocionante, representativo. Até pareço uma nova eu - claro que simbolicamente. Estou fã de mim mesma, da minha fidelidade, da minha ousadia, da minha feminilidade. Ando cheia de sonhos e planos realizáveis, por mais loucos que pareçam, e sinto que tudo inspira. Se penso em ficar aqui pra vida, já não acho tão absurdo, mas sei bem que não tenho fronteiras.

De qualquer forma, aqui ou em qualquer outro lugar, o que querer mais da vida, senão vivê-la apenas com saúde, calma e luz?

Tenho muitas coisas pra dizer, cada vez mais. Não há 'coisas que não precisam ser ditas'. Por isso tenho dito - aprendendo a dizê-las. Se não as digo, escrevo. Porque guardadas é que as coisas não podem ficar. Olho pro lado, vejo as pessoas se carregando como chaveirinhos, trofeuzinhos baratos. Intimidade comprada no supermercado. Vejo casais desequilibrados, se amparando em loucuras e excentricidades para seguir juntos. Queria poder gritar para eles: "hey, isso não é amor. Sejam felizes, façam muito sexo e se droguem, mas não banalizem a palavra amor!".

Então olho pra trás e me lembro que já vivi algumas coisas, e que aprendi com elas. Isso é impagável. Já vivi algumas coisas para saber sobretudo o que não quero mais viver. Por vezes choro calada, pagando pelas minhas escolhas. Mas me sinto mais integra assim do que abrindo mão de coisas a mim tão caras, só para não estar só. Olhe agora você: que puta mulher está ao seu lado, seu bobão.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

vento bom

Parece que já se passaram alguns meses desde a minha volta. O retorno de saturno dando as caras de novo, com tudo. Pequenos terremotos internos, um novo módulo, um novo amor, uma nova companhia de quarto, um novo armário... O mar está mais frio, o sol mais fraco, o céu enevoado. E o vento sopra forte, dia e noite, parece querer abalar minhas verdades. Então, quando acho que não tenho mais onde me escorar, ele muda de direção, levantando poeira, deixando uma bagunça danada do lado de dentro, como quem diz: “tudo não passa de uma rajada, não há o que temer”.

Apesar do nó na garganta, sigo firme, inspirando fundo a noite clara. Abro os braços ao caminhar, para receber suas rajadas de peito aberto. Por mais que doa, sei que a qualquer momento pode mudar de direção e soprar a meu favor. E não vai demorar.

"Viração, virando vai
Olha o vento, a embarcação
Minha jangada não é navio não
Não é vapor nem avião
Mas carrega muito amor dentro do seu coração".
[Corrida de Jangada]

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ano novo

É muito bom fazer aniversário!! Queria que fosse todo mês. Receber abraços longos, afagos, amigos, palavras bonitas e desejos de tudo que é mais lindo e positivo no mundo. Ter vontades e mimos realizados num piscar de olhos. Ganhar bolo, sorrisos, presentes, sonhos de padaria e beijos.
Definitivamente: aniversário devia ser mensal!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

doismilideiz

Adoro fazer listinhas das coisas que quero ou preciso fazer, terminar, começar. Costumo, há alguns anos, fazer uma lista precisa e detalhada para o novo ano, e a coloco bem visível onde possa lê-la com frequência para impregnar minha mente e meu ambiente com meus desejos, reforçando a cada dia minha gana em realizá-los.
Qual não foi minha grata surpresa ao perceber que não há nenhum novo grande pedido latente para este ano: parei para refletir como minha vida está boa e serena e que eu só quero deixar as coisas fluírem, o vento soprar. Desejo coisas pequenas, cotidianas. Mais música, sempre e fundamental. Mais poesia, mais alegria, mais encontros fortuitos no ônibus, no supermercado, na praia. Quero cozinhar mais. E tomar cafés da manhã compridos com frutas frescas e iogurte, café com leite, queijo branco. Pretendo estreitar algumas amizades que valem à pena e não tiveram a devida atenção no ano que passou. Vou convidá-las para ir ao teatro comigo, dançar samba, passear no parque e comer kebab. Quero também mais sedução, sexo de mais qualidade, abraços longos como os da Ju e olhares que se detenham sem medo. Desejo que meus ouvidos estejam mais atentos e que meus conselhos possam de fato auxiliar. E que meu coração esteja aberto para as diferenças e para aceitar amorosamente o que eu não tenho o poder de mudar. Entre esses pequenos grandes pedidos, está também você, dobrando a esquina, com o jornal embaixo do braço, trazendo pãozinho quente pro nosso café da manhã.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

verão

Eu adoro o horário de verão, sair do trabalho ainda à luz do dia e ver o pôr do sol por alguma fresta de concreto. Queria que fosse sempre verão. E que o sol brilhasse sempre, com um céu azul de doer de tão lindo. Pode chover à noite, eu não me importo. E no dia de finados, afinal já é tradição. Porque é bom sentir as pessoas mais sorridentes, sensuais, felizes e querendo tomar cerveja.
Bom Natal, que a paz e o amor esteja conosco.
E que em 2010 seja sempre verão.
Até.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

um ano

Como diz a Rita, o mês de dezembro parece que dura dois meses... é uma correria insana. E nessa correria eu só me dei conta hoje de que, há quinze dias, esse blog fez um ano. Parabéns!! E viva por ter resistido quase que diariamente a um exercício de reflexão, burilação da palavra, exposição da alma. Um grande companheiro este blog foi para mim em 2009!
Ontem encontrei o André no Filial, fazia anos que não o via, que cara inteligente, interessado, muito gracinha. Meio sem querer entramos numa de contar o que havíamos feito durante o ano, começando pelo reveillon passado. Eu estava na Amazônia, êta viagenzinha bizarra, mas divertida! Na volta, fui promovida e mudei de área. Trabalhei vorazmente este ano, e também voltei a estudar. Conheci uma grande variedade de rapazes, a maior parte não valeu a pena, mas como diz o Pessoa, "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Sendo assim, todos valeram a pena. Encontrei muita, muita gente bacana no meu caminho, isso foi incrível! E comecei a fazer percussão, que amo de paixão. Não fiquei doente este ano, nem uma vezinha sequer (resfriado e cólica não contam...). Fiquei muito tempo com a minha mãe, tornando cada momento divino e supervalorizado ao me lembrar da falta que ela fazia quando não estava por aqui. Me engajei no Movimento Novo Olhar, viajei pra lugares maravilhosos, estive muito tempo comigo e com as borboletas. Aprendi muito com ambos. Senti muita vontade de cantar........ e cantei! Ahhhhh, esse ano foi do caralho!!!! Que venha 2010!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

hoje preferi ficar com os cheiros de todos os abraços que ganhei.

domingo, 4 de outubro de 2009

inferno astral

Ando bastante perturbada. Já sentei pra escrever dezenas de vezes nos últimos dias e não consigo. Estou sem poder de síntese e desanimada. Tenho a sensação de inconclusão, de repetição, de insatisfação. Andei um pouco doentinha também. Devem ser os astros rodando confusos em torno de libra. Daqui a seis dias faço 28 anos e esse dia costuma ser muito importante para mim. "O dia mais importante do mundo no ano". Mas, às vesperas desse dia, sinto-me sozinha e bastante desorientada. Estou perdendo certezas, saudosista vazia, vacilante. Estou em processo de constante transformação, não aguento mais ser essa metamorfose ambulante. Não quero mais cobranças, auto-cobranças principalmente.

Queria ter uma chavinha pra desligar essa cabeça que não para e simplesmente experimentar a maravilha que é viver, como alguém que bóia numa piscina morna.

Só isso.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

feliz aniversário

Andando por essa cidade dura e cinzenta, as árvores floridas de abril me chamam atenção. Me emocionam. Um pingo de tinta no cinza encarpeta o chão com flores marcadas por passos apressados. Chão rosa: uma árvore linda e enorme se ergue na fresta do concreto entre a Consolação e o Minhocão. Há dias a observo, de dia e de noite, de noite e de dia. Hoje, passando a pé ao seu lado, lembrei daquela mesma espécie, "Pata de Vaca", rua fradique coutinho, no teu quintal. A casinha de campo é eterna, com sua grande árvore, exuberantemente florida de presente prá você no dia do teu aniversário.
É incrível como há coisas que vão estar pra sempre na nossa memória.
Feliz aniversário, flor.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

até 2009

Estou embarcando pra Manaus.
Levo o bom e velho caderno para blogar com a minha caneta, alguns livros, meu ipod e um repelente de insetos que não vai funcionar muito, dizem...
Na volta, conto as peripécias.
Feliz Ano Novo!!!!!!!!!!