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quarta-feira, 18 de março de 2020

quando tudo passar

Meu sonho é que a gente acorde deste pesadelo despertos. Que um número muito grande de pessoas  dê uma grande guinada e seja incapaz de permanecer levando uma vida vazia.

Que percebam o quão possível e natural é ficar na pausa com os seus fazendo "nada", gastando "nada", comprando "nada", mas sentindo tudo. Compartilhando e refletindo sobre o valor real das coisas, sobre a essência de estarmos aqui, sobre o divino que é SER HUMANO. 

Sonho que as pessoas vivam plenamente esse ócio criativo, tocar, cozinhar, tricotar, ler, debulhar feijão, passar um café, fazer pão, prosear, contar histórias de família... e que depois de tudo se perguntem: "o que pode ser melhor que isso? por que preciso abrir mão de tudo isso para viver?"

Sonho que a gente consiga olhar para tudo que temos, olhar e agradecer, mas perceber que não precisamos de um décimo de tudo aquilo. Que, ao acordarmos, possamos reavaliar nossas necessidades materiais reais, acumular menos, doar mais.

Se doar mais. 

Sonho que despertemos deste torpor e que coloquemos nossos corações em marcha. 

[Hilma Af Klint]



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

envergo, mas não quebro

Eu achei que este dia não ia chegar. Sinto meu coração transbordando de gratidão e uma tranquilidade como há tanto tempo não sentia - ainda desperto por vezes em sobressalto achando ser um sonho. Mas não é sonho. Assim como o passado também não foi pesadelo. Pés descalços no caminho pedregoso sob o sol escaldante, lágrimas secas, coração vazio: nada foi em vão. Sou agora o resultado deste percurso. Olhei bem fundo na cara do medo. Às vezes me desesperei. Pedi muita ajuda e tive muita ajuda. Meus amigos: meus tesouros. Meus anjos, meus gurus. Meus antepassados. Ganhei um amor de presente pra amansar os dias mais difíceis. Honro esses dias, os melhores e os piores. Não me orgulho do sofrimento, apenas agradeço os aprendizados. Hoje valorizo outras coisas, meus desejos se transformaram, sou muito maior. Hoje escolho me libertar de julgamentos que me cegam, de crenças que me limitam, de condicionamentos que me aprisionam. Prefiro olhar pra dentro e me relacionar sem máscaras. Eu, mais eu do que nunca. Coração.
Pode vir. Tô pronta.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

A primeira faz bum, a segunda faz tá

Hoje é dia de palavra que arrase. Que arrase o quarteirão, o coração, a Conceição. "Minha palavra vale um tiro e eu tenho muita munição", porque cansei de fazer cara de paisagem em meio a tanta indecência. A ostentação é indecente. A leviandade me ofende, me afeta, me fode. Me recuso a fazer parte, a ser conivente, a me misturar com a escória. Quem gosta de lavagem é porco. Tô precisando de um conhaque, de um shot, de um chute. Dar um chute. A gol. Anseio por aquele frio na barriga de antigamente, para que alguma coisa me emocione, para que qualquer coisa me motive a dar o primeiro passo. E de repente percebo a raiva como minha aliada. Ela, só ela neste momento, pode me impulsionar.

Agora é:
Atenção,
Disciplina,
Neutralidade emocional,
Observação positiva da realidade.

E chega de mimimi.

domingo, 23 de janeiro de 2011

bebamos!

Aqui tudo chega de barco, até o correio. Deve ser o único lugar do Brasil onde o sedex leva 10 dias pra chegar. Dependendo dos naufrágios, chuvas, marés e vontade dos homens de bem, o barco às vezes não chega. Aí falta água. Falta gás. Falta comida. Fruta? Artigo raro. E caro. Também deve ser o único lugar do Brasil onde a banana custa uma fortuna. Mas não são só bens de consumo que faltam aqui.
Falta vergonha na cara do Governo de Pernambuco. Falta vontade política, falta educação, consciência ecológica, economia criativa. Falta tudo isso. Mas cerveja nunca falta.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

gastura

Sou uma pessoa que sabe viver com pouco. Talvez não exatamente com pouco, mas com coisas simples. Não me conformo com a ideia de pagar 400 mil dinheiros por um pedaço de ar, um apartamento. Não concebo adquirir um par de sapatos ou uma bolsa por mil dinheiros. E não me importo em andar com meu carrinho velho (quando uso) porque acho um despropósito colocar mais um veículo na rua. Pratico a economia solidária, na medida do possível - e cada vez mais acredito em um novo modelo de troca, que não só a moeda. Dinheiro não está na minha lista de coisas mais importantes, acho que nunca vai estar. Tendo pro básico e pra uma vida divertida, pra que mais??

Mas hoje (só hoje), eu queria ter 30 mil reais pra realizar um sonho já tão antigo que tá caducando de velho. Eu queria ter 30 mil pra gerar reflexão, educação, conexão. Fazer uma coisa bonita e oferecer isso pro mundo, pras pessoas serem mais felizes. E tô numa gastura terrível, porque a sensação de que o que eu tenho de bonito pra doar pro mundo está (em algum momento) diretamente ligado ao dinheiro é extremamente aflitiva. Estou com vontade de vomitar. E de gritar. Bem alto.

Esse idealismo ainda acaba me matando.
Puta que o pariu, mundo injusto do caralho!