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sexta-feira, 7 de maio de 2010

os últimos dias

meu querido, me descuidei um pouco de ti nos últimos dias. Mas não de mim. De mim tenho cuidado com afinco: tomo bastante sol, faço questão de continuar abraçando o mundo, porque descobri que assim sou (abraçadeira), e todo dia aprendo alguma coisa nova, o que me dá muito prazer. Nos últimos dias, fiz algumas breves viagens, pra dentro e pra fora. Nas duas modalidades novamente percebi que o tempo é mágico: cura, restaura, religa. Marquei a data das minhas férias e estou aprendendo a olhar as planilhas com menos desprezo - agora olho com indiferença mesmo. Continuo passando hidratante no corpo todos os dias, comprei um par de sapatos vermelhos incríveis, iniciei um ciclo de expressão de potenciais com a rita. Nos últimos dias eu até me apaixonei um pouco, recobrei o otimismo de tempos atrás, que andava perdido por aí... e sabe o que mais?! Os últimos dias foram muito bons!
Preciso vir aqui com mais frequência para contá-los.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

um ano

Como diz a Rita, o mês de dezembro parece que dura dois meses... é uma correria insana. E nessa correria eu só me dei conta hoje de que, há quinze dias, esse blog fez um ano. Parabéns!! E viva por ter resistido quase que diariamente a um exercício de reflexão, burilação da palavra, exposição da alma. Um grande companheiro este blog foi para mim em 2009!
Ontem encontrei o André no Filial, fazia anos que não o via, que cara inteligente, interessado, muito gracinha. Meio sem querer entramos numa de contar o que havíamos feito durante o ano, começando pelo reveillon passado. Eu estava na Amazônia, êta viagenzinha bizarra, mas divertida! Na volta, fui promovida e mudei de área. Trabalhei vorazmente este ano, e também voltei a estudar. Conheci uma grande variedade de rapazes, a maior parte não valeu a pena, mas como diz o Pessoa, "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Sendo assim, todos valeram a pena. Encontrei muita, muita gente bacana no meu caminho, isso foi incrível! E comecei a fazer percussão, que amo de paixão. Não fiquei doente este ano, nem uma vezinha sequer (resfriado e cólica não contam...). Fiquei muito tempo com a minha mãe, tornando cada momento divino e supervalorizado ao me lembrar da falta que ela fazia quando não estava por aqui. Me engajei no Movimento Novo Olhar, viajei pra lugares maravilhosos, estive muito tempo comigo e com as borboletas. Aprendi muito com ambos. Senti muita vontade de cantar........ e cantei! Ahhhhh, esse ano foi do caralho!!!! Que venha 2010!

sábado, 31 de janeiro de 2009

a loucura dos outros

É fácil se esconder atrás da loucura dos outros. Difícil é assumir as próprias loucuras. Hoje fui te procurar de novo, involuntariamente. Sentei nas mesmas cadeiras, cumprimentei as mesmas pessoas, revi(vi) cenas. Enquanto você... Sei lá o que você faz por aí: cozinha em casa com algum novo amor, persianas abertas em domingos dormindo até tarde, cafés sem leite espumado, pensa em mim de vez em quando, buscando entender que foi a coisa mais certa. Naquela praça de merda, ou são todos veados, ou são teus amigos, porra! Não me livro de você um instante sequer, nem que eu queira. E eu não quero.
Senta e escreve! Penso enquanto subo no elevador: chega, senta e escreve, que é a única coisa que você pode fazer! Escreve, escreve, escreve! Escreve a incompreensão de um amor que não teve a chance de se consumar. Busca a ausência e o sentido nas palavras. Não tenho mais forças pra chorar. Não tenho mais vontade.
São 03h30 da manhã. Acorda e sente a minha dor. Sente a minha azia, o meu enjôo!
E ninguém entende a minha dor. Ou pelo menos finge que não entende. E eu fico aqui, publicando-a, na esperança de amenizá-la. Na esperança de que alguém se identifique com ela. Eu nem sei mais o que eu quero.

Hoje eu quero que você morra.
... difícil é assumir as próprias loucuras....

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

não acredito

Eu não acredito na separação. Isso não existe, é ficção.

Como pode existir? Como o cheiro pode sair pela janela, e o tom da voz, que chamava para o descanso lá no quarto, se tornar inaudível? Como aquele doce olhar, único, perde o seu brilho? Como usar, olhar, tocar aqueles objetos comprados juntos... "a manta vermelha para cobrir o sofá" ou "o tapete que nos obrigou a adiar as férias"?

"Na separação, o difícil não é partilhar os móveis, (..) as fotografias, os cds. Isso se mantém ou se abandona. No inventário do amor, a dor é dividir as lembranças. Sofro de insônia constante por não desembaralhar os pesadelos. Desisti de entender seus significados. Dilacerada é a partilha dentro de mim, ainda mais quando não se viveu um minuto isolado. Uma viuvez em vida enlouquece".

A verdade é que uma história de amor nunca acaba. E que a única utilidade de uma separação é nos fazer escrever mais bonito.

p.s.: hoje eu estava feliz, até descobrir que o Carpinejar se separou da Ana.
Agora tô triste.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

voltei

Noite dessas, cheguei em casa desesperada. Chorando muito, rolava no chão da minha pequena sala, me contorcendo como um animal moribundo, com vontade de arrancar os cabelos, vomitar. Não era raiva, era pura dor. Apesar de me compreender - ela sempre me compreende - a Vitória me olhava com estranhamento, me acompanhando em meus rastejos.
No afã de extirpar a visceralidade da vida que levei até agora - da qual não me arrependo, nem de um segundo (é importante que fique bem claro), rasguei roupas, fotos, livros. Queria apagar todos os vestígios. Destruí também arquivos virtuais, entre eles este blog.
Agora voltei, arrependida. Nunca destruam seus escritos. Eles são seus e de mais ninguém. É como o amor. Um amigo me disse antes desse incidente: "Esse amor todo é seu, querida, te pertence. Esse amor não está no outro, está em você".
Tudo está em mim.
Nunca devia ter ido, mas o importante é que voltei.
Inteira.