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sexta-feira, 27 de julho de 2012

A primeira faz bum, a segunda faz tá

Hoje é dia de palavra que arrase. Que arrase o quarteirão, o coração, a Conceição. "Minha palavra vale um tiro e eu tenho muita munição", porque cansei de fazer cara de paisagem em meio a tanta indecência. A ostentação é indecente. A leviandade me ofende, me afeta, me fode. Me recuso a fazer parte, a ser conivente, a me misturar com a escória. Quem gosta de lavagem é porco. Tô precisando de um conhaque, de um shot, de um chute. Dar um chute. A gol. Anseio por aquele frio na barriga de antigamente, para que alguma coisa me emocione, para que qualquer coisa me motive a dar o primeiro passo. E de repente percebo a raiva como minha aliada. Ela, só ela neste momento, pode me impulsionar.

Agora é:
Atenção,
Disciplina,
Neutralidade emocional,
Observação positiva da realidade.

E chega de mimimi.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

(des)gosto

Escolhi minha profissão de formação com muita calma. Sou privilegiada: fiquei passeando pela Europa e pensando no que fazer da vida. Tive apoio incondicional dos meus pais quando decidi que jornalismo era o que mais se aproximava do que eu amava: comunicação. Estudei com a crème de la crème dos que agora são "formadores de opinião" da sociedade em que vivo. A sala de aula foi importante, claro, mas muita serramalte gelada regava as melhores reflexões que brotavam das aulas do Faro, do Silvio Mieli, da Sandra Rosa. Sinto saudades desta época em que eu ainda acreditava num jornalismo possível. Minha carreira como jornalista foi curta e dolorosa. Curta porque dolorosa e dolorosa porque curta. Foi mais forte do que eu verificar que o jornalismo não era nada do que eu sonhava, era apenas mais um jogo sujo de poder, uma batalha de egos de quem decide o que vai na capa de não sei onde pra prejudicar ou privilegiar fulano ou sicrano. O que me doía era que muitos dos jornalistas que me cercavam não se valiam do verdadeiro poder que têm em mãos, mas se submetiam à chefia, escrevendo matérias enlatadas, sem espaço para reflexão ou crítica. O que me dava desgosto profundo era ver que grande parte dos meus colegas se achava super cool, ligando-se ao status ilusório que esta profissão carrega, cultivando olheiras como troféus. Assim, optei por me afastar completamente do jornalismo. De leitora assídua, hoje posso dizer que mal leio o jornal e, quando leio, me dá dor de estômago. TV então, não assisto há mais de anos... E eu nem sei mais pra onde esse texto tá indo, acho que ele já tem vida própria. Estou falando de uma coisa muito importante e cara para mim e os sentimentos se confundem... a verdade é que eu gostaria de ter sido mais forte e não ter abandonado o jornalismo, mas foi uma opção pela vida. Acho que os que se mantém jornalistas hoje em dia, por idealismo, são comparáveis a professores ou médicos: é por amor ao ser humano, por de fato acreditar que escrever, proferir, registrar algo diferente pode gerar a mudança. Estes são muito mais do que jornalistas: são comunicadores. E isso eu posso dizer com certeza, deixar de ser jornalista foi tão libertador que me tornei uma comunicadora. O gosto amargo de uma mídia corrompida ainda permanece, mas sei que somos muitos do lado de cá, acordando todos os dias para causar no mundo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

gastura

Sou uma pessoa que sabe viver com pouco. Talvez não exatamente com pouco, mas com coisas simples. Não me conformo com a ideia de pagar 400 mil dinheiros por um pedaço de ar, um apartamento. Não concebo adquirir um par de sapatos ou uma bolsa por mil dinheiros. E não me importo em andar com meu carrinho velho (quando uso) porque acho um despropósito colocar mais um veículo na rua. Pratico a economia solidária, na medida do possível - e cada vez mais acredito em um novo modelo de troca, que não só a moeda. Dinheiro não está na minha lista de coisas mais importantes, acho que nunca vai estar. Tendo pro básico e pra uma vida divertida, pra que mais??

Mas hoje (só hoje), eu queria ter 30 mil reais pra realizar um sonho já tão antigo que tá caducando de velho. Eu queria ter 30 mil pra gerar reflexão, educação, conexão. Fazer uma coisa bonita e oferecer isso pro mundo, pras pessoas serem mais felizes. E tô numa gastura terrível, porque a sensação de que o que eu tenho de bonito pra doar pro mundo está (em algum momento) diretamente ligado ao dinheiro é extremamente aflitiva. Estou com vontade de vomitar. E de gritar. Bem alto.

Esse idealismo ainda acaba me matando.
Puta que o pariu, mundo injusto do caralho!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

onda

Hoje, no metrô, um menino lá sentado e muito compenetrado estudava física. No caderno dele estava escrito: "onda - propagação de uma perturbação através de um meio transferindo energia, mas não massa". Fiz questão de anotar, porque minha vida está sendo inundada por ondas de energias muitos boas.
Quase un tsunami, na real.
Amén.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

recortes

Não sei bem se este é o melhor momento de arrumar coisas, mas eu gosto de exorcizar logo: jogar fora o que tem que jogar (quase tudo) e guardar pequenos detalhes que me causem sorrisos instantâneos. Tava segurando um choro doído que não precisa ser segurado, muito menos guardado, e agora deixei tudo aflorar pra passar logo essa angustia que não tem razão de ser. Ao abrir a caixa enorme recheada de papéis, cadernos, fotos, lembranças, pincei algumas coisas que resolvi registrar aqui pra desempoeirar bons momentos no futuro.

Lá vai:

"A soma das partes é maior do que o todo. Os novos compromissos devem ser assumidos em prol do todo", Carlos Lopes, capacitação em Redes Sociais em 2007.


por Lourdes Alves, maravilhosa em 2007, 2008, 2009, 2010 (...), repartindo seus conhecimentos e dizendo sempre a coisa certa na hora certa.

"A capacidade de desenvolvimento de uma comunidade depende de seu 'estoque de futuro', do número de seus sonhos. O desenvolvimento é um movimento em direção a aquilo que não existe, mas pode existir se o prevermos", Augusto de Franco, capacitação em Desenvolvimento Local.

"Quando digo 'redes', são redes de pessoas. Por mais importante que uma institução seja, ela não fala, não sente, não tem dúvidas. Ela é formada por pessoas", Augusto de Franco, Fórum de Desenvolvimento Local 2008.

"A caricatura é um recurso do discurso explicativo", idem.

"O Massive Change não é sobre o mundo do design, mas sobre o design do mundo. Como o design que inventamos produz a cultura em que vivemos?", Bruce Mau, no Seminário Economia Criativa em 2009.

"Diversidade Cultural não é diferença. É o que a gente faz com as nossas diferenças. Precisamos criar um pertencimento e um compromisso das pessoas com a cultura", professor José Marcio Barros, em 2009.

"Eu que nada mais amo do que a insatisfação com o que se pode mudar, nada mais detesto do que a insatisfação com o que não pode ser mudado", frase do Brecht, trazida pelo querido Augusto, que agora deve estar se perdendo em algum canto delicioso da Europa.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

novo ciclo

hoje.uma.nova.eu.vem.dançar.nesse.universo.de.possibilidades.
samba.gafieira.tango.rock.

bem que podia ser aquela valsa que eu dançava no colo do meu avô.
estou precisando de alguém pra me ninar.

Mas amanhã é outro dia diferente.que.recomeça.latejando.no.vento.frio.
E há de fazer sol!
...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

tudoaomesmotempoagora

socorro: férias. Preciso sair dessa cidade maluca, que nunca, nunca, nunca dorme. Inclusive eu não durmo, fico aqui pensando na viagem, no trabalho (ou na falta dele), no frila, no tás a ver?, no imbecil com quem saí na semana passada, no outro com quem saí na semana retrasada. Rememoro os encontros de ontem, as cervejas de hoje. Concluo que a minha vida é muito boa e o mundo tá muito gay, caramba! ... o canto, a conta bancária, todas as coisas que ainda quero fazer, todas as que quero deixar de fazer. E no que vou ler nas férias. Hoje fui ver "Empoeirados" no Oficina. Fazia anos que não ia lá e que não ouvia uma das músicas que eles cantaram na peça, canção tão doce, como tudo que a Ceumar faz. E essa música me trouxe outro pensamento: que a arte existe pra nos lembrar de que estamos vivos. São Genésio, conceda a todos o ganha pão, para que não nos esqueçamos da vida.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

tás a ver?

é assim que a gente trabalha...



+ em tasaver.org

quinta-feira, 13 de maio de 2010

olhos ardendo vermelhos inchados

é difícil se deparar com a mesquinharia humana.
Mas basicamente:

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

[Mário Quintana]

terça-feira, 23 de março de 2010

the corporation

O preço que se paga é caro demais.
D-E-M-A-I-S.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Novo Olhar sobre as Relações de Trabalho

Esse vídeo é fruto de um trabalho incrível do qual estou participando com um grupo de pessoas inspiradoras e pulsantes. A elas, e a todas as outras que por tabela conheci, manifesto minha maior gratidão pelos novos óculos que estamos aprendendo a usar, pelo crescimento que estamos mutuamente nos proporcionando.

Movimento Novo Olhar sobre as Relações de Trabalho from rita monte on Vimeo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

tás a ver?

É isso, gente. E muito mais.



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

o valor das coisas

Qual o preço da sua criatividade? E o seu conhecimento adquirido, acumulado, conquistado, quanto vale? Como dar um preço a uma boa ideia que nasceu de tudo que você viveu, viu, estudou e que agora está a serviço da humanidade?
Não, não falo só de direitos autorais. Essa reflexão vai além. Penso nesse mundo louco que transformou valor em sinônimo de preço. Até etimologicamente essas duas palavras pequeninas andam se confundindo. Várias situações nas últimas semanas me fizeram recorrer ao meu idealismo para tentar significar essa lógica perversa, que novamente me joga pra fora do sistema e me faz perceber que sim, estou dentro, mas completamente fora desse mundo.
É muito triste perceber que reduzimos tudo à materialidade e à imagem. Se de um lado esse elementos tornam o intangível palpável, por outro reduzem a possibilidades de acesso, de gozo, de fruição, de circulação. Pode parecer ingênuo, mas não consigo ver sentido no processo que leva a estabelecer o preço das coisas. Pronto: custa X. Um amigo outro dia me disse que está ganhando um dinheiro que eu considero justo para o trabalho que ele está fazendo. Ele também considera, senão não estaria fazendo. Mas fez uma ressalva: "Eu cobraria no mínimo o dobro se fosse pra fulano ou sicrano, mas tudo bem, tô apostando nesse projeto...". Aí eu falei pra ele: "Mas bicho, pra quem quer que fosse, por que você cobraria o dobro se esse preço te parece justo?!? Se paga tuas contas?". Ele concordou, mas não soube justificar. "Valor de mercado" ou qualquer outra frase feita foi o que usou.
Fico pensando por que achamos que precisamos sempre ganhar mais (?). A maior parte das pessoas que conheço acham que o que elas ganham nunca é suficiente. Mas suficiente pra quê? Em que momento acontece o clic em que nossas demandas vão aumentando, aumentando, aumentando... e até onde? E por que não conseguimos um segundo sequer para parar e pensar: de onde vêm essas demandas? São internas?
Necessariamente, dentro dessa lógica, nosso trabalho adquire mais preço à medida que o tempo passa. Mas será que adquire mais valor também? Será que a relação entre valor e preço é diretamente proporcional? E qual é o limite desse preço?
Acho que se chama ganância, mas não gosto dessa palavra. É feia e tem uma conotação unicamente negativa. E eu não acho que viver bem, com conforto e cercada de coisas boas seja negativo. Muito pelo contrário. Não sou uma pregadora da parcimônia e da abdicação material. Mas acho (já faz tempo) que está demais. O acúmulo é um conceito que não consigo internalizar, felizmente. Não faz sentido pra mim.
A vida é muito generosa. Tem pra todo mundo, inclusive pros que (ainda) não têm. Para mim, a abundância vem de sacar o tamanho do que você precisa. E quanto você vai cobrar/pagar pelas coisas que você (acha que) precisa.
Afinal elas têm um valor, antes de ter um preço.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

chove horrores. E troveja.
estou afundada no trabalho. De cara, corpo e alma.
afundada no prazer, mas também na fuga.

Serena, calma e feliz.

Só com aquele pequeno pavor antecipado de voltar a pensar que me faltas.

não, tu não.
tu fostes, já não és.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

vamos parar de inventar moda?

Vamos, antes de tudo, aprender o alfabeto. Depois a gramática, regras básicas de concordância, uso de pronomes, acentuação, pontuação... Em seguida, que tal ampliar o vocabulário? Ler o dicionário pode ser uma boa pedida. Ler. É preciso ler muito. Não adianta querer escrever sem saber o be-a-bá. Não adianta querer compor sem repertório, querer construir sem fundações.

Não adianta querer fazer porra nenhuma nessa vida sem sentar a bunda, estudar, ralar, trabalhar... Não adianta. Não me venha com essa história de sorte. Sorte é produto do pensamento, do sonho. Foi o Rodrigo Amarante que disse, numa entrevista genial da trip desse mês - recomendo. E vamos parar de inventar moda, tá? Sons pseudo progressistas sibilinos, linguagens herméticas, poesias ininteligíveis, metáforas reticentes, pensamentos impenetráveis... Que saco que virou essa modernidade! Chata mesmo!

Vamos começar do começo. Pelados, de onde viemos, que tal?
Simples, clássicos, bem feitos, propositais, propositivos.
Críticos sim, mas não critiqueiros.

Vai trabalhar, bicho, pra ver o trabalho que dá!

p.s.: trilha pra acompanhar: "Eu sou melhor que você" (moreno+2).