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quinta-feira, 26 de março de 2020

fruta com amor no nome

Antonio e eu passamos 3 dias colhendo amoras, sonhando uma geleia. Intensas caminhadas, buscando amoreiras: será que o passarinho comeu? Será que já amadureceu? Deixa eu subir no pé pra colher as que estão mais altas! E sempre se apresentava uma linda surpresa de encher mãos e potinhos improvisados, até termos a quantidade suficiente para fazermos a geleia. Me lembrei da minha infância na Itália: "Robi, andiamo a fare i frutti di bosco?". Aí a gente pegava a cestinha e se embenhava pelo mato. "Frutas do bosque", rasteiras ou arbustivas, entre elas amora, framboesa, moranguinhos silvestres, mirtilos... E depois da colheita, minha tia Emilia preparava uma marmelada para rechear a "crostata". Lembranças tão doces...

Na última sexta-feira, ela partiu, vítima do vírus. Foi uma dor tão grande que o tempo parou. Essa mulher foi minha segunda mãe, minha avó, minha tia em tempos tão distintos da minha vida... Me ensinou a plantar, a amar a natureza, a acampar, a parir nenéns, a viajar, a cozinhar tantas delicias... então entendi que esse lance todo das amoras foi nosso ritual de despedida. Minha geleia virou na verdade uma marmelada, com a consistência exata para rechear uma crostata - como as que ela fazia.

Siga na luz, zia Emilia.



terça-feira, 25 de setembro de 2018

inferno astral

À beira dos 37 muito bem vividos, me emociono ao perceber como ainda me deixo ser tocada pela vida. Sigo mais suscetível do que nunca e choro as dores do outro, que são as minhas próprias. Não quero nem vou mudar isso. Manter-me permeável num mundo blindado é resistência. Manter-me sensível e disposta neste contexto acirrado é amor. Manter-me atenta ao entorno é conexão. Resistência, amor e conexão: o que mais desejar para um novo ciclo?

Neste fim de semana de emoções atropeladas, pensei um pouquinho em você - fazia tempo que você não aparecia por aqui. Pensei que talvez sejamos mais parecidos do que eu gostaria. Pensei que talvez você vote no coiso e isso imediatamente me fez espanar as poucas memórias agradáveis que ainda guardo da gente. Mas fui além e me perguntei: quanto do "coiso" existe dentro de cada um de nós que não queremos ver? Quanto de louco, radical, preconceituoso, feio, bizarro, escroto, mau, incoerente, nojento existe em você? E foi então que percebi também o quanto de você há em mim. Você que só critica e julga. Talvez por isso doa tanto te ver assim de frente.

Tudo que é perturbador é também revelador.

Talvez o segredo seja olhar no espelho e aceitar o que vier. Até o auto-engano.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

mandinga

Outro dia li uma daquelas placas de "trago seu amor de volta" e fiquei imaginando quantas milhares de pessoas procuram esses serviços. Que tipo de loucura leva uma pessoa a querer atar alguém a si própria sem que a outra assim o consinta? Que solidão é essa que nos escraviza emocionalmente? Em que poço de dor profunda temos que mergulhar para nos curar e conseguirmos amar verdadeiramente?

Amor é liberdade.

Me peguei triste ao imaginar alguém implorando amor pr'aquele número de telefone do cartaz. É uma dor física essa de ser preterida, de ser deixada, de não ser desejada. Dá pra entender que, na nossa incapacidade de lidar com a dor, buscamos qualquer coisa que prometa nos livrar dela. Qualquer coisa.

Nosso ego grita pra ser ouvido.
Nossa mente cria cenários ilusórios, sombrios.
Nossa pele... ah, nossa pele.

Eu não sei que feitiço foi esse que você me jogou. Mas pegou.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

despedida

Eu queria ter tido a chance de me despedir de você. De olhar lá no fundo dos seus olhos para desvendar o que sua alma guarda. Eu queria poder te dar um abraço demorado. Dizer que sinto muito. Sentir seu coração batendo pra ter certeza de que ele não congelou. Eu queria te dizer o quão injusto foi fazer tantos planos e deixar que eles derretessem como gelo no sol. Eu queria ouvir de você que existe outra pessoa, porque só assim essa ruptura covarde, virtual e insensata faria algum sentido.

Eu queria te ver frágil e sensível, sem máscaras.

Queria que se deixasse amar - independente de haver ou não algo entre nós. Eu queria mesmo que você pudesse receber este amor que estou cultivando em mim - não este amor banal, carnal. Amor de Ser Humano. Queria eu também receber seu cuidado. Não este cuidado de homem/mulher: cuidado de Ser Humano. Gente que se cuida porque se importa.

Mas nada mais importa. E não sei se algum dia de fato importou. Hoje acho que tudo não passou de um grande mal entendido. Chego a pensar que aquela manhã ensolarada podia ter amanhecido nublada e chuvosa, assim quiçá nunca teríamos nos cruzado na vida. Mas não há como mudar o que foi. Só há como mudar o que é. Essa dor que me rasga o peito, essa incompreensão, esse vazio que você deixou em mim: isso vai mudar. Hoje.


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

run for your life

É primavera. Tá exuberante a Natureza. Borboletas coloridas, flores perfumadas, a grama verdinha e a fruta no pé. Pitanga e amora. Os insetos felizes. Dama da noite cheira até de dia. Me reconheço neste desabrochar. Tenho ido correr no parque, tem sido um presente pros olhos. No meio do caos desta cidade, do ocaso aqui dentro, a Natureza me salva. Como sempre. 

Corro pra fortalecer o coração. Ele está batendo como nunca na energia do amor. Na insistência no amor. Só ele pode nos salvar do ódio, da loucura e até do desejo. Eu acredito nisso porque ainda te amo. Quer dizer, te amo e pronto (sem ainda). Porque amor que é amor não acaba nunca. Então fiquei pensando na eficácia do amor: é capaz até de aplacar o próprio amor. 

Corro para libertar minhas memórias. Como uma alcoólatra, cada instante sem você é um instante a mais comigo. A leveza está sendo uma conquista diária. 

Corro para oxigenar a razão, que não para de tentar entender porque você quis ir embora. Assim de repente, soltou da minha mão. Como a gente trata com distanciamento alguém que acabou de estar tão perto, ao seu lado, há pouco deitada na sua cama, onde algo tão intimo como dividir a cama e os lençóis quando o dia amanhece e os lençóis ficam lá escancarados com suas manchas e sua noite impregnadas. Como alguém sai da sua vida para a nulidade? 

Corro para compreender quão profunda é essa caverna onde você se enfiou. É preciso de coragem pra colocar o dedo na ferida e superar a dor. É preciso de coragem para ir até o mais escuro dos intestinos. É preciso de coragem para receber este amor. Te desejo coragem.

Corro. Corro pela vida. 


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

perdas e ganhos

Um tufão passou por aqui bagunçou um pouco a vida, mas deixou bons legados.

Ganhos
- Voltei a usar Phebo (como algum dia eu pude deixar de usar?!).
- Retomei a escrita afetiva.
- Comecei a sonhar de novo.
- Descobri que óleo de coco é bom pra tudo (mesmo).
- Me lembrei que qualquer coisa é possível.
- Percebi que há dores imensuráveis - e que as minhas são minúsculas.
- Me dei conta (sem me dar conta) que amor não é sexo e sexo não é amor.
- Reafirmei que os opostos não se atraem. Se distraem.
- Quebrei (mais) paradigmas.
- Superei alguns (poucos) preconceitos.
- Percebi que nem todo fim precisa ser dramático. 
- Descobri que quanto menos a gente procura, mais a gente acha.

Perdas
- Você.







sexta-feira, 15 de setembro de 2017

era ela, era eu

Era uma tarde qualquer. Ela entrou no vagão, não reparei bem em qual estação. Logo me chamou atenção sua barriga empinada, 8 meses, talvez mais. Linda. De relance, me lembrei da minha saudosa gravidez. Fitei aquele barrigão por alguns instantes, cheguei até a sorrir. Realmente estar grávida é um estado de graça - pensei. 

Então olhei para ela toda. Morena, bonita, altiva. Romantizei naquela aparência a felicidade daquela mulher. Mas então percebi que sob os óculos escuros escorria uma lágima. E depois outra. Meu coração apertou. Me levantei e fui me esgueirando por entre os passageiros distraídos. Cheguei ao seu lado, muito próxima mesmo, e a abracei. Sem pedir licença, simplesmente a abracei. 

Como quem estava esperando aquele abraço, ela retribuiu. E soluçou. 

- Vamos descer na próxima estação para conversar um pouco?
Ela acenou que sim com a cabeça. 

Descemos do trem juntas. Ela me agradeceu. E nos abraçamos mais. Janaina estava com 33 semanas. Seu choro angustiado me dizia muito mais do que qualquer história que ela pudesse me contar. Eu sentia que ali havia uma solidão conhecida.

- Sabe, o pai do meu filho... ele é uma boa pessoa, mas ele não entende o que está acontecendo. Ele me faz promessas vazias. Ele não me ajuda em nada. Como estou cansada, como estou cansada! Eu estou tão feliz, mas tão cansada. E como vai ser quando o neném nascer?

Meu coração já pulsava na garganta. "Sim, querida, sim. Te entendo", eu dizia. Janaina era, como eu, vítima de um abandono gestacional. E olhando bem firme dentro de seus olhos falei: "Presta atenção: agora é você e o bebê! Você não pode contar com esse cara pra nada. Não fique nesta ilusão". 

Foi um baque pra ela. Como uma desconhecida no metrô me abraça, me consola, me acolhe e me diz algo tão duro assim? Falei do meu sofrimento, de como o superei, de como é bom ter um filho companheiro. Ela me ouviu. Silenciamos. Seus olhos já estavam mais serenos e muito agradecidos. 

- Muito obrigada. Você mudou meu dia. Na verdade, você mudou muito mais que o meu dia. 

Nos abraçamos de novo em despedida. Janaina entrou no trem. Eu fiquei ali, desaguando toda a dor daquele encontro de cura. E depois subi as escadas, com um ar de dignidade que há muito tempo não sentia.

Que nós mulheres possamos nos unir e nos ajudar, com coragem, sempre e mais.

E que a gente entenda que não dá pra abraçar o mundo.
Mas dá pra abraçar algumas pessoas e fazer a diferença. 
Clarissa Corrêa



domingo, 29 de setembro de 2013

meninos de boné

Eu não gosto de meninos que usam boné. Aquela imagem americanizada de moleque que nunca cresce me é desagradável aos olhos. Aquele ar de malandro mal resolvido me afasta. Que tipo de homem precisa usar um boné? Por que não um chapéu charmoso, uma boina, um gorro? Boné esconde os olhos, achata os cabelos, encurta a testa. Boné é sintético. É feio!
Pode reparar: meninos que não usam boné são mais especiais.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

hora de acordar


Liguei pra te contar do perfume dos jasmins em flor. E falar das frutas da estação. E do banho de chuva que pensei em tomar (com você). Desta vez, não quis me preocupar com julgamentos à minha verdade, sendo contigo apenas eu mesma. Queria falar a sua língua, para que entendesses cada sílaba de mim. Tive, por um breve e ilusório instante, a certeza de que minha transparência serviria para te fazer compreender que cada ato meu foi mais uma tentativa de aproximação de mim mesma. E logo de ti.
Queria me sentir livre na sua presença - porque ainda me sinto uma estranha quando não estás. Torci para que cada palavra minha fosse um sentimento bom, e que cada sentimento se transmutasse em compaixão. E que eu pudesse apenas sorrir quando você diz o que nem sabe que está dizendo. Queria que essas lágrimas tolas parassem de insistir, me sinto ingrata por chorar em um momento tão abençoado. E que apenas as boas lembranças povoassem minha mente. Que refletida na minha íris cor de mel, eu pudesse ver seu olhar apaixonado e inocente de um dia. Queria que eu fosse a linha, e você o linho, pra sua vida bordar na minha. E fosse reaparecendo aos poucos nosso amor.
Sonho acabou, é hora de acordar.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

precisão

Ando imprecisa. E precisada de mais. Mais suor, mais leitura, mais aventura. Me pergunto porque a vida não pode ser ser só isso - que já é muito. Mas saber que é mais, que pode ser muito mais, é um caminho sem volta: é uma viagem que vicia.

Ando atônita, inquieta, flutuante, precisando de calma produtiva. Dormir não me descansa, falar não me alivia, aquietar não me integra.

Ando apenas. Ando por aí buscando domar meu dragão, minha impulsividade, minha exigência.
Ando sabendo que preciso de muito pouco, mas não sei que cara ele tem.

Ando imprecisa.
Preciso de mim, de volta.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ilhada

Tô. Tô sim. Melancólica até debaixo d'água. Fui mergulhar cinza, esperando voltar azul, mas lá embaixo a melancolia só tem outro peso, outra densidade, outra cor. Ela continua penetrando, viscosa e opaca. O mar estava inquieto, exigiu concentração. Só depois, navegando de volta ao porto, barco feroz rasgando ondas escuras, me deu tempo de pensar em como a felicidade desaba sobre mim com a mesma intensidade que a tristeza. Altíssimos e baixíssimos, diria sabiamente a Gabi. Tô melancólica porque há 4 dias estou absolutamente desconectada do mundo, sem internet, sem telefone, sem a liberdade de poder me comunicar. Pela primeira vez, me sinto literal: estou ilhada. Tô melancólica porque a saudade dos meus amigos está cortante, falta-nos coragem para transpor a distância. Porque sinto falta repentina de cheiros conhecidos, de deitar no meu futon com a Vitória, fechar a porta de casa e deixar o mundo lá fora.

Hoje eu só queria soltar a cabeça no colo da minha mãe e usufruir do melhor cafuné do mundo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

tanto, só um pouco

nunca antes ela pôde ser tão grande, mas nunca antes se sentiu tão pequena. um aperto no centro do peito. um parto. uma partida. muitas partidas. um incômodo permanente. nunca antes tanta melancolia sem tanta razão, como piano e violino em dia de chuva. nunca antes tanto amor não correspondido, tanto afago traído. fala sozinha, ouve coisas que só ela ouve, percebe um mundo sutil, parece ser a única nas entrelinhas. grita sozinha um grito abafado, na fronteira entre a raiva e a dó. serão os obstaculos para serem superados ou servem pra nos indicar que devemos mudar de caminho?

realmente não sei.
e de repente percebo a vida tão frágil - e minha dor parece insignificante.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

retorno de saturno

eu não sei bem o que é, mas quero crer que seja ele o culpado. Sim, porque há de haver um culpado nessa história toda de angustias injustificáveis, decisões a serem tomadas e sempre adiadas, certezas que se confundem com a absoluta falta de saber o que fazer. Ou o oposto: fazer exatamente o contrário do que se tem certeza. Tem de haver um responsável pela imobilidade emocional, catatonia, estado de pseudo-loucura, sensação de desamor e de incapacidade. O contexto se mostra complexo, cada vez mais, estou à beira do precipício: ou me lanço ou me lanço. Não me concedo outra possibilidade.

na minha vontade de simplificar o mundo, na verdade percebo que "no pain, no gain" - sem dor, não há conquistas.

SUPER PAIN = SUPER GAINS?

sábado, 18 de setembro de 2010


Chegando em casa de um dia de muitas emoções, detém seu olhar no espelho por alguns segundos, prende os cabelos com desajeito, enfiando uma piranha entre os cachos para lavar o rosto. A fronteira entre a loucura e a sanidade é muito (muito) tênue - pensa enquanto joga água fria sobre os olhos. Um pouco louca, um pouco sã. Seca o rosto. Sem condições de decidir nada, sem vontade de pensar em ninguém, nem de cantar, com preguiça do voyeurismo, das discussões conceituais, apaga a luz. E se lembra que, desde pequena, acha que seu penteado, feito no instante de lavar o rosto à noite, fica ótimo assim desprentecioso.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

cadê você?

Teria dado uma boa foto: encostada naquela parede de um azul bonito, apoiada numa só perna, a outra dobrada com o pé sujando a parede azul - como as mães dizem que não pode fazer quando a gente é pequeno -, o olhar perdido entre gays, velhos, casais, finjo observar todo mundo entrando, mas só espero você descer as escadas sorrindo, carregando algum papel na mão como sempre, sinestésico como eu. Espero o seu olhar buscando o meu no meio da multidão, a breve aflição por pensar que eu poderia não estar ali encostada com o pé na parede azul bonita. E então, quando você entrasse, iria desviar o rosto pro chão e fingir que não me viu, só pra eu te ver primeiro e puxar teu sorriso. Aí você iria chegar certeiro em mim, sorrindo. E colocar os braços entre os meus ombros, prensando levemente meu corpo contra a parede azul, me deixando sem ar sem sequer precisar me tocar. E eu iria suspirar de alivio por você ter chegado, tão pontual, tão preciso nos seus gestos delicados, nos seus movimentos cotidianamente calculados.
Encostada na tal parede azul, o tênis sujando o azul que alguém pintou com cuidado, eu pensando "cadê você?". "vem, estou aqui te esperando, te procurando. te reconheço no meio dessa gente toda, pode vir!". Ganas de me fundir com aquele azul profundo, eu me perguntava "mas cadê você?". "por que você não chega? onde é que você está?". Os atrasados entraram apressados, repararam em mim, imóvel na parede azul bonita. Ao toque do terceiro sinal, suspirei, não de alívio, mas de cansaço. Desamarrei cuidadosamente os cadarços e deixei ali, ao pé da parede, meu all star vermelho. Pra se acaso você chegasse.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

recortes

Não sei bem se este é o melhor momento de arrumar coisas, mas eu gosto de exorcizar logo: jogar fora o que tem que jogar (quase tudo) e guardar pequenos detalhes que me causem sorrisos instantâneos. Tava segurando um choro doído que não precisa ser segurado, muito menos guardado, e agora deixei tudo aflorar pra passar logo essa angustia que não tem razão de ser. Ao abrir a caixa enorme recheada de papéis, cadernos, fotos, lembranças, pincei algumas coisas que resolvi registrar aqui pra desempoeirar bons momentos no futuro.

Lá vai:

"A soma das partes é maior do que o todo. Os novos compromissos devem ser assumidos em prol do todo", Carlos Lopes, capacitação em Redes Sociais em 2007.


por Lourdes Alves, maravilhosa em 2007, 2008, 2009, 2010 (...), repartindo seus conhecimentos e dizendo sempre a coisa certa na hora certa.

"A capacidade de desenvolvimento de uma comunidade depende de seu 'estoque de futuro', do número de seus sonhos. O desenvolvimento é um movimento em direção a aquilo que não existe, mas pode existir se o prevermos", Augusto de Franco, capacitação em Desenvolvimento Local.

"Quando digo 'redes', são redes de pessoas. Por mais importante que uma institução seja, ela não fala, não sente, não tem dúvidas. Ela é formada por pessoas", Augusto de Franco, Fórum de Desenvolvimento Local 2008.

"A caricatura é um recurso do discurso explicativo", idem.

"O Massive Change não é sobre o mundo do design, mas sobre o design do mundo. Como o design que inventamos produz a cultura em que vivemos?", Bruce Mau, no Seminário Economia Criativa em 2009.

"Diversidade Cultural não é diferença. É o que a gente faz com as nossas diferenças. Precisamos criar um pertencimento e um compromisso das pessoas com a cultura", professor José Marcio Barros, em 2009.

"Eu que nada mais amo do que a insatisfação com o que se pode mudar, nada mais detesto do que a insatisfação com o que não pode ser mudado", frase do Brecht, trazida pelo querido Augusto, que agora deve estar se perdendo em algum canto delicioso da Europa.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

linhas tortas

Sentimentos amplos com varanda
Pro interior

Cansei
De ter que ler amor nas entrelinhas

Nas lágrimas que me fecham portas
O amor que escreve certo em linhas tortas

terça-feira, 13 de julho de 2010

se sente pequena, tão impotente, cercada por tantas regras e sistemas. São Paulo não é mais o seu lugar - talvez nunca tenha sido. Mas ela fica se enganando, achando que pode passar por cima, ao lado, por baixo. E vai superando os próprios limites, como se respeitá-los fosse desrespeitoso. A superação é o lema do homem moderno.

Mas agora que o tecido tá esgarçado e a pele, já à mostra, mostra o que não se quer ver, o que fazer agora? Tanta fragilidade que haja creme nivea.

Cair não é tão ruim quanto ter que levantar. Levantar dói muito mais.

E apenas porque nada, absolutamente nada, parece fazer sentido e tudo parece se repetir ad infinitum ela não quer se levantar.

Tá?

domingo, 9 de maio de 2010

como?

É que eu já escrevi tanto sobre isso que nem sei mais como fazer, que palavras usar, como inovar na abordagem. Não quero parecer queixosa sem motivo, rebelde sem causa. Pelo contrário, tenho uma causa enorme: o amor. Eu ainda acredito no amor. Hoje afirmei que você arrancou minha ingenuidade, mas me enganei. Continuo sendo uma sonhadora, idealista e romântica. Não obstante tudo o que me aconteceu, o que tem acontecido e o que eu vejo acontecer aos outros, eu ainda acredito que as pessoas (me incluo nessa categoria) possam se encontrar e ser realmente felizes por muito tempo - quiçá "para sempre". Mas não entendo porquê a vida insiste em querer me convencer do contrário. Juro que tenho tentado olhar para frente e sentir manifesto no mundo o amor que levo (literalmente) no peito. Mas não suporto mais desencontros, abandonos, falta de consideração. Fugas, desculpas. Eu sou uma pessoa legal, não mereço isso. Eu não faço isso com os outros. Então eu fico me perguntando como. Como manter a crença no amor? Como continuar acreditando nos encontros, na coragem de encarar? Como fechar os olhos e continuar vislumbrando um dia de sol e o seu rosto tão bonito se aconchegando no meu peito?

Como?

Hoje eu tô triste e não consigo encontrar respostas.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

botar reparo

Ontem (que ainda é hoje) o dia começou mal. Muito mal.
Aquela sensação de desamor voltou. Não encontrava forças nem para falar com Deus. Entrei no banho, a água muito quente caindo sobre meus ombros e nenhuma vontade - nem de chorar, nem de rezar, nem de morrer, nem de sair debaixo do chuveiro.
Mas uma luz da manhã entrou pela porta: apertou minhas mãos em prece e me disse que tudo ia ficar bem. Recobrei então um fio de confiança e saí para encarar o mundo.
No meio da tarde, duas surpresas botaram reparo na minha tristeza:
-um ato de muita generosidade e amor;
-um encontro improvável, mas absolutamente sensato.
E o dia terminou muito bem.

Agora, ontem já é hoje, e vai começar bem.
Mesmo.