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quinta-feira, 12 de março de 2020

auto-alta

Hoje me dei alta da terapia. Eu mesma.
Nunca tinha feito isso e me senti muito corajosa.

To num desassossego. A gata inquieta anda, mia, come, se estica, pula pela janela, se roça na minha canela. Espelha meu estado de espirito. Não consigo dormir. Comecei a ler sobre o tal do vírus. Humanidade doente (literalmente, agora). Penso como conseguimos chegar nisso: odiar a vida a ponto de querer aniquilar a sua própria. Bicho homem. Tão apartado de tudo, como desaprendeu tão rápido?

Aquela chuva toda de semanas atrás lavou muita coisa aqui dentro.
Árvores caíram.
Desprenderam suas raízes para dar espaço a novas sementes.

Aquele curso - na sequencia da chuva toda - encontrou uma placenta.
Absolutamente fértil.
Attraversiamo?


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

desperta

Se escolher amar uma mulher desperta, entenda que estará entrando em um território novo, radical e exigente. Se escolher amar uma mulher desperta não poderá continuar adormecido.

Se escolher amar uma mulher desperta cada parte da sua alma será despertada, não apenas seus órgãos sexuais, mas também seu coração. Mas, se pretende uma vida normal, siga com uma mulher normal.

Se deseja uma vida dócil, encontre uma mulher que decidiu ser submissa. Se deseja apenas mergulhar o dedo do pé nas águas que correm de Shakti, mantenha-se com uma mulher correta, que ainda não mergulhou na fúria do oceano sagrado feminino. É fácil amar uma mulher que ainda não ativou seus poderes sagrados internos, porque ela nada exigirá.

Ela não te porá à prova.

Ela não exigirá que te tornes o mais alto Ser que podes ser.

Ela não acordará as partes esquecidas e anestesiadas do seu Espírito pedindo que se lembre que há mais possibilidades de vida do que isso.

Ela não vai olhar fundo em seus olhos cansados e enviar raios de Verdade através do seu corpo, balançando-o acordado e sacudindo seus desejos perdidos há muito dentro de você.

Se isso não for suficiente para você - se o seu coração, corpo e espírito anseiam pela "Outra Mulher" - então deve saber que está prestes a transformar a alma. Deve saber que está fazendo uma escolha séria com consequências cármicas. Pois, se decidir adentrar a aura e o corpo de uma mulher cujo fogo espiritual está queimando, então saiba que estas ansiando por um certo nível de risco e perigo, com o propósito de crescer. Uma vez que começa a amar uma mulher dessa natureza você deve aceitar a responsabilidade.

Sua vida não será mais confortavelmente sonolenta o tempo todo. Sua vida não permitirá que fique preso aos velhos sulcos e rotinas estagnadas, pois ela - A Vida - assumirá radicalmente novo sabor e aroma.

Você será inflamado pela presença do selvagem feminino e irá sintonizar-se com o chamado Divino.

A escolha de ser sexualmente e amorosamente íntimo de uma mulher desperta, é para os homens que precisam de coragem para caminhar sem medo do desconhecido. Mas esse homem, vai colher recompensas além da compreensão da sua mente. Ela o levará a mundos desconhecidos de mistério e magia. Ela vai levá-lo hipnotizado e meio entorpecido de amor, às florestas selvagens do êxtase sensual e de admiração. Ela não vai fugir da sua "escuridão", porque a sua escuridão não vai assustá-la. Ela falará palavras que a sua alma entende.


É um risco enorme amar uma mulher desperta, porque de repente não há um lugar para se esconder. Ela vê tudo, para que ela possa amar com profundidade. Amar uma mulher como essa é escolher começar a viver com a sua alma no fogo. Sua vida nunca mais será a mesma, uma vez que convidou essa energia para entrar. Certifique-se, caso escolha amar uma mulher desperta de que escolheu por não passar o resto da vida olhando para trás sobre o seu ombro, tentando enxergar mais uma vez a visão turva de mistério feminino que desapareceu de sua vista. Pois ela terá voltado para as estrelas e galáxias distantes do céu...de onde ela veio.

Sophie Bashford

domingo, 8 de julho de 2018

carta pro filho 4

Estou sendo engolida pela vida e você está crescendo rápido demais. Deixo escapar nas entrelinhas dos dias as frases mágicas que você solta - aquelas bem engraçadas que a gente devia anotar pra rir até 2050... Você fala sem parar. Conta histórias vividas e histórias fantásticas. É uma criança imaginativa, brilhante, solar e comunicativa. E precisa de ouvidos atentos. Busco estar presente, apesar dos deslizes. Uma coisa que não vou dizer jamais é que não aproveitamos juntos a sua infância: quando não estou trabalhando, eu sou quase toda pra você. Não só o tempo e a rotina me engolem, mas sobretudo minha exigência. Em ser a melhor mãe (a maior cagada, eu sei, mas não consigo fazer diferente neste momento). Nesse esforço insano, nessa insistência de querer dar conta de tudo, acaba brotando também o pior de mim. Eu brinco que você deve pensar que eu sou bipolar, ou algo do tipo. Mas não sou, filho. Sou demasiadamente humana, só isso. Te encho de beijos e carinhos e depois quebro o pau. Eu queria que isso fosse mais equilibrado, mas é uma tarefa quase impossível para mim. Então, enquanto busco dentro de mim a paciência nossa de cada dia, observo como somos parecidos para tentar pacificar minha culpa.

Você é superlativo, como eu. Nada é morno pra você. Ou é quente, ou é gelado, ou é maravilhoso, ou tá muito ruim. Queria te dizer que enxergar tons de cinza pode ajudar às vezes, mas não vai adiantar. Você vai aprender isso com a vida (ou não). Você é irado e não leva desaforo pra casa. Você é musical e ama tudo que se relaciona ao ritmo. Você nada em águas profundas, como eu. Você é ligeiro e não perde um detalhe. Está sempre observando com o canto do olho. Tem a percepção aguçada de um aprendiz. Você é por demais sensível - não aquela sensibilidade de quem se machuca e chora. Você sente o clima e transforma em palavras o que não é dito. Você é meio bruxo, filho, e como eu, uma alma velha. Percebo a pureza do seu coração e que os caminhos que estou trilhando com você estão te ajudando a se tornar um homem bom. O que mais eu posso querer da vida?

Eu sinto muito, me perdoe, eu te amo, eu sou muito grata.

  

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

vai casar

Sempre fui a menos sozinha das solteiras. Aqui e acolá, sempre tinha um hômi a tiracolo, raramente estive sozinha na vida. A grande maioria das minhas amigas tinha namoros duradouros, desses de anos... eu quase nunca. Tive um - e quase casei de véu e grinalda. Por sorte percebi a tempo que ainda era muito jovem para me privar de conhecer tantas pessoas interessantes.

De fato, a escolha de não levar adiante o único relacionamento looongo que tive me trouxe mais ganhos que perdas. Tive experiências muito apaixonadas, conheci muita gente louca, vivi intensamente (claro). Se pudesse voltar atrás, faria tudo de novo.

Hoje: 36 anos, 1 filho que já se veste sozinho... acho que quero casar! Se dependesse do tanto de vezes que já peguei o buquê, devia ter fila na minha porta. Fato é que não sei bem qual modelo de relacionamento desejo. Não acredito no casamento como está posto, mas também não sei muito pra onde correr. Talvez muita gente não goste de ler isso, mas não vejo muitos casais se divertindo pela vida. Vejo conveniências, acomodações. Vejo pouca vontade de crescer junto e muito apego aos vícios e obstáculos. Devo estar errada, por supuesto, caso contrário ninguém veria vantagem em continuar casado ;)  Estas são apenas impressões de uma solteira observadora.

Se eu tivesse que dizer o que acredito mesmo, seria: as pessoas são livres, ninguém é de ninguém. Mas sigo dizendo (até para mim mesma) o que a sociedade quer ouvir: vou casar. Como conciliar estas duas visões? Como se livrar do maldito amor romântico e viver plenamente a liberdade tão própria de quem ama? Esta é uma pergunta que tem me perseguido nos últimos tempos.

Da turma mais chegada, estão todas casadas. E pra festa de Natal, na lista eu leio "Beta + Tom". Me dá uma certa angustia. Não é inveja, não é dor de cotovelo, não é medo de envelhecer solteira - já que sozinha de fato quase nunca estive! É uma incerteza que não tem horizonte. Um lugar novo em mim que chama por um par que não seja meu filho. Um par(ceiro). Pra vida.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

run for your life

É primavera. Tá exuberante a Natureza. Borboletas coloridas, flores perfumadas, a grama verdinha e a fruta no pé. Pitanga e amora. Os insetos felizes. Dama da noite cheira até de dia. Me reconheço neste desabrochar. Tenho ido correr no parque, tem sido um presente pros olhos. No meio do caos desta cidade, do ocaso aqui dentro, a Natureza me salva. Como sempre. 

Corro pra fortalecer o coração. Ele está batendo como nunca na energia do amor. Na insistência no amor. Só ele pode nos salvar do ódio, da loucura e até do desejo. Eu acredito nisso porque ainda te amo. Quer dizer, te amo e pronto (sem ainda). Porque amor que é amor não acaba nunca. Então fiquei pensando na eficácia do amor: é capaz até de aplacar o próprio amor. 

Corro para libertar minhas memórias. Como uma alcoólatra, cada instante sem você é um instante a mais comigo. A leveza está sendo uma conquista diária. 

Corro para oxigenar a razão, que não para de tentar entender porque você quis ir embora. Assim de repente, soltou da minha mão. Como a gente trata com distanciamento alguém que acabou de estar tão perto, ao seu lado, há pouco deitada na sua cama, onde algo tão intimo como dividir a cama e os lençóis quando o dia amanhece e os lençóis ficam lá escancarados com suas manchas e sua noite impregnadas. Como alguém sai da sua vida para a nulidade? 

Corro para compreender quão profunda é essa caverna onde você se enfiou. É preciso de coragem pra colocar o dedo na ferida e superar a dor. É preciso de coragem para ir até o mais escuro dos intestinos. É preciso de coragem para receber este amor. Te desejo coragem.

Corro. Corro pela vida. 


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

perdas e ganhos

Um tufão passou por aqui bagunçou um pouco a vida, mas deixou bons legados.

Ganhos
- Voltei a usar Phebo (como algum dia eu pude deixar de usar?!).
- Retomei a escrita afetiva.
- Comecei a sonhar de novo.
- Descobri que óleo de coco é bom pra tudo (mesmo).
- Me lembrei que qualquer coisa é possível.
- Percebi que há dores imensuráveis - e que as minhas são minúsculas.
- Me dei conta (sem me dar conta) que amor não é sexo e sexo não é amor.
- Reafirmei que os opostos não se atraem. Se distraem.
- Quebrei (mais) paradigmas.
- Superei alguns (poucos) preconceitos.
- Percebi que nem todo fim precisa ser dramático. 
- Descobri que quanto menos a gente procura, mais a gente acha.

Perdas
- Você.







terça-feira, 1 de agosto de 2017

volver

Há dias late aqui o desejo de dedilhar sem pausa o teclado impertinente. Repousar os olhos sobre a tela branca sem nenhum compromisso me remete a um passado nostálgico, em que essa era minha rotina: escrever todos os dias: buscar inspirações: encontrar tempo: encontrar a policromia da vida. 

Então aqui estou - tentando voltar, dois anos depois, ainda meio de ressaca. Com os olhos cheios d'água, por algo que me tocou tão profundamente inda agora - e como foi forte: a lembrança de quando me descobri grávida, absolutamente surpreendida pela missão que me fora confiada. Pela rejeição àquele que já me habitava. No desespero de quem sentiu as asas amputadas, o chão sumir, o peso da 'inconsequência', a incerteza do futuro, a certeza da solidão. "Não quero, não vou ter esse filho" - eu repetia.

E chorava - constatando a ineficácia de qualquer mecanismo de controle. Constatando, desde aquele milímetro de feto, que eu seria incapaz de abortar. O que eu abortaria seria meu discurso feminista da vida inteira.

Tive coragem de escolher. 
"Ainda bem" - dizem. 
"Ainda bem" - digo.

Antonio faz tudo valer à pena? Foi a pergunta-brinde que ganhei esta noite e que me fez escancarar esta ferida e curar o que faltava desse pedaço de história. 

Antonio é meu mestre. O mestre te ensina pelo amor e pela dor. Te ensina por vias escusas e tortuosas, mas sempre com muita ternura e compaixão. Ter um filho é um salto quântico na existência, sem dúvida o maior desafio da minha vida. Ter um filho é aprender a ser filha. É o ato mais altruísta da humanidade. É tomar consciência de todos que vieram antes de você e tornaram isso possível. Ter um filho é insanidade, psicodelia, cura e recompensa. Muitas coisas valem à pena sem filhos, não posso ser hipócrita. Mas quase tudo vale mais à pena com eles.

Honro minhas escolhas e agradeço a guiança que acompanha minha estrela. 


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

de repente, 2015!

Faz uns meses que to tomando fôlego pra escrever e de repente amanhã já é ano novo! A vida deu uma guinada de 360 graus em looping, a rotina me engole, o cansaço de consome, a necessidade de sobrevivência se impõe. Sigo adiante, sem escrever, sem expressar, pra não desmontar. Mas esse seu sorriso maroto sempre presente me dá confiança no ser humano. Estou com saudades de quem eu era, sinto uma falta IMENSA da minha independência, mas olhar para você dormindo ou mamando ou gargalhando me faz lembrar que esta missão é muito maior. E quer saber? Acho que com todos os percalços, tô me saindo muito bem! E não sei como seria sem a presença dos seus avós maravilhosos, que nos lambem como crias pequeninas que nunca deixaremos de ser. E sem os amigos incríveis que cultivei ao longo da vida, que estão conosco pro que der e vier! E sem seu pai, sem o qual você simplesmente não existiria...

2014 foi um ano duro. Que em 2015 a gente consiga mais leveza (venimim, levezaaaa!!!). Que eu seja mais corajosa pra me jogar com você no mundo. Que a gratidão, a positividade e a confiança permeiem todas as nossas relações. Que a nossa saúde siga perfeita. Que a vida siga nos presenteando com encontros mágicos, abundância, amor e felicidade. Porque a gente merece. Feliz novo ano.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

nunca entendi tão pouco de tudo

...faz hooooras que estou com essa página aberta esperando as letras surgirem magicamente, um download divino baixar e que dele nasça um texto inspirado e publicável. Mas ele não vem! Talvez seja mesmo o momento de admitir como me sinto confusa, atordoada, esquecida, frágil, impaciente, faminta, sonolenta, solitária... grávida?! sim, talvez seja mesmo o momento de admitir como me sinto grávida, com tudo o que isso traz de maravilhoso e de... esquisito?

Fico aqui imaginando que nove meses é pouquíssimo tempo pra se preparar pra tudo isso que está por vir. A sensação é de que nunca estarei pronta. Claro, a graça toda está na surpresa, nas descobertas, nos aprendizados gigantes, nas mudanças - isso é o que sinto. Mas a mente não dá tréguas: custava a gente poder desvendar um pouquinho desse mistério antes dele acontecer? É tanta ansiedade, um sem fim de incertezas, expectativas, um tanto de querer fazer planos, dividir tudo o que se passa. E ao mesmo tempo, um silêncio, uma necessidade de estar quieta, aproveitando cada segundo, cada movimento, cada sensação nova... ufa, sei lá. Nunca entendi tão pouco de tudo.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

cha-cha-changes!

Em tempo de tantas reviravoltas sociais, chacoalhões políticos, tormentas populares, não me deixo tomar pelo entusiasmo excessivo, pela onda de otimismo de que amanhã vamos acordar num novo Brasil. Fico desconfiada, conheço meu galinheiro: sei que somos capazes de nos esvaziar com a mesma intensidade, rapidez e fulgor com que nos inflamamos. Somos um povo passional, apaixonado, apaixonante com tudo o que isso tem de bom e de ruim. De qualquer forma, estou feliz e orgulhosa por este levante. Independentemente de seus resultados concretos, já cumpriu um efeito simbólico muito importante. As crianças, por exemplo, estão vivenciando plenamente um processo de cidadania e, com fé, orquestrarão uma geração mais consciente, menos apática do que a nossa. É assim que ocorrem as mudanças, p-a-u-l-a-t-i-n-a-m-e-n-t-e. São questões culturais muito profundas que devem ser revistas e mudadas. Isso leva tempo. E amadurecimento. Confesso que hoje, cantando o hino nacional em coro, grávida de quatro meses, me arrepiei de verdade por um par de vezes. Os cabelinhos dos braços chegaram a se ouriçar e os olhos ficaram mareados. Senti a energia da coletividade pulsando, as pessoas realmente vendo sentido naquilo que estavam fazendo. Não éramos poucos, nem muitos, éramos apenas o número exato para aquele momento. E não há melhor sensação de plenitude do que a sensação de paz e suficiência.

domingo, 2 de junho de 2013

Oração da Serenidade


Concedei-me, Senhor, a SERENIDADE necessária para aceitar as coisas que não posso modificar. CORAGEM para modificar aquelas que posso e SABEDORIA para distinguir umas das outras.

domingo, 26 de maio de 2013

aventura

Que grande aventura é a maternidade! Eu, que amo viajar, comparo esta espera à preparação de uma viagem para um destino longínquo. Muitas expectativas boas, mas muitas inseguranças. Você lê tudo a respeito do lugar, pega dicas com quem já foi, mas as incertezas permanecem, porque a experiência de cada um é única. Você coloca na mala um monte de coisas que depois acaba por não usar. Planeja rotas que desviam e paradas que não faz. Conhece estranhos que fazem algo dar muito certo naquele dia em que você estava sozinha esperando o ônibus (errado) debaixo de chuva. Conhece a todo instante pessoas que te mostram novos caminhos e que passam a fazer para sempre parte da sua vida.
A maternidade tem sido, até agora, uma grande viagem. Uma revisão. Revejo tudo o que vivi e agradeço.Revejo uma juventude plena, bem aproveitada, rica de experiências em todos os sentidos. Revejo medos que supunha muito bem resolvidos mostrarem suas garras novamente. É hora de encará-los! Revejo conceitos e a necessidade constante de mudar para evoluir junto com esta estrelinha que vem para abrilhantar ainda mais minha vida. Vejo meu corpo e honro o cuidado que até hoje tive com ele, preparando-o para esta jornada. A metamorfose física diária é uma magia, um mistério, uma dádiva. Vejo que esta é a melhor hora da minha existência para partir para esta imensa viagem.
Estou arrumando a mala com toda a dedicação para ter nela tudo o que eu precisar. Sei que vou esquecer algumas coisas, mas é bom pra aprender a improvisar. Deixo de lado mapas e guias e me entrego ao desconhecido, vou pelo caminho da intuição, confiante de que sempre encontrarei pessoas maravilhosas dispostas a nos acompanhar.
Bem vindo, filho.

sábado, 11 de maio de 2013

vida definitiva

Estabilidade é uma ilusão. Não acredito nela, nem a desejo, pois é através do movimento que se atinge o equilibrio. Gosto da vida em movimento e do movimento da vida. Só estou um pouco cansada de sua provisoriedade. Não quero mais uma vida provisória, me sujeitar a algumas coisas só porque "é por pouco tempo". Quanto tempo é pouco tempo? No provisório, pouco tempo pode ser muito tempo - como é meu caso. O tempo da minha provisoriedade expirou. Agora preciso de algo mais "definitivo", se é que se pode chamar assim. Um armário pra guardar roupas de cama cheirosinhas, pés se encostando sob os lençóis todos os dias, um trabalho que eu ame, macarronada na casa da mamma aos domingos, ver as plantas que eu plantei crescerem, comer dos frutos que elas dão, voltar a estudar. Uma vida com alguns horizontes, digamos assim... Aqui o horizonte é maravilhoso e único, mas é limitado, apesar de tão imenso às vistas. Não, não é só a maternidade que me enraiza, já sentia isso antes, mas agora pode ser mais intenso, mais necessário. Novos caminhos, novos rumos. Saudades sempre de tudo o que ainda nem vivi.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

ligeiramente grávida

Sobre o que vou escrever depois de tanto tempo longe dessas linhas?
O que posso dizer das preparações invisíveis para este momento...? O que dizer deste momento?
...
Quando me olho no espelho, apesar dos 31 anos bem vividos, acho que ainda sou uma criança. Não sei nada da vida, não tenho respostas nem pra mim mesma, cada hora quero uma coisa, estou sempre à espera do tufão que vai me arrebatar, que vai gerar a mudança.
Desta vez o tufão chegou, mas eu ainda não sinto toda sua intensidade... Isso me faz pensar (um pouco aterrorizada) que não estou pronta para ser mãe. Mas será que existe o momento de "estar pronta" para ser mãe? Essa coisa toda aconteceu tão inesperadamente e, de repente, se tornou o elemento central da minha vida com uma rapidez avassaladora... nem eu mesma sei mais que lugar ocupo na minha vida. As pessoas agora me encontram e não me perguntam mais: "tudo bem?".
Perguntam: "como vai o bebê?".
Respondo simpática: "ESTAMOS ótimos, obrigada...!".
Mas eu sei lá como está o bebê??? Ele ainda tem o tamanho de um grão de bico, ele deve estar bem, suponho. Se eu estou bem, ele está bem, não?!
Outra coisa é o assunto central de todas as conversas agora ser sobre grávidas e gravidez. Gente, eu estou grávida, mas não sei falar só disso, tá??? Aliás, por enquanto sei falar bem pouco disso... Tô ótima, não tô enjoando, não tenho desejos e... vamos mudar de assunto?! :)

A verdade é tudo isso é mentira. Eu queria poder conversar com outras grávidas, isso sim. Queria poder segurar na mão do meu marido e dividir com ele as impressões novas de cada momento... quero a minha maããããe, e minha dinda e todas as mulheres do mundo!!!! Aqui isolada, pouca terra e muito mar, parece que a solidão se multiplica por mil. Aí fico querendo fugir do que não consigo controlar, principalmente dessa sensação de não saber nada... eu queria era conversar sobre isso 100% do tempo, só falar disso, só pensar nisso, só ler sobre isso... mas acho que pra me proteger, acabo disfarçando. Ainda tenho uns dias: por enquanto a barriguinha ainda não tá aparecendo com aquela volúpia toda, então eu posso continuar fingindo que estou só ligeriamente grávida.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Babanam Kevalam

Hoje me dei conta, novamente, de como os hologramas são poderosos. Me deu uma saudade do Visão Futuro, onde as percepções começaram a se abrir, onde conheci tantas pessoas que vivem suas vidas de maneira diferente, que realmente são motores de transformação, exemplos de fé, de amor, de união.
Um dia, não muito distante, desejei viver em comunidade. Não sabia muito bem como, por onde começar, que trilha seguir – e nem imaginava que isso de fato pudesse acontecer na minha vida. E por caminhos tortos, realizei este desejo sem nem mesmo perceber. Silenciada na minha solitude, almoçando o que plantei e colhi, captei a simplicidade e o merecimento de estar vivendo esta grandiosidade. Honrei minha coragem, minhas escolhas, minhas dores todas – que não foram poucas. Respeito as ondas da vida. Degrau por degrau, aceito que sou boa e má, generosa e apegada, sorridente e melancólica. Hoje eu não sei muito bem por onde começar, mas daqui a alguns anos tenho certeza de que vou olhar pra trás e comprovar que realizei meus desejos mais profundos, sem nem perceber.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

31

De repente percebo que começo a ter rugas. São marcas indeléveis de uma vida intensa, lindamente construída sobre minhas vontades e escolhas. Trago marcas pra todos os gostos, de tristezas profundas e alegrias indescritíveis, amores muitos, viagens loucas, poucos excessos, porque sempre amei muito meu corpo.
Mas viver conforme a orientação da minha alma é muita guerra. É preciso buscar coragem lá no fundo do coração, coragem para agir com fé a amor, coragem para desapegar-se do que não está para mim. Eu, que pouco me importo com “os outros”, me percebo triste ao constatar que um ato tão puro como agir a partir das vontades da minha alma gera incompreensão alheia. Aos olhos dos outros parece descaso, parece loucura, mas na verdade é só altruísmo, porque quando você liberta, está prestando um serviço a várias dimensões, não só a você mesmo.
Esta não é a primeira solidão da minha vida – e nem será a última. Já sobrevivi antes, às vezes mais morta do que viva, e aqui estou, mais viva e fiel do que nunca. Eu amo demais, amar é coisa muito boa. E parto para novas viagens com o coração aberto, pra mostrar fotos ainda inéditas, contar e ouvir causos e descobrir novas canções.

sábado, 14 de julho de 2012

nice 'n' easy

Estamos a caminho do nada. Não adianta contemporizar, adiar, fingir. É preciso de uma boa dose de coragem para admitir certas coisas, e de alguma praticidade para seguir em frente. Coragem me sobra, praticidade me falta. É que eu preciso traçar algum objetivo, começar um livro novo, começar a escrever outro livro, comprar uma casa - ou um all star - para me sentir segura do próximo passo. Preciso cuidar de mim pessoalmente, seguir um pouco os conselhos que dou pros outros. Cuidar do meu coração.
Estamos a caminho do nada,  mas você não percebeu. Eu estou pretensiosa, ambiciosa, voluntariosa. Dei um nó em mim mesma e não consigo desatar. Você é um laço de setim: esvoaçante por aí, sem amarras. Eu não queria deixar de te amar, mas é meu dever te alertar que andar a caminho do nada não me faz te querer bem. Já jurei muitas vezes não mais colocar pontos, apenas vírgulas. Mas não consigo viver com este desconforto por tempo nenhum. Paciência é uma virtude que me falta. Então ponto. Estamos a caminho de um fim doloroso, porque todos os fins são mais ou menos dolorosos, mas eu não gostaria de ser protagonista desta vez. Eu não quero mais ser protagonista de fins, entende? E pra isso, não posso começar grandes coisas. Sim, parece contraditório à minha natureza, me privar da vida assim para não sofrer. Mas é uma escolha sensata, depois de tudo. Então me ajuda a fazer tudo isso ser fácil e leve, sem muitas delongas. Nice and easy, pra que o amor permaneça entre nós.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

cuca fresca

Este post eh sobre muitas coisas - essa eh a desculpa que eu dou quando minha cabeca nao consegue organizar tudo que eu tenho pra dizer.
Estou revendo muitos dos meus conceitos aqui na India. Eh uma viagem transformadora porque todas sao, mas sobretudo porque resolvi mergulhar em mim - coisa que poderia ter perfeitamente feito no Brasil, mas nao sei porque resolvi fazer aqui. Enfim, como ja escrevi em algum momento, esta eh uma viagem pra dentro.
Comecei a fazer um tratamento ayurvedico (medicina tradicional indiana) de alguns dias. Procurei alguns medicos, fui conhecer clinicas e optei pela Dra. Usha - eu desconfio que as mulheres consigam entender mais sobre as questoes femininas, sera?
Conversamos por mais de uma hora, ela me fez muitas perguntas sobre meus habitos, meu estado de saude e como encaro as situacoes da vida. Depois de definido o tratamento, decidi comecar no dia seguinte - nao foi uma decisao facil: o tratamento seria via anal. Engracado, pensei, os indianos tem todo esse pudor com o corpo de nao poder se mostrar, se tocar... mas na hora de enfiar o dedo no cu do outro, tudo bem, ne?! E ao mesmo tempo, nos ocidentais temos toda a liberdade com o corpo, usamos fio dental na praia, mas em geral temos uma imensa dificuldade em lidar com o corpo-verdadeiro, com suas manifestacoes absolutamente naturais. Confessa ai que fazer coco na casa do cara onde voce dormiu pela primeira vez na vida eh a coisa mais facil do mundo?! Ou que voce nao vai morrer de vergonha se, no meio daquela festinha com seus amigos mais cools, sair correndo pra vomitar? Ishh, nao deu tempo de chegar no banheiro??? Ai voce quer abrir um buraco no chao e se enterrar ate ninguem mais lembar que voce existiu! E aquele pum que nao da mais pra segurar?! Voce se alivia fisicamente, mas o peso na consciencia nunca foi tao grande, fala a verdade? Ainda por cima, olha pro resto da galera que ta na mesma sala com aquela cara de "poxa, que sem nocao soltar esse peido aqui, hein?!".
Pois eh, aqui isso nao existe. Arrotos, escarros, vomitos e quetais sao manifestacoes NATURAIS do nosso corpo - justamente - e portanto consideradas com tal naturalidade. Quem foi o imbecil que inventou que a gente nao pode arrotar em publico?? Meu pai sofre de esofagite ha decadas e sempre foi um problema em casa quando ele passava mal durante as refeicoes. O coitado tinha que ficar aguentando caras feias e, constrangido, se levantava da mesa para que o corpo pudesse se manifestar em paz. Mesma coisa com os escarros: sempre achei deploravel a mania dele cuspir na rua, mas se eu nao tivesse engolido tanto catarro na minha vida, certamente estaria respirando melhor agora. Minha existencia estaria mais leve.
De maneira alguma acredito que seja justificavel a falta de higiene dos indianos e alguns habitos, que, apesar de saudaveis, sao muito radicais para minha mente obtusa ocidental. Mas acredito sim que temos muito o que aprender com eles. Nao, nao se preocupem: nao vou voltar pra casa sem simancol - certas coisas estao tao enraizadas em nossa cultura, que nem paramos para pensar se poderia ser diferente - so quando nos deparamos com situacoes opostas a tudo que praticamos ate hoje.
Trocando em miudos, meu tratamento foi tao simples quanto tomar um comprimido. A naturalidade com que a terapeuta me tratou foi tamanha que, no segundo dia, eu ja estava achando normalissimo. E depois de tudo, ganhei deliciosas massagens a quatro maos, saunas, e um oleo na cabeca "efeito-bala Halls". Minha cuca ficou fesquinha, fresquinha...

Em tempo: dentre todas as vontades do nosso corpo alheias a nossa racionalidade, a que considerei mais absurda de tentarmos conter (se eh que tem alguma menos ou mais absurda...) sao nossas lagrimas. Por que sera que elas sao motivo de tanto constrangimento e sempre associadas a tristeza?? Deixa vir, deixa chorar. Na melhor das hipoteses, seus olhos vao ficar limpinhose lubrificados, prontos para enxergar melhor as belezas do mundo. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

contrarios complementares

Eu gosto de uma boa feijoada com cerveja. Mas nada como uma salada fresca, crocante, vegetais recem saidos da terra regados a azeite de oliva estourando na boca!
Eu adoro a noite, a madrugada, seus brilhos, suas lascividades, sua libertinagem, mas que delicia colocar o corpo para descansar cedinho e acordar com os primeiros raios de sol convidando para uma linda pratica de yoga. Confesso: sou chegada numa cama, adoro ficar nela hooooras, de dia ou de noite, sozinha ou acompanhada. Sou bastante dorminhoca. Mas o que dizer da manhazinha, com seu frescor e suas cores palidas, na certeza de que ainda tem um dia inteiro para inventar pela frente??
Adoro viajar, mas nao ha lugar melhor do que a minha casa - onde quer que ela seja, neste momento de suspensao.No fundo, sou caseira, adoro curtir o lar, arrumar, perfumar, embelezar, mas sou rueira como poucos: o pe ta sempre na soleira da porta, pronto pra pisar delicadamente nas delicias do mundo.
Na verdade, eu sou faladeira pra caramba. Gosto mesmo eh de contar causos nos minimos detalhes durantes noites ragadas a vinho bom. Mas impagavel eh o prazer de saber ouvir calada para absover, aprender.
Amo a musica - entre todas as minhas paixoes, esta eh, sem divida, a numero um. Mas descobri como o silencio acalma, traz consciencia e toca num lugar onde musica nenhuma se atreve a entrar. Eh a musica da alma.
Estar em bando entao... rodeada por amigos queridos, eh certamente uma das coisas mais prazeirosas para mim! Mas como nao apreciar em igual medida a solitude, com toda sua melancolia e profundidade?!
E tem mil outras coisas que eu adoro, como gosto de seus contrarios, muitos diriam "inconciliaveis", eu digo "complementares". A vida eh uma grande lousa onde da pra riscar varios caminhos, mudancas de rota, escolhas aparentemente opostas, todas as experiencias e vontades. Eh pra isso que estamos aqui: pra riscar essa lousa louca com vontade, sem apagador.
Eh bom assim: esse vortice me faz sentir viva, eu gosto! Se bem que um pouco de quietude nao eh nada mal... eheheh...!

terça-feira, 20 de março de 2012

elas estão casadas

Eu sei que de repente trinta. Saímos do país, de casa, da cidade, da terra firme em momentos diferentes, mas nunca nos separamos de fato. Somos muitas, o suficiente para fazer uma bagunça boa, fechar o bar, rir até dobrar - até passar vergonha. Perdi a conta de quantos brigadeiros de colher fizemos, de quantas vezes choramos no colo uma da outra - por homens, é claro. E depois por muitas outras razões triviais. Viajamos juntas, menos do que eu gostaria, mas nunca é tarde. Celebramos nascimentos, mortes e muitas separações. Intensamente. Brigamos, sem dúvida, porque o conflito é fundamental. Mas crescemos e nos entendemos. E, por mais maluco que tudo possa parecer, nos apoiamos. Acreditamos em nossas buscas. Então agora, de repente, como os trinta que chegaram num bater de asas, estão todas "casadas". O que era uma virou dois. A família cresceu com pessoas legais. E eu chego de longe, olho de perto, e vejo todas felizes, com brilhinho nos olhos e contando histórias, zelando pelo amor. Eu as vejo fazendo malas, fazendo planos, comprando passagens-destino-felicidade. E me sinto orgulhosa: meninas de janela que viraram mulheres incríveis. Viva o amor e a amizade. Sempre.