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quinta-feira, 26 de março de 2020

fruta com amor no nome

Antonio e eu passamos 3 dias colhendo amoras, sonhando uma geleia. Intensas caminhadas, buscando amoreiras: será que o passarinho comeu? Será que já amadureceu? Deixa eu subir no pé pra colher as que estão mais altas! E sempre se apresentava uma linda surpresa de encher mãos e potinhos improvisados, até termos a quantidade suficiente para fazermos a geleia. Me lembrei da minha infância na Itália: "Robi, andiamo a fare i frutti di bosco?". Aí a gente pegava a cestinha e se embenhava pelo mato. "Frutas do bosque", rasteiras ou arbustivas, entre elas amora, framboesa, moranguinhos silvestres, mirtilos... E depois da colheita, minha tia Emilia preparava uma marmelada para rechear a "crostata". Lembranças tão doces...

Na última sexta-feira, ela partiu, vítima do vírus. Foi uma dor tão grande que o tempo parou. Essa mulher foi minha segunda mãe, minha avó, minha tia em tempos tão distintos da minha vida... Me ensinou a plantar, a amar a natureza, a acampar, a parir nenéns, a viajar, a cozinhar tantas delicias... então entendi que esse lance todo das amoras foi nosso ritual de despedida. Minha geleia virou na verdade uma marmelada, com a consistência exata para rechear uma crostata - como as que ela fazia.

Siga na luz, zia Emilia.



sábado, 20 de julho de 2019

alucinação

Embarcamos na estação Vila Madalena num domingo frio, perto das 23h. Antonio cansado de um dia de muitas brincadeiras, logo se aconchegou para uma soneca no banco duro do metrô vazio. Meu celular estava sem bateria, então já havia combinado com meu pai pelo telefone da Nicole para ele nos apanhar na estação Paraíso dentro de 10-15 minutos.

Sempre me dá alegria a boniteza dos rostos de vidro na estação Sumaré. Então sorrio. E ele entra no vagão. Fones no ouvido, volume mais alto do que o necessário - nessas horas, sempre me lembro do Daniel dizendo que estamos forjando uma geração de surdos. Bonito não seria bem o adjetivo para defini-lo, mas aquele ar de hipster abandonado me fez olhar para ele duas vezes sorrindo. Então ele ocupa o assento preferencial ao nosso lado. Seus poros exalam cerveja de uma tarde de domingo com os amigos. Faço carinho no Antonio. Tenho a impressão de ser uma mãe imaculada para a qual não se pode olhar, sorrir, tocar - pensei em sair por aí com um cartaz: "sou main mas não to morta!". Meu sorriso não foi retribuído nem por gentileza e foda-se também - mal sabia ele que eu sorria por dentro e não era pra ele.

De repente, um solavanco. Metrô para de supetão pouco antes de chegar ao Trianon Masp. Não é uma freada normal, é uma parada brusca. Motores e ar condicionado desligam imediatamente. Alguns segundos em silêncio no meio da galeria escura. Então ele retira os fones e pela primeira vez me olha buscando alguma conexão, algum reconhecimento, certa reciprocidade.
- Estamos parados por motivo de usuário na via, anuncia o condutor.
E ali ficamos por 10 minutos, que viraram 15, 20. Havia pouca gente no vagão, mas já se comunicavam com familiares e amigos "tamo aqui por causa de um filho da puta que resolveu se matar", dizia um. "Vai atrapalhar a vida das pessoas num domingo à noite, ah, faça-me o favor!", dizia a outra. Ele só mandava mensagens de texto e começava a suspirar ansioso. Da estação se ouviam comandos no microfone de códigos incompreensíveis: "todas as estações, DX56" Também comecei a ficar aflita porque queria avisar meu pai sobre nosso atraso.
- Será que eu posso usar seu telefone? Estou sem bateria e preciso avisar a pessoa que está me esperando na estação.
Ele me passou o celular com o rosto aflito.
"Pai, sou eu. Estamos parados no Trianon por causa de usuário na via. Sem previsão. Espera a gente".
"Estou sabendo. Estou na estação Paraíso. Teve um óbito aqui" - foi a resposta.
Olhei para aquela mensagem incrédula e passei o celular para ele com os olhos mareados. Ele leu e segurou a cabeça entre as mãos.
- Vivemos tempos difíceis...
Foi a única coisa que consegui dizer. Aliviada porque Antonio dormia e não precisei explicar para ele o que estava acontecendo, por que alguém faria isso? Calou fundo em mim a imagem de uma garota se atirando nos trilhos num domingo gélido. Como iria dormir aquele condutor de trem naquela noite? Um inocente escolhido a dedo para matar alguém. Como entender o tamanho do drama de alguém que resolve tirar a própria vida? Como manter a coragem em uma sociedade tão adoecida e desequilibrada?

Fui invadida por milhares de perguntas sem respostas. Senti calor, depois frio, depois falta de ar. Ele também ficou desbaratinado. Me olhou em busca de acolhimento. Aquele vagão vazio parecia imenso e aqueles minutos, eternos. Não precisamos falar nada. Aquela tragédia nos unia irremediavelmente de uma forma única. Apenas nós dois ali sabíamos o que havia de fato acontecido. 30 minutos dentro de um vagão parado, instantes de luto para elaborar minimamente o ato corriqueiro de sair dali e chegar em casa e tomar um banho e comer alguma coisa e colocar a cabeça no travesseiro e acordar de novo e tomar mais um metro e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Porque no fundo é isso que estão querendo fazer parecer: que nada acontece. Tudo é banal e estamos perdendo a capacidade de nos afetar para garantir nossa própria sobrevivência.

O metro começou a andar vagarosamente. Chegamos na estação Trianon, alguns passageiros entraram e uma moça disse que alguém havia se machucado bastante. Ao chegar no Paraíso, um suspiro de alivio. Num ato de gentileza, ele pegou minha mochila e disse: - Também vou desembarcar aqui. Acordei Antonio e saímos do vagão. De pé, os três na plataforma sem saber muito como se comportar. Pensei em apenas pegar a mochila e agradecer, mas ele então se aproximou, me deu um abraço demorado que só dois cúmplices podem dar.
Nos perdemos no meio da multidão com a promessa de não olhar pra trás.

A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia

E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais

[Belchior]

 
   

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

senhora morte

A vida é mesmo um sopro. Osho diz que a morte sempre acontece com a exalação e o nascimento com a inalação. A exalação e a inalação estão acontecendo continuamente. Com cada inalação você nasce; com cada exalação você morre. Mas a gente nunca acha que exalou o suficiente. Nosso maior apego é à vida. E você me pergunta: o que aprendemos de tudo isso? O que as pessoas fazem de diferente, frente a uma nova oportunidade de vida? 

Elas não fazem nada porque não conseguem olhar com sinceridade nos olhos escuros da morte. 

Somos seres tão pequenos que não conseguimos enxergar a imensidão da existência. A ideia de que nos encerramos aqui é tão estreita! É isso que devemos aprender: a viver com pura confiança no mundo espiritual e sem qualquer segurança na existência. Mais uma vez a vida me coloca diante do luto alheio, uma dor imensa que eu nem consigo por em palavras. Eu nem sei o que dizer, eu queria mesmo é te abraçar por muitas horas. Desejo que você possa chorar. E que você consiga mergulhar fundo neste entendimento. Que você consiga externar todo seu amor para que o arrependimento nunca seja uma mágoa. Você pode dizer qualquer coisa agora, como sempre pode (mas não disse). Agora você pode: então diga. Você pode se ajoelhar e pedir perdão. Você pode se surpreender com o que vai ouvir. Deixe-se surpreender então! A proximidade da morte traz clareza a quem está partindo.

Que o caminho seja leve. e breve.

"Estamos vivos, e a morte nos aguarda. Esta é a única verdade que importa. As demais...são nada!
Um mortal consciente não pode permitir semelhante desperdício de seu tempo único e breve sobre a terra. Um mortal consciente é um guerreiro que faz de cada ato, um desafio - o desafio de beber a essência da vida, a cada instante. O desafio de viver digna e impecavelmente seu momento, como sua força lhe permite. Um mortal desfruta e saboreia o valor de cada momento precioso, porque sabe com toda certeza que a morte o espreita e que seu encontro com ela terá de cumprir-se sem lugar a dúvidas.

Como a morte pode chegar a qualquer momento, um guerreiro se dá por morto e considera cada ato, seu último ato sobre a terra.

Um ser que dá o melhor de si mesmo a cada ato, tem um poder especial. Tem uma força e um sabor que não pode comparar-se com as chatas repetições de um mortal. Por isso, o guerreiro tem a consciência da morte como a pedra pilar de todo seu conhecimento e de toda sua luta".

Carlos Castañeda


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

despedida

Eu queria ter tido a chance de me despedir de você. De olhar lá no fundo dos seus olhos para desvendar o que sua alma guarda. Eu queria poder te dar um abraço demorado. Dizer que sinto muito. Sentir seu coração batendo pra ter certeza de que ele não congelou. Eu queria te dizer o quão injusto foi fazer tantos planos e deixar que eles derretessem como gelo no sol. Eu queria ouvir de você que existe outra pessoa, porque só assim essa ruptura covarde, virtual e insensata faria algum sentido.

Eu queria te ver frágil e sensível, sem máscaras.

Queria que se deixasse amar - independente de haver ou não algo entre nós. Eu queria mesmo que você pudesse receber este amor que estou cultivando em mim - não este amor banal, carnal. Amor de Ser Humano. Queria eu também receber seu cuidado. Não este cuidado de homem/mulher: cuidado de Ser Humano. Gente que se cuida porque se importa.

Mas nada mais importa. E não sei se algum dia de fato importou. Hoje acho que tudo não passou de um grande mal entendido. Chego a pensar que aquela manhã ensolarada podia ter amanhecido nublada e chuvosa, assim quiçá nunca teríamos nos cruzado na vida. Mas não há como mudar o que foi. Só há como mudar o que é. Essa dor que me rasga o peito, essa incompreensão, esse vazio que você deixou em mim: isso vai mudar. Hoje.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

perdas e ganhos

Um tufão passou por aqui bagunçou um pouco a vida, mas deixou bons legados.

Ganhos
- Voltei a usar Phebo (como algum dia eu pude deixar de usar?!).
- Retomei a escrita afetiva.
- Comecei a sonhar de novo.
- Descobri que óleo de coco é bom pra tudo (mesmo).
- Me lembrei que qualquer coisa é possível.
- Percebi que há dores imensuráveis - e que as minhas são minúsculas.
- Me dei conta (sem me dar conta) que amor não é sexo e sexo não é amor.
- Reafirmei que os opostos não se atraem. Se distraem.
- Quebrei (mais) paradigmas.
- Superei alguns (poucos) preconceitos.
- Percebi que nem todo fim precisa ser dramático. 
- Descobri que quanto menos a gente procura, mais a gente acha.

Perdas
- Você.







sexta-feira, 29 de setembro de 2017

elevador geolocalizado

Apressada como sempre, amarrou o cadarço no hall enquanto esperava o elevador chegar. Atrasada como sempre, entrou afobada já pegando o blush de dentro da bolsa. Até chegar no térreo daria pra dar um tapa (na cara). Esta cara ainda jovem, de uma menininha, diziam alguns (uma leoa, na verdade). 

Lançou um olhar de poder pro espelho. Ainda daria tempo de passar o rimmel. De repente sentiu o solavanco do elevador, parou no 4. Abre a porta aquele moço grisalho simpático. Ele tem uma moto dessas grandonas, os menino pira tudo na moto do cara. 

- Bom dia.
- Bom dia.
O bom dia foi meio desprezível, de costas mesmo. Os olhos se cruzaram no espelho do elevador. Tantos anos morando no mesmo edifício e ela nunca havia percebido que esse moço poderia ser interessante. Na verdade ele não era - não para ela. E o fato deles terem se cruzado num aplicativo de relacionamento geolocalizado na noite anterior não o tornava mais interessante. A única coisa que eles pareciam ter em comum realmente era morar no mesmo prédio.

- Tudo bem? 
- Tudo... e você?
- Seu cadarço tá desamarrado.
- Ah, nossa, to sempre correndo apressada... amarrei o de um pé só (risos).
- Não se apressa tanto não...
- Como?
- Tive um infarto no mês passado. Eu estava sempre muito apressado. 

O elevador chega no térreo. Ele abre a porta sorrindo.

- Desculpa te falar assim, é que depois dessa experiência eu aprendi tanto...
- Imagina...uau, mas que bom que você está bem, né? Recuperação rápida!
- Quase morri. E quase morrer é uma sensação muito louca. Na verdade eu acho que morri mesmo, porque agora sou outro. Você tá indo pro metrô?

De repente, ela sentiu ternura por aquele homem. Como se compartilhar um milimetro de intimidade tivesse o poder de tornar as pessoas subitamente interessantes.

Em apenas quatro andares.

- Estou sim. Como você se chama mesmo?
- Luiz, prazer. Eu também to indo pro metrô. Vamos juntos?
- Vamos. Prazer. E feliz vida nova :) 

Pra quê mesmo a gente precisa de aplicativos de relacionamentos se a gente pode conhecer as pessoas no elevador?


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

saudades de você

Ando de saco cheio desses hóspedes. Descobri, nestes poucos meses de experiência no ramo hoteleiro, que ser uma boa recepcionista é MUITO difícil. Chamar o hóspede pelo nome, perguntar como foi o passeio, preparar um mimo, sorrir sempre, estar sempre disposta a conversar, contar sua história, fazer indicações certeiras sobre o que ver, onde e o que comer, providenciar todas as solicitações em 5 minutos e, acima de tudo, fazer cara de paisagem quando eles começam a xingar seu país, reclamar da perereca que entrou no quarto ou do buggy que quebrou no meio do caminho... é foda!!!!!!! O ser humano é muito louco! É bem legal, por outro lado, fazer parte do sonho dessas pessoas. A maior viagem é você indicar um lugar e dar tudo certo, eles voltarem satisfeitos e te agradecerem por isso, dizendo que foi inesquecível. Raro, mas acontece. Eu mesma, que nunca fico em hotéis chiquetosos quando viajo, guardo lembranças incríveis de pessoas que me hospedaram e que me cobriram de atenção e carinho. Então, via de regra, procuro fazer o mesmo, mas está sendo difícil ultimamente. Só que hoje chegou um casal de espanhóis muy distinto. Muito rico, muito raça-superior. Olhei pra ele, que deve ter seus setenta anos, e tinha todas as razões para considerá-lo mais um chato-perguntador-de-coisas-exóticas-e-repetitivas. Ao contrário disso, me bateu uma incrível ternura. Não fez muito sentido, mas cuidei do check in deles de maneira exemplar, apresentando a pousada e conversando sobre o céu azul, o mar e a paz. Ambos muito sérios, foram se derrentendo com minha receptividade. Foram ver o pôr do sol na praia, programaram passeios e sairam pra jantar. Nessa hora, entraram na recepção para entregar as chaves e o Sr. Luis me disse: "sabe que você se parece muito com a minha neta?". Eu fiquei em silêncio por alguns segundos. E de repente, entendi tudo: "...sabe que o senhor se parece muito com meu avô?!", respondi. Ambos sorrimos. Ele deixou a chave em minha mão e, junto com ela, um olhar profundo, como quem traz um recado. E um perfume intenso que meu velho sempre deixava em mim quando passava, onde quer que fosse.
Olhos mareados. Vida curta pra tanta saudade.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

morte súbita

Às vezes, pra se sentir vivo, é preciso morrer um pouco. Viver muito alimenta minha loucura necessária. Viver pouco, me deixa insossa e desinteressada. Assim, de quando em vez, preciso morrer. É uma precisão quase vital de parada cardíaca, pra sentir o sangue quente formigando pelo corpo, quando o coração volta a bater. Como em apneia, aquela breve sensação de desespero quando o ar escasseia: um prazer imensurável quando se atinge a superfície para respirar. Eu preciso encarar o precipício, sentar na beira e ficar balançando as perninhas, até um vento forte bater pra me fazer sair dali. A natureza é sábia demais. É nela que me miro: na sua força e imprevisibilidade de morrer sempre um pouco para viver muito (e mais).

terça-feira, 21 de setembro de 2010

la nevera se muere

Minha geladeira dá sinais de falência múltipla de órgãos. O médico já veio aqui em casa visitar, tentou reanimá-la, mas não adianta. Ela quer mesmo se despedir desse mundo. Isso é ótimo e significativo em um momento em que estou mais é querendo esquentar a vida e descongelar tudo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

a perda

O sol batia dourado no para-brisas. Nenhum ar condicionado podia vencer o calor, secar o suor, nem esvaziar a tristeza. A única coisa desta vida que não tem jeito invadiu nosso carnaval de uma forma cruel e inesperadamente dolorosa. E não há palavra capaz de atenuar a dor cortante, não há como evitar o gosto do fel. O peito feito buraco e as lágrimas que não se devem conter. Não há como não pensar na falta de significado com que vestimos o cotidiano, na pouca importância que damos aos gestos corriqueiros, nos diálogos impensados, naqueles pensados demais, nas raivas guardadas por tempos injustificáveis, nos abraços não dados.

Sabe, essa vida é puro pó.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

dama da noite

A vida tem sido generosa comigo, não posso reclamar. Aliás, sempre foi. E eu, entre tropeços, sempre reclamei. Agora chega, é hora de reconhecer: sou feliz pra caralho.
Mesmo nos momentos mais cruéis, tenho conseguido sentir com clareza e serenidade que tudo está bem, como deve estar.
Ele se despede da vida, à beira dos 83 anos. É triste, claro, mas foi mais que bem vivida! Fui comemorar sua morte, no bar, como ele gostaria, me divertindo, dando risadas e contando estórias.
Ao voltar pra casa, há poucos minutos, senti um leve perfume de dama da noite, uma das plantas preferidas do seu jardim. "Que cosa, no? Parece que está dentro de un vaso de perfume!", ele dizia com seu sotaque enquanto ia nos acompanhar até o carro, depois de jantares de verão. Isso já faz tempo, era quando ele cozinhava suas iguarias das quais se orgulhava tanto.
Saí à procura da planta, deveria estar por perto afinal. E estava. Parei um instante à sua frente, agora inebriada pelo intenso perfume. Mesmo molhada, aquela micro-flor tinha um odor tão poderoso, realmente o velho tinha razão, parecia que estava dentro de um vidro de perfume.
Colhi alguns galhos da flor, trouxe para enfeitar minha sala em sua homenagem. Amanhã vou levá-los para me despedir muito perfumada, como ele certamente gostaria.
Vai, meu velho, vai. Que a vida é muito mais que isso.