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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

o cúmulo da hipocrisia

Ao lado da minha mãe doentinha na cama, fui (quase) obrigada a assistir um trecho da novela das 8 nesta noite chuvosa - quem acompanha este blog, sabe que não assisto televisão já há alguns anos.
Pois bem, além de chocada com a vera fischer, que mais parece uma mumia embalsamada e que, quanto mais o tempo passa, mais se esforça para ser pior atriz, vi uma cena da personagem da letícia sabatella apanhando feio da ex mulher do padeiro francês gostosão, debora bloch (?). Feio mesmo, minha gente! Não foi um tapinha e tchau. Foram vários safanões, chutes no estômago e puxões de cabelo. Uma cena de violência pesada - mas minha mãe contou que a personagem apanhou a novela inteira de vários, então não deve ser novidade. Na sequência, como se nada tivesse acontecido, a atriz silvia buarque (que faz um papel de professora), aparece falando sobre a violência nas escolas, sobre como evitá-la, o respeito aos coleguinhas - aparentemente a novela também aborda temas de violência escolar de modo bastante incisivo. Bom, se for da mesma forma como abordou a cena anterior, certamente será bastante educativo, para que os telespectadores se tornem mais pacíficos no seu dia-a-dia e terminem enjaulados como animais insandecidos.

O efeito catártico da ficção alivia a agressividade real? Ou por fim a identitificação com a ficção pode levar a reproduzí-la na realidade?
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Deus, rogai por nós, que não sabemos o que estamos fazendo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

cala a boca e aumenta o volume

É bem estranho ter um paredão "à la big brother" em frente à janela da minha sala, mas é divertido. Nada muito diferente nos vizinhos, em seus hábitos e loucuras. É na mesmice que está a (des)graça: perceber que nas várias caixinhas vistas pela minha janela, como se olhasse por uma luneta, as pessoas comem em frente à televisão, conversam pouco - e em frente à televisão, dormem em frente à televisão, falam ao telefone em frente à televisão. Uma vida um tanto quanto solitária e... televisiva! Uau! Deve ser emocionante. Não sei. Há anos já não assisto televisão e estou muito mais feliz. Muito. Mas muito. Às vezes, aos olhos do mundo, pareço um pouco desinformada. Fico sabendo das hard news meia hora depois, uma hora depois, pelas bocas indignadas das pessoas: "você não viuuuuu?????". Não vi. E fico pensando qual teria sido a diferença na minha vida saber daquilo 30 ou 60 minutos antes...
Notei que o casal (aquele casal legal sobre quem escrevi no post "possibilidades de futuro") também assiste muita TV. Mas pelo menos comem à mesa. E conversam. E levam amigos em casa sem ligar a dita cuja. Prefiro acreditar que eles assistam muitos filmes e seriados cools - dos quais também estou por fora. Já a gordinha solitária do andar de baixo do deles tem uma chaise e, sempre que eu olho, ela está infalivelmente jantando na compania do Lima Duarte (?). Fiquei com um pouco de pena dela ao vê-la hoje, novamentente, comendo em frente à tv. Confesso. Mas ela deve se sentir feliz fazendo isso, como eu me sinto tendo abdicado da tv. Cada um na sua. Acho fantástico e indico um livrinho bem curtinho do Bourdieu que eu li na faculdade, "Sobre a televisão". Ele diz no prólogo: "Espero que (minhas análises) possam contribuir para dar ferramentas ou armas a todos aqueles que, enquanto profissionais da imagem, lutam para que o que poderia ter se tornado um extraordinário instrumento de democracia direta não se converta em instrumento de opressão simbólica". Ele escreveu isso em 1996.
E nos últimos 13 anos, o que temos assistido?