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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

precisão

Ando imprecisa. E precisada de mais. Mais suor, mais leitura, mais aventura. Me pergunto porque a vida não pode ser ser só isso - que já é muito. Mas saber que é mais, que pode ser muito mais, é um caminho sem volta: é uma viagem que vicia.

Ando atônita, inquieta, flutuante, precisando de calma produtiva. Dormir não me descansa, falar não me alivia, aquietar não me integra.

Ando apenas. Ando por aí buscando domar meu dragão, minha impulsividade, minha exigência.
Ando sabendo que preciso de muito pouco, mas não sei que cara ele tem.

Ando imprecisa.
Preciso de mim, de volta.

domingo, 29 de julho de 2012

amor bandido

Nem estou certa de que estás, mas sinto seu olhar sobre mim, seguindo meus movimentos pelo lugar. Seus olhos querem disfarçar a vigília, mas não conseguem desviar, porque a gente se imanta. Eu tiro os óculos para embaçar um pouco a vida: às vezes gostaria de não te enxergar. Mas sinto seu cheiro. E isso basta pra eu saber que você está, mesmo que a gente ainda não tenha se cruzado, olá como vai, eu vou indo, e você tudo bem? ... o que é isso de nem precisar encostar minha pele na tua pele pra saber ser a mesma textura, a mesma temperatura? De nem precisar te enxergar pra saber que estás? Pelo faro já sei. E então sair rodopiando pelo salão até o pé criar asas, flutuando, até os rostos colarem de suor, até eu fechar meus olhos por minutos a fio confiando em cada passo que dou com você. Só sei dançar com você.
E então fujo. Fujo das incertezas, das improfundezas.
Eu queria saber dar laços, mas eu só sei dar nós.
E acabo embaraçada toda.

 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

shelter

Quando eu viajo pra cá, eu como muito (bem), bebo muito, durmo muito, faço muita yoga, tomo banho de rio e de mar. Quando eu durmo aqui, meus sonhos acordam frescos. Aqui é meu refúgio, onde abrigo minhas tristezas e me apaziguo. Na noite passada, sonhei com a mesa da sala que eu quero comprar. Era ela, exatamente bela como eu imaginei. Ainda não sei onde encontrá-la e nem quanto ela custa, mas agora ela tem forma. É engraçado como cores, texturas, formas e cheiros me confortam, ainda que só em sonho. E no meio do meu devaneio noturno veio a casa Battló, a Pedrera, o parque Guell, muito Gaudí, loucamente inspirador com suas formas e cores, e eu andando em corredores de vento.
Acordei pra outra viagem, pronta para recobrar a poesia em mais andanças, novos olhares, encontros e inspirações. E decidida a adiar um pouco mais a compra da mesa nova - agora ela já tem forma mesmo, né?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ressaca

Ressaca de paixão é a pior que pode haver.
Tô precisando de um banho de mar.
Urgente.
Tchau.

terça-feira, 13 de julho de 2010

se sente pequena, tão impotente, cercada por tantas regras e sistemas. São Paulo não é mais o seu lugar - talvez nunca tenha sido. Mas ela fica se enganando, achando que pode passar por cima, ao lado, por baixo. E vai superando os próprios limites, como se respeitá-los fosse desrespeitoso. A superação é o lema do homem moderno.

Mas agora que o tecido tá esgarçado e a pele, já à mostra, mostra o que não se quer ver, o que fazer agora? Tanta fragilidade que haja creme nivea.

Cair não é tão ruim quanto ter que levantar. Levantar dói muito mais.

E apenas porque nada, absolutamente nada, parece fazer sentido e tudo parece se repetir ad infinitum ela não quer se levantar.

Tá?

domingo, 16 de maio de 2010

sombras

A filha de um amigo, quando pequena, morria de medo da própria sombra. "Era difícil lidar com isso", explicou, "porque a sombra está sempre com a gente, né?!".
A menina vivia correndo da própria imagem refletida no chão, na parede, onde quer que fosse. Me deu um arrepio ao ouvir esse relato, não pude evitar metáforas com as neuroses da nossa vida adulta: inconscientemente, passamos grande parte dela fugindo das nossas sombras. Temos a ilusão de termos nos libertado do medo infantil da nossa imagem refletida, associando-a a fantasmas ou coisas do tipo, mas quando crescemos são os outros que personificam nossas sombras. E, ao encontrá-las, dificilmente conseguimos lidar com elas, acolhê-las, enxergá-las como uma extensão do nosso corpo. Morremos de medo, exatamente como a filha do meu amigo. A partir daí é uma sequência de boicotes, fugas, desculpas, até que finalmente acreditamos ter conseguido nos libertar delas.
Não se iluda: elas voltam, reflexos de estilhaços que foram varridos pra debaixo do tapete, borrões que não foram bem apagados, lembranças de um tempo bom.
Por isso não devíamos ter medo das nossas sombras e muito menos tentar a fuga. Na verdade, elas servem pra nos dar a luz.

terça-feira, 11 de maio de 2010

faça desse drama sua hora

Esses meninos... ai ai, viu?!

domingo, 11 de abril de 2010

cristovão de burgos

Ao passar pela rua cristovão de burgos, cruzando a heitor penteado e desembocando na avenida pompéia, parece que estou realmente entrando num mundo encantado só meu. Gosto desse momento, o farol sempre vermelho, a espera num cruzamento meio obscuro, que em breve será ocupado por mais um prédio muito alto com apartamentos apertados que valerão mais do que eu posso pagar por terem um CEP da Vila Madalena e por estarem do lado do metrô (...).
Mas eu gosto desse cruzamento: ele representa a transição para minha casa, como se estivesse me enrolando num edredom macio num dia frio.
Depois de passar por aquele farol, nada consegue mais ser linear. Lembrei da professora Raquel, primeiro ou segundo ano de jornalismo. Para ilustrar um case de insucesso em seus tempos de estudante, ela contava que teve a ideia de fazer uma reportagem sobre alguns dos nomes bizzarros, curiosos, famosos das ruas de São Paulo. Lembro dela dizer que acreditava que aquela fosse uma pauta genial, achava que as pessoas iam se interessar por saber quem havia sido "cristovão de burgos", por exemplo. Por isso batalhou, apurou, escreveu, mas foi um fracasso: o diretor do então jornal estudantil vetou o texto, alegando não ter nenhum tipo de apelo. Não sei porque lembro sempre dessa história quando decoro o nome de uma rua...
Lembrei que sonhei com o Pedro na noite passada, mas não lembro exatamente o que. Aí me lembrei da mãe da Helô falando de superego nos sonhos e depois do seminário de hoje de manhã, em que a Vivi mencionou que conseguiu entender mais sobre seus próprios sonhos depois do texto da Eclea Bosi, decidi que vou ler. Pensei que me auto-boicotar virou um hábito e as recentes experiências só fazem reforçar essa necessidade, como se assim conseguisse me proteger das enfermidades exteriores. Das loucuras, dos acasos, dos tombos. De fato me protejo. É uma opção cara. Não tenho muitas vontades, atualmente. Não tenho muita paciência pra noites sem luar.
Aí eu dobrei na rua diana e fiquei pensando em como você é bonito. Tão bonito que até dói.
ai...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

chove horrores. E troveja.
estou afundada no trabalho. De cara, corpo e alma.
afundada no prazer, mas também na fuga.

Serena, calma e feliz.

Só com aquele pequeno pavor antecipado de voltar a pensar que me faltas.

não, tu não.
tu fostes, já não és.