segunda-feira, 22 de abril de 2013

ligeiramente grávida

Sobre o que vou escrever depois de tanto tempo longe dessas linhas?
O que posso dizer das preparações invisíveis para este momento...? O que dizer deste momento?
...
Quando me olho no espelho, apesar dos 31 anos bem vividos, acho que ainda sou uma criança. Não sei nada da vida, não tenho respostas nem pra mim mesma, cada hora quero uma coisa, estou sempre à espera do tufão que vai me arrebatar, que vai gerar a mudança.
Desta vez o tufão chegou, mas eu ainda não sinto toda sua intensidade... Isso me faz pensar (um pouco aterrorizada) que não estou pronta para ser mãe. Mas será que existe o momento de "estar pronta" para ser mãe? Essa coisa toda aconteceu tão inesperadamente e, de repente, se tornou o elemento central da minha vida com uma rapidez avassaladora... nem eu mesma sei mais que lugar ocupo na minha vida. As pessoas agora me encontram e não me perguntam mais: "tudo bem?".
Perguntam: "como vai o bebê?".
Respondo simpática: "ESTAMOS ótimos, obrigada...!".
Mas eu sei lá como está o bebê??? Ele ainda tem o tamanho de um grão de bico, ele deve estar bem, suponho. Se eu estou bem, ele está bem, não?!
Outra coisa é o assunto central de todas as conversas agora ser sobre grávidas e gravidez. Gente, eu estou grávida, mas não sei falar só disso, tá??? Aliás, por enquanto sei falar bem pouco disso... Tô ótima, não tô enjoando, não tenho desejos e... vamos mudar de assunto?! :)

A verdade é tudo isso é mentira. Eu queria poder conversar com outras grávidas, isso sim. Queria poder segurar na mão do meu marido e dividir com ele as impressões novas de cada momento... quero a minha maããããe, e minha dinda e todas as mulheres do mundo!!!! Aqui isolada, pouca terra e muito mar, parece que a solidão se multiplica por mil. Aí fico querendo fugir do que não consigo controlar, principalmente dessa sensação de não saber nada... eu queria era conversar sobre isso 100% do tempo, só falar disso, só pensar nisso, só ler sobre isso... mas acho que pra me proteger, acabo disfarçando. Ainda tenho uns dias: por enquanto a barriguinha ainda não tá aparecendo com aquela volúpia toda, então eu posso continuar fingindo que estou só ligeriamente grávida.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

coragem

O susto é tamanho que o suspiro não cessa. Certo é que já me acostumei a viver de incertezas, esperas, imprevisibilidade, mas esta é grande demais. É tão grande que quase não cabe em mim, fazendo meu corpo explodir para todos os lados, colocando o coração pra fora da boca demasiado. O que fazer na urgência? Há tantas coisas que eu desejo fazer antes que se cumpra esta etapa... mas o tempo é senhor das coisas e a vida é soberana. E os aprendizados já são tantos que parece que não andei nada até hoje. Sei que não estou só. Muito apoio há de vir, muito carinho surge de onde menos se espera... mas é só dentro de mim que está, só eu posso emancipar esta existência.
Sinto-me responsável como nunca, apavorada como nunca, corajosa como sempre.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Babanam Kevalam

Hoje me dei conta, novamente, de como os hologramas são poderosos. Me deu uma saudade do Visão Futuro, onde as percepções começaram a se abrir, onde conheci tantas pessoas que vivem suas vidas de maneira diferente, que realmente são motores de transformação, exemplos de fé, de amor, de união.
Um dia, não muito distante, desejei viver em comunidade. Não sabia muito bem como, por onde começar, que trilha seguir – e nem imaginava que isso de fato pudesse acontecer na minha vida. E por caminhos tortos, realizei este desejo sem nem mesmo perceber. Silenciada na minha solitude, almoçando o que plantei e colhi, captei a simplicidade e o merecimento de estar vivendo esta grandiosidade. Honrei minha coragem, minhas escolhas, minhas dores todas – que não foram poucas. Respeito as ondas da vida. Degrau por degrau, aceito que sou boa e má, generosa e apegada, sorridente e melancólica. Hoje eu não sei muito bem por onde começar, mas daqui a alguns anos tenho certeza de que vou olhar pra trás e comprovar que realizei meus desejos mais profundos, sem nem perceber.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

balanço

Em 2012, ganhei um balanço embaixo de um Mulungu. Tomei divinos banhos de mar, ganhei um amor com cachinhos de anjo embrulhado pra presente. Me dei umas quantas viagens: India, Inglaterra, Itália... Ninguém que eu amo teve doença grave nem sofrimentos profundos, ninguém que eu amo morreu (nem de morte morrida, nem de morte figurada) - e também não consegui "matar" quem eu não gosto muito... mas tudo bem, 2013 tá aí pra perdoar!!

Fui eu quem deu muito trabalho em 2012. Achei que não ia sobreviver a este ano. Houve dias tão amargos, tão azedos, tão cinzas que eu quase acreditei que era o fim do mundo chegando. Mas o santo é forte, a ajuda vem de todos os lados, e quando você menos espera, acorda com o céu azul. 
Agora, não sei o que me espera. Contrariando todas as tradições, não fiz listinha de desejos, não usei calcinha nova, não pulei sete ondinhas, não fiquei muito doida nem amanheci o dia na praia empanada de areia. 
Só pedi um ano mais tranquilo. 
Não sei o que me espera, mas tenho certeza de que será melhor do que o foi.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

o quase fim do mundo

Essa coisa do fim dos tempos coincidir com o fim do ano, época em que todos estão naturalmente mais emotivos, só pode ser conspiração dos Maias. Esses cabras sabem das coisas...
Apesar de ridícula, eu achei boa essa paranoia toda, porque gera uma reflexão sobre os tempos em que vivemos. Será que queremos seguir assim? Será que não há outra forma de se relacionar, de consumir? Será  que não estamos no limite de forças, de recursos, de estratégias, de burocracias?
Para mim, é fato que o fim do mundo já começou, e faz tempo! Estamos aniquilando nossa própria espécie. Criamos um sistema insano de necessidades, uma rede intrincada de siglas, taxas, sem a qual não é possível viver. Colocamos o dinheiro como senhor de nossas vidas. Nos desconectamos da natureza, da sabedoria que ela nos dá de graça, diariamente, sem pedir nada em troca. Nos ensimesmamos, acreditando que manifestar emoções, loucuras e instintos seja algo unicamente dos "bichos". E nós, somos o quê?

O mundo precisou quase acabar pra nos tocarmos. Aproveite então, e se toque. Toque no seu coração, no seu corpo, na sua alma. Faz tempo também que existem milhões de pessoas fazendo diferente, construindo novos valores, praticando economia solidária, atuando em rede, crowdfunding, pensando no desenvolvimento de forma coletiva e realizando-o de forma colaborativa.

O que faz sentido pra você?

Hoje é um dia de reflexão, de meditação, de celebração. De se religar com algo sagrado.

Então se liga aí: se quiser continuar desfrutando desse presente maravilhoso que é a vida, reinvente-se. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

o amor que a vida traz

Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um emprego seguro. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada o amor solicitado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia encomendado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que nem lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!

Aquele amor discretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém para o qual um amor discretinho costuma ser desprezado, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.

[Martha Medeiros]

terça-feira, 20 de novembro de 2012

porvir

Não me reconheço. Ando sumida de mim mesma. A vida não está. Eu sempre disse que a indiferença é o pior dos sentimentos. Vazio. É assim que a vida está: indiferente a mim. Ela está passando por mim. De relâmpago, esqueço-me de tudo de tão bom que já fiz e já vivi, de tudo que realizei, do tanto que aprendi e ensinei. De nada valem os caminhos que viajei, o tanto que aproveitei, ri e chorei de rir, de como eu sou corajosa, audaciosa, intensa e bem intencionada. De repente, talvez tudo tenha que voltar a ser como era antes. De repente, eu não tenho certeza nem do meu próprio nome, nem da senha do cartão de crédito, nem do que me causa brilho nos olhos. De repente eu desisto de ter filhos, sonho de criança. E meu horizonte, por mais amplo que todos os dias majestoso se apresente, de repente se torna restrito, curto, limitado. Como é difícil dizer adeus ao que se ama! E jogar-se novamente no vácuo, começar do zero, mas nunca mais a mesma depois daqui. Quando a cor mais bonita do mundo pintou o céu uma tarde, eu lembro de ter falado: “pode até ser besteira o que vou dizer, mas sinto que esses são os meses mais felizes da minha vida”.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

31

De repente percebo que começo a ter rugas. São marcas indeléveis de uma vida intensa, lindamente construída sobre minhas vontades e escolhas. Trago marcas pra todos os gostos, de tristezas profundas e alegrias indescritíveis, amores muitos, viagens loucas, poucos excessos, porque sempre amei muito meu corpo.
Mas viver conforme a orientação da minha alma é muita guerra. É preciso buscar coragem lá no fundo do coração, coragem para agir com fé a amor, coragem para desapegar-se do que não está para mim. Eu, que pouco me importo com “os outros”, me percebo triste ao constatar que um ato tão puro como agir a partir das vontades da minha alma gera incompreensão alheia. Aos olhos dos outros parece descaso, parece loucura, mas na verdade é só altruísmo, porque quando você liberta, está prestando um serviço a várias dimensões, não só a você mesmo.
Esta não é a primeira solidão da minha vida – e nem será a última. Já sobrevivi antes, às vezes mais morta do que viva, e aqui estou, mais viva e fiel do que nunca. Eu amo demais, amar é coisa muito boa. E parto para novas viagens com o coração aberto, pra mostrar fotos ainda inéditas, contar e ouvir causos e descobrir novas canções.

sábado, 8 de setembro de 2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

por enquanto

Admiro teu modo de viver: esse jeito de fazer o tudo a partir do nada, de tornar o remediado o melhor do mundo. Adoro essa tua capacidade de animar o inanimado, tangenciar as dores para esquecê-las, deixar passar as trevas por saber que, invariavelmente, a luz está logo ali. E esse teu ser criança meio peter pan, o tom do riso, o jeito de mergulhar no mar, de contar histórias com tanto sabor como se fosse a última vez que pudesse contá-las. Você vive todos os dias com a minha intensidade e dá respostas inocentes de menino levado às minhas perguntas - sempre sérias. Você me desmonta. Me desalenta. Me causa novas sensações das quais quero me esquivar.

Não sei se já te contei o tanto que adoro de você.
Você me ensina a ser menos aquela que eu quero menos ser.
Sei que nosso caminho, por vezes, anda descaminhado. Mas não tenho medo de sair da trilha. São várias as estradas que levam a nós.