Hoje três pessoas me perguntaram de você não soube o que responder puxa que pena vocês formavam um casal legal olhando parecia que vocês transbordavam aquele amor eterno invejável de quem vai ficar velhinho junto pois é é a vida não dá pra hipotecar o futuro como diz meu pai mas ele ainda está em cartaz não sei já disse nos separamos não nos falamos mais e não nos vemos há quatro meses puxa mas sinto muito mesmo aquela tarde no centro foi tão gostosa vocês eram um casal bem querido muitas afinidades combinavam mesmo né dava pra sentir que tinha uma conexão ali mas como é que foi acabar eu não sei explicar eu falava zê ele entendia cê cedilha acho que já não tinha mais amor mas como assim vocês estavam tão bem o que aconteceu vocês tinham uma sintonia tão boa que chato puxa sinto muito você está bem e ele está bem não sei já disse não nos falamos mais mas é estranho né muito medo de construir a felicidade não chora ai por que é que eu fui falar nisso toma uma água quer um chá calma não fica assim quer dizer fica assim sim você tem direito de ficar assim eu sei como você está se sentindo com um vazio um vácuo.
Opa, alguém sabe como eu me sinto.
tape rec rewind play. Stop.
Talvez seja hora do café.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
cala a boca e aumenta o volume
É bem estranho ter um paredão "à la big brother" em frente à janela da minha sala, mas é divertido. Nada muito diferente nos vizinhos, em seus hábitos e loucuras. É na mesmice que está a (des)graça: perceber que nas várias caixinhas vistas pela minha janela, como se olhasse por uma luneta, as pessoas comem em frente à televisão, conversam pouco - e em frente à televisão, dormem em frente à televisão, falam ao telefone em frente à televisão. Uma vida um tanto quanto solitária e... televisiva! Uau! Deve ser emocionante. Não sei. Há anos já não assisto televisão e estou muito mais feliz. Muito. Mas muito. Às vezes, aos olhos do mundo, pareço um pouco desinformada. Fico sabendo das hard news meia hora depois, uma hora depois, pelas bocas indignadas das pessoas: "você não viuuuuu?????". Não vi. E fico pensando qual teria sido a diferença na minha vida saber daquilo 30 ou 60 minutos antes...
Notei que o casal (aquele casal legal sobre quem escrevi no post "possibilidades de futuro") também assiste muita TV. Mas pelo menos comem à mesa. E conversam. E levam amigos em casa sem ligar a dita cuja. Prefiro acreditar que eles assistam muitos filmes e seriados cools - dos quais também estou por fora. Já a gordinha solitária do andar de baixo do deles tem uma chaise e, sempre que eu olho, ela está infalivelmente jantando na compania do Lima Duarte (?). Fiquei com um pouco de pena dela ao vê-la hoje, novamentente, comendo em frente à tv. Confesso. Mas ela deve se sentir feliz fazendo isso, como eu me sinto tendo abdicado da tv. Cada um na sua. Acho fantástico e indico um livrinho bem curtinho do Bourdieu que eu li na faculdade, "Sobre a televisão". Ele diz no prólogo: "Espero que (minhas análises) possam contribuir para dar ferramentas ou armas a todos aqueles que, enquanto profissionais da imagem, lutam para que o que poderia ter se tornado um extraordinário instrumento de democracia direta não se converta em instrumento de opressão simbólica". Ele escreveu isso em 1996.
E nos últimos 13 anos, o que temos assistido?
Notei que o casal (aquele casal legal sobre quem escrevi no post "possibilidades de futuro") também assiste muita TV. Mas pelo menos comem à mesa. E conversam. E levam amigos em casa sem ligar a dita cuja. Prefiro acreditar que eles assistam muitos filmes e seriados cools - dos quais também estou por fora. Já a gordinha solitária do andar de baixo do deles tem uma chaise e, sempre que eu olho, ela está infalivelmente jantando na compania do Lima Duarte (?). Fiquei com um pouco de pena dela ao vê-la hoje, novamentente, comendo em frente à tv. Confesso. Mas ela deve se sentir feliz fazendo isso, como eu me sinto tendo abdicado da tv. Cada um na sua. Acho fantástico e indico um livrinho bem curtinho do Bourdieu que eu li na faculdade, "Sobre a televisão". Ele diz no prólogo: "Espero que (minhas análises) possam contribuir para dar ferramentas ou armas a todos aqueles que, enquanto profissionais da imagem, lutam para que o que poderia ter se tornado um extraordinário instrumento de democracia direta não se converta em instrumento de opressão simbólica". Ele escreveu isso em 1996.
E nos últimos 13 anos, o que temos assistido?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
banhos
Levito entre a alegria e a tristeza.
Açúcar, rosas e cravos pra aquecer o coração.
Não sei sobre o que escrever hoje, já comecei quinhentas vezes, já apaguei quinhentas e uma. Estou confusa, deve ser a tpm.
Acabei de tomar um banho. Acho que só queria dizer que há poucas coisas tão boas como um banho. Banhos de chuveiro e de chuva.
Açúcar, rosas e cravos pra aquecer o coração.
Não sei sobre o que escrever hoje, já comecei quinhentas vezes, já apaguei quinhentas e uma. Estou confusa, deve ser a tpm.
Acabei de tomar um banho. Acho que só queria dizer que há poucas coisas tão boas como um banho. Banhos de chuveiro e de chuva.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
a marta mandou de lisboa
a veces pasa,
es lo que tiene ser un caracol ambulante
a veces tienes sueños,
amores, desengaños
pérdidas y muertes
que se convierten en razones
profundas y verdaderas
para poder continuar soñando y amando
porque las huellas que dejan los caracoles
que viven debajo de casas nómadas
que crecen en espiral
y que se encuentran en los caminos cruzados del mundo
son una maravilla.
es lo que tiene ser un caracol ambulante
a veces tienes sueños,
amores, desengaños
pérdidas y muertes
que se convierten en razones
profundas y verdaderas
para poder continuar soñando y amando
porque las huellas que dejan los caracoles
que viven debajo de casas nómadas
que crecen en espiral
y que se encuentran en los caminos cruzados del mundo
son una maravilla.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
nossos corações não sabem ser leves
Todas as boas palavras estão pálidas de exaustão.
E carregadas de ironia.
Que linda essa comemoração de 15 anos da Sutil Companhia de Teatro, que trouxe novamente a SP "Não sobre o amor", peça de câmara de Felipe Hirsch e Murilo Hauser sobre a obra do russo Viktor Shklovosky e sua amada Elsa Triolet. Cenografia impagável da Daniela Thomas.
5 de fevereiro a 1º de março
Sextas-feiras e sábados
18 a 22 de março
Quarta-feira e quinta-feira
sempre às 20:00
De quinta-feira a domingo, R$10 (inteira) e R$5 (meia).
Entrada Franca às quartas-feiras.
Teatro FIESP, Av. Paulista 1313
E carregadas de ironia.
Que linda essa comemoração de 15 anos da Sutil Companhia de Teatro, que trouxe novamente a SP "Não sobre o amor", peça de câmara de Felipe Hirsch e Murilo Hauser sobre a obra do russo Viktor Shklovosky e sua amada Elsa Triolet. Cenografia impagável da Daniela Thomas.
5 de fevereiro a 1º de março
Sextas-feiras e sábados
18 a 22 de março
Quarta-feira e quinta-feira
sempre às 20:00
De quinta-feira a domingo, R$10 (inteira) e R$5 (meia).
Entrada Franca às quartas-feiras.
Teatro FIESP, Av. Paulista 1313
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
a comoção de ser visto
"Porque o branco desfrutou durante três mil anos do privilégio de ver sem que o vissem; tratava-se de puro olhar, a luz dos seus olhos resgatava todas as coisas da sombra natal, a brancura da sua pele também era um olhar, de luz condensada. O homem branco, branco porque era homem, branco como o dia, branco como a verdade, como a virtude, iluminava a criação tal como uma tocha, desvendava a essência secreta e branca dos seres. O que esperáveis que acontecesse quando tirásseis a mordaça que tapava as bocas negras? Que vos entoassem louvores? As cabeças que os nosso pais tinham dobrado pela força até o chão, pensáveis, quando se reerguessem, que leríeis a adoração nos seus olhos? Ei-los em pé, os homens negros que nos olham, e faço votos para que sintais, como eu, a comoção de ser visto".
Sartre
SOSO arte contemporânea africana
Cláudia Veiga, Ihosvanny, Kiluanji, Yonamine
Avenida São João, 313
2o andar Centro São Paulo
inauguração: 05 de fev
de 06 de fevereiro a 21 de março de 2009
segunda a sexta: das 11h00 às 19h00 sábado: das 11h00 às 16h30

Yonamine, Angola, http://yonart.blogspot.com/
Sartre
SOSO arte contemporânea africana
Cláudia Veiga, Ihosvanny, Kiluanji, Yonamine
Avenida São João, 313
2o andar Centro São Paulo
inauguração: 05 de fev
de 06 de fevereiro a 21 de março de 2009
segunda a sexta: das 11h00 às 19h00 sábado: das 11h00 às 16h30

Yonamine, Angola, http://yonart.blogspot.com/
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
ninguém quer ouvir
Estamos sempre preparados para falar, contar nossas mirabolantes histórias, nossas experiências mais incríveis. Temos opiniões formadas sobre a política, a crise, a Lei Rouanet, frases prontas que solucionam a fome no mundo em 30 segundos. Temos conceitos formados sobre a lógica masculina, ideias pré-concebidas do neguinho que se aproxima do retrovisor pra vender chicletes.
Estamos sempre preparados para falar. bla bla bla. Cada vez menos em contato com o silêncio. E cada vez menos atentos para a escuta. Ninguém quer ouvir nada. Nos fingimos interessados pela opinião do outro, mas queremos contradizê-la, fazer com que a nossa prevaleça - como se isso levasse a algum lugar. Pensamos estar ouvindo conselhos, mas na verdade, já estamos é pensando na resposta que vamos dar àquela frase. Estamos centrados em nós mesmos, na maior parte do tempo. E mesmo quando parece que queremos ouvir o outro, lá no fundo, no fundo mesmo, não queremos. Só ouvimos o que queremos, e o que não queremos ouvir - mas mesmo assim escutamos - nos ofende. Nos fere que o outro diga algo que não queremos ouvir. Nos ofende que ele não tenha a sensibilidade para compreender que não queríamos ouvir aquilo.
Mas falar nós queremos, sempre.
Penso em amizades frágeis que andei construindo pelo caminho. Penso na incapacidade do diálogo verdadeiro, no melindre exagerado, nas entrelinhas interpretadas e nunca esclarecidas. Não tenho medo de falar. Tenho falado cada vez menos, mas ainda demais. Muitas vezes e sem perceber, falo o que os outros não querem ouvir. Tenho buscado ouvir sempre mais, uma ponderção que aprendi com a Lou. Um exercício diário de compreensão de mim mesma. Nem sempre consigo, nem sempre tenho disposição. Mas pelo menos eu quero. Por mais difícil que seja, eu quero ouvir.
Estamos sempre preparados para falar. bla bla bla. Cada vez menos em contato com o silêncio. E cada vez menos atentos para a escuta. Ninguém quer ouvir nada. Nos fingimos interessados pela opinião do outro, mas queremos contradizê-la, fazer com que a nossa prevaleça - como se isso levasse a algum lugar. Pensamos estar ouvindo conselhos, mas na verdade, já estamos é pensando na resposta que vamos dar àquela frase. Estamos centrados em nós mesmos, na maior parte do tempo. E mesmo quando parece que queremos ouvir o outro, lá no fundo, no fundo mesmo, não queremos. Só ouvimos o que queremos, e o que não queremos ouvir - mas mesmo assim escutamos - nos ofende. Nos fere que o outro diga algo que não queremos ouvir. Nos ofende que ele não tenha a sensibilidade para compreender que não queríamos ouvir aquilo.
Mas falar nós queremos, sempre.
Penso em amizades frágeis que andei construindo pelo caminho. Penso na incapacidade do diálogo verdadeiro, no melindre exagerado, nas entrelinhas interpretadas e nunca esclarecidas. Não tenho medo de falar. Tenho falado cada vez menos, mas ainda demais. Muitas vezes e sem perceber, falo o que os outros não querem ouvir. Tenho buscado ouvir sempre mais, uma ponderção que aprendi com a Lou. Um exercício diário de compreensão de mim mesma. Nem sempre consigo, nem sempre tenho disposição. Mas pelo menos eu quero. Por mais difícil que seja, eu quero ouvir.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
depois da bonança vem a tempestade
Estou tão calma que é de estranhar. Uma tranquilidade mansa de quem deitou na rede à sombra depois do banho. Desconfio. Não porque eu seja puramente desconfiada, mas porque sei que essa calma é perigosa: é o prenúncio de algo muito intenso e arrebatador, como diria minha amiga mais arrebatável. Essa calma é assustadoramente boa. É boa porque segura, porque acalanta. Mas assusta porque sei que não vai durar. É demais pra mim. Preciso de um pouco de emoção, preciso me encolher de frio quando está calor para me sentir viva, passear na montanha russa dos sentimentos, do amor ao ódio, da raiva ao exercício do descontrole. Sentir o desconforto é um estranho modo doentio que encontrei para fazer sentido neste mundo.
Não aceito essa inconstância como algo natural. Ela é anômala e às vezes tenho a sensação de que vai me enlouquecer. Mesmo. De que vou virar uma daquelas louquinhas de hospício que bate as mãos contra a cabeça.
Os dias têm sido agitados, socialmente movimentados, com muitos acontecimentos importantes. Estou lotando a minha vida, colecionando histórias, costurando outras tantas e isso me faz sentir feliz. Estou fazendo diferença na vida de uma porrada de gente e deixando que essas gentes também me levem para outros lugares onde nunca estive. No fundo, aprecio essa minha capacidade meteorológica de manter a calma mesmo prevendo a próxima tempestade. E quando ela chegar, que venha!
"Não existe coisa mais triste que ter paz, e se arrepender, e se conformar, e se proteger de um amor a mais. O tempo de amor é tempo de dor. O tempo de paz não faz nem desfaz. Ah, que não seja meu o mundo onde o amor morreu".
(Vinícius de Moraes - Afrosambas)
Não aceito essa inconstância como algo natural. Ela é anômala e às vezes tenho a sensação de que vai me enlouquecer. Mesmo. De que vou virar uma daquelas louquinhas de hospício que bate as mãos contra a cabeça.
Os dias têm sido agitados, socialmente movimentados, com muitos acontecimentos importantes. Estou lotando a minha vida, colecionando histórias, costurando outras tantas e isso me faz sentir feliz. Estou fazendo diferença na vida de uma porrada de gente e deixando que essas gentes também me levem para outros lugares onde nunca estive. No fundo, aprecio essa minha capacidade meteorológica de manter a calma mesmo prevendo a próxima tempestade. E quando ela chegar, que venha!
"Não existe coisa mais triste que ter paz, e se arrepender, e se conformar, e se proteger de um amor a mais. O tempo de amor é tempo de dor. O tempo de paz não faz nem desfaz. Ah, que não seja meu o mundo onde o amor morreu".
(Vinícius de Moraes - Afrosambas)
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