domingo, 31 de maio de 2009

férias

Busco (boa) compania para viagem de férias.

Possíveis destinos:

* San Blas (Panamá)
* Costa Rica
* Los Roques (Venezuela)

Período: 09 a 31 de julho.

Pré-requisitos do(a) acompanhante: bom humor (especialmente pela manhã), que seja leve, na bagagem e na convivência. Que tenha bom papo e bom silêncio. Que goste de vinho, de ler, de mar e de sol. Que não assista TV no quarto.

Alguém se candidata?

sábado, 30 de maio de 2009

stand clear of the closing doors

Pela centésima vez, quiçá, contei a nossa história para um desconhecido: da minha audácia em te pedir em casamento no primeiro encontro, da despedida na esquina da Apinajés na certeza de que nunca mais iríamos nos ver, da nova iorque descoberta por nossos olhos, do calor que fazia naquele quarto, das inúmeras idas à loja do Kevin, das brigas escandalosas, do apaziguamento cinematográfico. Da volta - aeroporto de guarulhos e os malditos tacos de golfe.
Do fim. Da raiva. Do choro. Da dor.

Desta vez, porém, contei também do reencontro. De como é bom poder te ligar quando eu quero, quando você quer, para falarmos nada ou tudo, para descobrirmos finalmente que gostamos do mesmo sabor de pizza e que nossas mães fazem aniversário no mesmo dia. E mesmo numa sexta à noite pra te perguntar: "Que música é essa: lárariri larárirara...?", numa demonstração de sintonia que há bastante tempo não sentia.

Percebi então o quanto essa história foi importante. Agora, à distância, sem dor nem raiva nem paixão, consigo enxergar a quantidade de coisas boas que trouxemos à vida um do outro nessa troca louca e intensa e absurda, os milhares de pedecinhos de mosaicos de generosidade e música que colamos.
E o mais legal: enxerguei o quanto mudamos pra melhor.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Olha: essas andanças da vida são de muito rápida passagem. Faz um tempo quase eterno que não nos vemos. Na verdade não aguentava mais olhar pras tuas camisetas estrategicamente posicionadas num local de fácil pegada no meu armário, para sentir teu cheiro de vez em quando e para que não esquecesse de te devolvê-las caso você aparecesse (surpresa de palhaço) para aquele café da tarde. Então, agora elas moram num cantinho escuro do guarda-roupas, num lugar onde eu não mais as encontro todas as manhãs quando vou pegar um lenço ou um cachecol para me proteger desse frio fajuto.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

o fim é certamente um (re)começo

Há palavras que são reveladoras como um lençol de algodão branco ventando ao sol do meio dia. Há palavras de amor próprio que são capazes de superar o vazio que se causou. Outras de persistência que aos poucos dissipam a tristeza e amenizam a escuridão fundamental. Só quem já escreveu essas palavras é que pode reconhecê-las. Só quem já vivenciou no próprio corpo uma revolução, uma queda livre no vácuo, é que pode ter certeza que, no limite, o para-quedas abre. E o vôo torna-se macio.
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Agora é só flutuar.

terça-feira, 26 de maio de 2009

saúde

Não é legal passar mal.
Hoje passei mal o dia inteiro. Dá uma sensação de fragilidade, de feiura.
Fico na cama deitada pensando nas milhares de coisas que o mundo oferece, no sol, no vento, no trabalho, na cerveja, nas risadas. E o corpo lá jogado, cheio de dores, pedindo um merecido descanso. Forçado. Que eu não quero dar.

Ai ai, não deve ser nada fácil ser o meu corpo...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

27

Eu tava no meio de um show de rock, cantando em coro e balançando os braços vigorosamente. Adoro shows de multidão, rola uma energia incrível, uma vibração imensa sai daquele emaranhado de pessoas unidas pela emoção da música. Memorável o The Police, no Maracanã, a Di reclamando dos peludos sem camisa na nossa frente, o Ferracina infernizando, a Thata gritando Every Little Thing she Does is Magic. Outro do qual nunca mais vou esquecer é o do U2 no Morumbi. Fui sozinha nesse show e fiquei absolutamente fascinada com aquela imagem das arquibancadas brilhando como a via láctea enquanto o Bono cantava with or withou you. Minha memória de shows de estádio na adolescência ainda era de isqueiros acesos ao ritmo das canções, essa era a primeira vez em que exclusivamente celulares iluminavam as músicas. Enfim, lá estava eu, no meio do show do Oasis. Cantando em coro - podia ser don´t look back in anger, ou what´s the story morning glory. Não lembro. O que lembro foi que me bateu uma puta sensação de juventude e de liberdade. Olhei pra Di e falei "Eu tenho 27 anos, amiga. Tô tão feliz! Eu não tenho mais 42 anos, tenho 27!!!".

Convenhamos: eu nunca tive minha idade real. Sempre fui velhinha, desde que saí da barriga da minha mãe. Quando eu tinha 6 anos, era apaixonada por um menino do colegial, o Carlo. Ele devia ter uns 17 e quando a gente se encontrava na hora do recreio, ele me dava um beijinho e apertava minha bochecha. Acho que ele me achava uma criança fofinha. Mas eu era apaixonada (sério!): chegava em casa e contava que tinha ganhado um beijo dele "no cantinho da boca", especificava. Foi culpa dele meu envelhecimento na primeira infância, certeza! Aí eu fui crescendo: minhas responsas e minhas cobranças comigo mesma também começaram a ser de velhos. Fui me envolvendo com caras mais maduros. Em geral, os amigos também eram mais velhos. Meus papos eram "de velho" e eu era sempre a que ia embora mais cedo e tinha que ouvir "ai, como você é veeeelha!". E assim era...
Não mais que de repente, alguns anos de terapia surtiram efeito: uma porralouquice tardia e alguns capotes da vida me fizeram perceber que eu tinha realmente 20 e poucos. E como foi bom viver essa mudança no meu corpo, nas minhas relações, até a vitória percebeu que eu estava mais jovem, mais bonita, meis leve.

Aí, no meio do caminho (porque SEMPRE há uma porra de uma pedra no meio do caminho!), eu conheci os 40 antes mesmo de chegar aos 30. E como diz a mãe da Di - agora eu não vou lembrar exatamente da frase, mas é algo como: quem dorme na mesma cama, se assemelha. Enfim, virei uma jovem senhora de quarenta. E tava bem confortável, afinal, quem passou mais da metade da vida assim, não podia encontrar desculpa mais propícia para retomar o padrão. Mas depois de passar por uma dor que (se eu já não fosse tão velhinha) poderia ter feito eu envelhecer de verdade, uma dor que talvez não teria essa intensidade se eu tivesse 40 anos, uma dor que espremeu meu coração e chacoalhou meu cérebro, eu voltei a perceber que continuo tendo vinte e poucos - um pouco mais do que antes, mas ainda na casa dos 20.

Portanto: eu tenho 27 anos.
E preciso me lembrar disso todo dia.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

ai

hoje eu descobri (sem querer) que ela (de fato) existe.
Me contaram que ela é feia.
Que bom. Então, vocês combinam.

cansaço e alegrias - um post metalinguístico

cara, eu queria escrever.
Mas agora voltei a ser estudante.
Tá foda.
Tô cansada, com aquele cansaço engraçado de estudante que trabalha muito - tinha esquecido o gosto disso.
Mas vou escrever, vai... Depois fico no ônibus melancólica pensando "puxa, devia ter escrito isso, aquilo, ah, aquilo outro". Não dá pra ficar colecionando temas! Bateu, escreveu. Senão perde a graça.
Aliás, este blog só tem me trazido alegrias. Tenho descoberto (ou sido descoberta por?) leitores elogiosos, bem humorados, loucos, anônimos, tímidos, interessados em mim. Pessoas de quem há muito tempo não ouvia falar, me escreveram "ei, seu blog é muito legal". Pessoas que eu nem imaginei que me lessem, me encontram em festinhas "ow, seu blog, tenho acompanhado, muito bom!". E pessoas que eu não conheço (essa é a parte mais divertida), pessoas que eu não conheço, eu estou conhecendo. É muito louca essa relação que se estabelece virtualmente e depois de alguma forma se concretiza - ou não. As que se concretizam são particularmente deliciosas. São tantas expectativas construídas por um imaginário ingênuo, tantas intimidades já partilhadas e uma vontade ensandecia de conversar tudo que não se falou até hoje na vida. Eu agora penso nessa coisa de me expor assim num blog, sem ter o menor controle e a menor idéia de quem está me lendo, isso é muito louco, meu! Eu sempre encarei esse espaço como um universo interior e paralelo ao mesmo tempo, um instrumento de catarse e evasão, de coração e de estômago.
Eu não sei bem quem eu sou aqui - aqui do outro lado da tela e aqui, nessas letras. Se sou a mesma... provavelmente sou muitas. Eu não sei bem o que é este blog, a que ele se destina, a que ele veio.
Mas estou gostando muito dessa nova forma de encontrar o mundo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

pérola do almoço

- Oi, por favor, eu quero uma casquinha de creme.
- É mista?
...
- Qual foi a parte do creme que você não entendeu?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

sobre a espontaneidade e a sincronicidade

Ontem uma criança teria gritado, chorado, esperneado: "Quero ir emboraaaaaa, mãe!!!!". "Mas por que, minha filha? Por que você quer ir embora?". "Porque eu não gosto do tio marcio, ele é bobo e feio, ele tira meleca do nariz e depois passa o dedo cheio de meleca no sofá". Essa espontaneidade é o que vamos perdendo enquanto (achamos que) crescemos. Mas se você levanta educadamente, sem chorar, sem espernear e sem gritar e simplesmente diz: "Com licença, eu vou embora", o seu comportamento passa a ser visto como algo bizarro. Mesmo educada, você se torna agressiva. Mesmo deixando claro que o lance é contigo, as pessoas fazem questão se assumir pra si uma parcela da loucura do outro. Mesmo estando na sua verdade, não há como evitar julgamentos: Você surtou? Você tá louca?. Não, gente, eu só quis ir embora.
Então eu fui. Vivenciando no meu corpo o prazer do descontrole, de soltar a vida, deixar ela correr sem rédeas. O prazer de assistir uma peça ótima, linda surpresa, e de receber carinho e (re)conhecimento inesperados. O prazer de pagar a conta do bar e sair andando numa noite fria paulistana, dobrar a esquina e dar de cara com a sincronicidade, a mesa posta, ali, para revelar pequenas intimidades - colher, fio dental e óculos escuros - e se fartar de breves descobertas.
Sim, definitivamente, a vida é filme.

NÃO PERCAM:
Bem Aventurados os Anjos que Dormem, de Marília Toledo
Direção: Kleber Montanheiro
Elenco: Daniela Flor, Juliana Bogus Saad, Ariel Moshe, Carlos Dias e Márcio Bueno Dias
Sextas e sábados, às 0h
Até 26 de Junho
Miniteatro
Praça Roosevelt, 108 (Centro)
Tel: (11) 2865-5955
Ingressos: R$30,00 e meia-entrada