quarta-feira, 9 de setembro de 2009

eternal sunshine of the spotless mind

me peguei pensando em ligar o computador e encontrar um email teu pedindo desculpas. Desculpas por existir. Desculpas por ter me conhecido, por ter me amado, por ter me compreendido, por ter me apaixonado. E que esse email fosse como um lenço branco e macio passando por cima da minha testa, te levando embora pra sempre.
Para sempre (existe, sim!).

terça-feira, 8 de setembro de 2009

chove tanto...

... que eu pensei que o mundo poderia de repente acabar.
O que eu faria?!?
Iria dançar na chuva e correria pra dar um beijo na sua bôca.
E depois o mundo poderia se acabar.

amor em muros

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

o valor das coisas

Qual o preço da sua criatividade? E o seu conhecimento adquirido, acumulado, conquistado, quanto vale? Como dar um preço a uma boa ideia que nasceu de tudo que você viveu, viu, estudou e que agora está a serviço da humanidade?
Não, não falo só de direitos autorais. Essa reflexão vai além. Penso nesse mundo louco que transformou valor em sinônimo de preço. Até etimologicamente essas duas palavras pequeninas andam se confundindo. Várias situações nas últimas semanas me fizeram recorrer ao meu idealismo para tentar significar essa lógica perversa, que novamente me joga pra fora do sistema e me faz perceber que sim, estou dentro, mas completamente fora desse mundo.
É muito triste perceber que reduzimos tudo à materialidade e à imagem. Se de um lado esse elementos tornam o intangível palpável, por outro reduzem a possibilidades de acesso, de gozo, de fruição, de circulação. Pode parecer ingênuo, mas não consigo ver sentido no processo que leva a estabelecer o preço das coisas. Pronto: custa X. Um amigo outro dia me disse que está ganhando um dinheiro que eu considero justo para o trabalho que ele está fazendo. Ele também considera, senão não estaria fazendo. Mas fez uma ressalva: "Eu cobraria no mínimo o dobro se fosse pra fulano ou sicrano, mas tudo bem, tô apostando nesse projeto...". Aí eu falei pra ele: "Mas bicho, pra quem quer que fosse, por que você cobraria o dobro se esse preço te parece justo?!? Se paga tuas contas?". Ele concordou, mas não soube justificar. "Valor de mercado" ou qualquer outra frase feita foi o que usou.
Fico pensando por que achamos que precisamos sempre ganhar mais (?). A maior parte das pessoas que conheço acham que o que elas ganham nunca é suficiente. Mas suficiente pra quê? Em que momento acontece o clic em que nossas demandas vão aumentando, aumentando, aumentando... e até onde? E por que não conseguimos um segundo sequer para parar e pensar: de onde vêm essas demandas? São internas?
Necessariamente, dentro dessa lógica, nosso trabalho adquire mais preço à medida que o tempo passa. Mas será que adquire mais valor também? Será que a relação entre valor e preço é diretamente proporcional? E qual é o limite desse preço?
Acho que se chama ganância, mas não gosto dessa palavra. É feia e tem uma conotação unicamente negativa. E eu não acho que viver bem, com conforto e cercada de coisas boas seja negativo. Muito pelo contrário. Não sou uma pregadora da parcimônia e da abdicação material. Mas acho (já faz tempo) que está demais. O acúmulo é um conceito que não consigo internalizar, felizmente. Não faz sentido pra mim.
A vida é muito generosa. Tem pra todo mundo, inclusive pros que (ainda) não têm. Para mim, a abundância vem de sacar o tamanho do que você precisa. E quanto você vai cobrar/pagar pelas coisas que você (acha que) precisa.
Afinal elas têm um valor, antes de ter um preço.

domingo, 6 de setembro de 2009

baiano-novo-paulista

Lá onde o retorno de Saturno demorou mais pra acontecer do que em qualquer outro lugar do mundo nasceu um menino branquinho, de olhos verdes e coração de tamanho imensurável. Ele não foi pro interior. Veio pra capital buscando não chafurdar na lama. Leva uma vida espartana e divertida. Muito musical, cercada de instrumentos por todos os lados. Esse menino tem ideias mirabolantes e quer mudar o mundo. Isso já é uma realidade: sua presença é presente. Um presente, sua presença. Seu almoço é regado a jabuticabas maduras. Um tosco-sofisticado na medida certa de bobeiras desejáveis para um sábado com jeito de feriado.

Ele é um contador de histórias, esse menino.
E não sabe do que é feita a maria-mole. Ninguém sabe, na verdade.


E se eu naufragar
na beira do céu
no olho do furacão
e tua ilha me buscar

Morar nos teus olhos
Tal qual sereia à Iemanjá
E nadar pra casa de mãos dadas

Daniel Mã

sábado, 5 de setembro de 2009

aqui dentro aqui fora

Quando o mundo estiver em suas mãos, passe-o adiante com cuidado.

Aqui dentro: Tusp – R. Maria Antônia, 294. Quintas e sextas às 21h30
Aqui fora: Galeria Olido – Av: São João, 473. Terças e quartas às 16h
Criação do grupo O Povo em Pé.
R$ 20,00 / 10,00 (meia entrada)
Absolutamente SENSACIONAL.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

o cúmulo da hipocrisia

Ao lado da minha mãe doentinha na cama, fui (quase) obrigada a assistir um trecho da novela das 8 nesta noite chuvosa - quem acompanha este blog, sabe que não assisto televisão já há alguns anos.
Pois bem, além de chocada com a vera fischer, que mais parece uma mumia embalsamada e que, quanto mais o tempo passa, mais se esforça para ser pior atriz, vi uma cena da personagem da letícia sabatella apanhando feio da ex mulher do padeiro francês gostosão, debora bloch (?). Feio mesmo, minha gente! Não foi um tapinha e tchau. Foram vários safanões, chutes no estômago e puxões de cabelo. Uma cena de violência pesada - mas minha mãe contou que a personagem apanhou a novela inteira de vários, então não deve ser novidade. Na sequência, como se nada tivesse acontecido, a atriz silvia buarque (que faz um papel de professora), aparece falando sobre a violência nas escolas, sobre como evitá-la, o respeito aos coleguinhas - aparentemente a novela também aborda temas de violência escolar de modo bastante incisivo. Bom, se for da mesma forma como abordou a cena anterior, certamente será bastante educativo, para que os telespectadores se tornem mais pacíficos no seu dia-a-dia e terminem enjaulados como animais insandecidos.

O efeito catártico da ficção alivia a agressividade real? Ou por fim a identitificação com a ficção pode levar a reproduzí-la na realidade?
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Deus, rogai por nós, que não sabemos o que estamos fazendo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Meu amor, se eu tiver que me perder
Há de ser alguém parecido com você

Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.

Clarice Lispector, A Paixão segundo G.H.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

saudades de lugar nenhum

Sábado fui num bar onde nunca estive. Ele existe há 17 anos em São Paulo, ou seja, eu tinha 10 quando abriu. Cheguei lá e achei o lugar um moquifo. Moquifos costumam ter ótima música, pensei. Depois de alguns passos, muito charmoso. Aconchegante, clima de "lá em casa". Luz baixa, várias mesinhas, pessoas interessantes e um palco ao fundo. Bem iluminado. Um garçom simpático faz toda a diferença. Gostei, certamente me tornarei uma habitué, pensei (de novo). Sentei com uns amigos que já tinham chegado. "Pô, legal esse lugar, né, meu? São Paulo surpreende a gente com uns buracos, vou te contar...".
"Pois é", diz uma amiga. "Hoje é a última noite, estão fechando".
Como assim????????? Hein?! Encontro um lugar de música bacana, barato, com pessoas bonitas, garçom simpático... e vai fechar?
Dezessete anos se passaram e vai fechar BEM hoje???
Daí em diante parecíamos um monte de bêbados saudosistas. No palco se sucediam músicos mais ou menos significativos - a maior parte deles realmente bons, que de alguma forma prestavam homenagem à casa que foi tão importante para a música brasileira dos anos 1990. O bar parava para ouvir. E aplaudir. Entre uma entrada e outra, os dois sócios se revezavam para narrar pequenas histórias do lugar, detalhes de personagens especiais, palavras bonitas e comoventes. Todos participavam de alguma forma - até nós, que estávamos lá pela primeira vez. O clima não estava derrotista, mas genuína e estranhamente esperançoso. Amigos de longa data trocando abraços, cantando e bebendo juntos num ambiente familiar. A última frase de que me lembro, e anotei para não esquecer antes de algumas doses de Seleta, foi o Rafa dizendo: "Puxa, já estou quase com saudades de um lugar onde nunca vim". Nos olhamos. E rimos muito: na felicidade melancólica que só a madrugada é capaz de trazer.