quinta-feira, 16 de julho de 2009

I am from America

Viajar sozinha, ao contrario do que muitos pensam, è muito bom. Voce conversa com quem quiser, a hora que quiser, come o que quiser e escolhe o que vai comer, decide o que fazer e assume todos os riscos por isso. E, o melhor de tudo: è um intensivao com voce mesma, um puta aprendizado. Dureza è encontrar as companhias erradas. Mas isso infelizmente acontece. No meu caso, por vasta experiência, posso afirmar sem medo de errar que, em 95% dos casos, esses indesejàveis seres sao da raça norte-americana. Aqui hay muchos. Demasiados. A mèdia è: de 10, consigo me relacionar apenas com 1. È triste. È triste ser perguntada: "Quando è que eu vou poder ir ao Brasil sem ser sequestrado ou assassinado?" ou "O Brasil è um paìs, nè?". Achei que isso fosse piada de mal gosto - apesar de ter tido provas em outras ocasioes sobre essa patente ignorância, continuava acreditando que era um estereòtipo barato construìdo pela esquerda mal amada. Mas se fosse sò isso, remediava-se. O que è mais duro è que essa ignorância è respaldada por uma arrogância sem fim. E por uma visao exòtica de mundo incompreensìvel para tempos de globalizaçao, bla bla bla. Fiquei chocada ontem: ao conhecer um fotògrafo, perguntei de onde ele era. Ele respondeu: "I am from America!". Eu abri um largo sorriso e disse: "Me too. I am from America...". Depois que eu contei ser brasileira, o cara falou: "Well, Brazil is in SOUTH America. It`s not America". Deu pra entender??????
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Bom, gente, è que eu fiquei meio com crise de identidade e resolvi postar isso aqui hoje sò pra dizer: eu sou da Amèrica tambèm. Confirma?

terça-feira, 14 de julho de 2009

Costa Rica

Cheguei. A recepçao nao podia ter sido melhor, logo antes de passar na imigraçao, a oficial da polícia diz: "Las hojecitas en la manocita, por favor!". Tudo no diminutivo! Dizem que os Ticos sao assim, super amáveis.
O calor está forte, mas tem uma brisa boa para cortá-lo.
Atrás da porta do quarto, um aviso: "Em caso de terremotos, fique longe dos vidros e vá para o centro do jardim".
Deusmiajude.
Agora vou ganhar o mundo, apesar do cansaço.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

você

Foi você quem inventou a culpa. Você, que não tem nada pra fazer senão atazanar a vida dos outros, você que esvazia o pneu do carro alheio na madrugada fria só para afogar as amarguras de um dia mal aproveitado no fígado de outrem. Você que se chama baixa-estima, Estrupício. Você, que de dia dorme e de noite, zumbi. Você que deixa a vida escapar pelas frestas dos dedos. Tenho pena de você.
Você chove. Você? Lama.
Você não vai comigo. Nem fica comigo. Você e suas manias estúpidas, ranzinzas, que só fizeram roubar minha criança. Mas minha juventude, você não tem. Você é velharia. É vigliaccaria, diria minha avó. Você é sombra rala que não consegue nem ser densa.

Você, que tanto tempo faz, você que eu não conheço mais.
Você que um dia eu amei demais.
Roberto Carlos

domingo, 12 de julho de 2009

receita para sarar (hoje)

Seja sempre verdadeira com você mesma, por mais duro que possa ser. Não deixe de falar o que está sentindo - isso pode lhe causar uma baita dor de garganta.
Chore um pouco, se preciso for.
Não culpe o outro pelo seu sofrimento: você é responsavel pela sua vida.
Procure sempre uma amiga e passe a maquiagem mais colorida da caixa.
Vá ao cinema.
Durma bem e beba bastante água.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

'seu imbecil. seu imbecil. seu imbeciiiiiil.'
Era só o que ela tinha vontade de falar para ele batendo forte em seu peito com os punhos cerrados. Ele que já havia errado, que já a havia abandonado.
Que já havia morrido.

não há cimento que te impeça de respirar

Sublime. Lindo texto, descrições minuciosas, sutilezas sustentadas pela maravilhosa interpretação de Clara Carvalho.

Dueto da Solidão
de Sérgio Roveri
Com Clara Carvalho, Chico Carvalho, Gustavo Haddad e Leonardo Miggiorin
Sesc Vila Mariana
Rua Pelotas, 41 - 11/5080-3000
Às terças e quartas, às 21h
De R$ 3 a R$ 12
Até 24/6

terça-feira, 7 de julho de 2009

para um amor no recife

A vida serpenteia sorrateira quando estamos destraídos olhando para o céu. Não avisa momento de chegada. Nem de partida. Nem de final, feliz ou infeliz. A vida simplesmente acontece enquanto lixamos as unhas. A vida é surpresa. Das grandes. Das boas.
Eis que uma dessas frações de vida estava lá: sentado na areia, contando nuvens. Cannabis Sativa entre os dedos, olhava como quem procurava. A outra caminhava entediada pela praia semi-deserta, o sol a pino. Olhava como quem achou.
Encontraram-se. Embrulhados para presente, um para o outro.
Deram-se.
Iniciaram sem palavras, seguiram sem palavras. Reconhecendo corpos descobertos, convidaram-se para o mar. Sabiam ser somente aquilo que os unia, aquele momento o único que fazia sentido. Do mais, não sabiam. Um do outro nada sabiam. Passariam mais de cem anos de desejo ensurdecedor sem que se tocassem novamente, mas tinha de ser: frações de vida não se encontram assim por acaso. E não havia coração ali que chegasse. Era puro corpo que explodia, que tremia, que louvava... Quando uma onda desmesurada e revolta, com aquela força que só uma onda pode ter, então os apartou. Desataram. Soltaram-se mãos, laços, ventres. Escorregaram para fora d´água sem fôlego nem perdão.
Sem fôlego.
Sem adeus.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

yusa ou martnalia

- Sabe o que a gente faz quando se dá conta de que ama um amor inacabável, inevitável, intolerável?
Ela balançou a cabeça: "Não, não sei. O que a gente faz?".
- Eu também não sei...
As duas gargalharam.
- Talvez a gente deva continuar amando esse amor. Seria um crime tentar evitá-lo, ou substituí-lo. Na verdade não vai adiantar... Ele sempre vai estar.
- Talvez a gente deva cantar. Eu me sinto muito melhor quando canto.
- Depende do que você vai cantar...
- É... se eu mando: 'Quero ficar no teu corpo feito tatuagem que é pra te dar coragem pra seguir viagem quando a noite veeeem (...). E nos músculos exááááustos do teu braço, repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço...' aí é foda... eu começo a lembrar daquela fantástica que ele tinha no braço esquerdo. Eu adorava. Eu dormia em cima dela, perfeita, milimetricamente tatuada sobre o biceps. ai ai, é de matar!
- Mas e essa? 'Vai sair da minha vida, você vai ter que mudar da minha casa, de atitude, chega! Ainda mais agora que eu vou viajar prá me livrar de você, não quero mais ser seu amigo, nem inimigo, nada!...'
- Nada...
- Vai viajar, nêga. Depois a gente vê.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

despedida virtual

Hoje foi um dia de resoluções e despedidas.
Reencontros e desamarrações.

- ... então um abraço, bem longo e aconchegado, daqueles que não consegui te dar.
- outro bem grande, desses que esperamos e não tivemos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

menos economia, mais poesia

Gente: o mundo precisa de poesia. Nossos olhos urbanos, embaçados e surdos, se umidificam de poesia - e andam bastante ressecados. Os motoristas dos ônibus precisam de poesia pra enfrentar a dureza do asfalto. Os advogados, os economistas, os jornalistas - bom, esses nem se fala... Os políticos. Os padres. Os professores, ai. Tanta poesia lhes falta. Tanta poesia nos falta.
E poesia não é "poesia" (apenas). Estrofe, verso, rima.
É perceber pedaços de ternura no cotidiano. Poesia é música, flor, quadro bonito, sorriso inesperado, olhar profundo. Poesia é delicadeza melancólica da luz do inverno. É frase bem dita. Pausada. Escrita ou falada. Ou cantada. Poesia é cuidado - muito cuidado com a poesia!

Ela é transformadora.

Gente: o mundo precisa de menos economia e mais poesia. Hoje a Leti disse que a economia também pode ser poesia. Eu respondi: "Pode. Mas não é". Não é. Mas não precisam ser antagônicas. Podemos lançar a ECONOESIA, na tentativa de humanizar esse mundaréu de gentes centrifugadas num redemoinho de estímulos, de preços, de praças, de produtos, de promoções. Centripetadas em seus próprios umbigos, em seus espelhos, em seus carrinhos. Sozinhas, tadinhas. Cada vez mais.
Então vem a poesia. E nos salva! Aleluia!
Abra os olhos. Chega de economizar poesia.

Meu mundo só tem começo, meus desejos não têm fim.
Ceumar e Tata Fernandes