terça-feira, 9 de junho de 2009

não se preocupe:

qualquer dia, não muito distante de hoje, resolvemos isso.

Só pra deixar registrado: sempre há o que fazer.
E as coisas sempre se ajeitam.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

o espelho

Se tem um objeto com quem eu tenho uma relação íntima, esse objeto é o espelho. Ele revela o que há de melhor e de pior e mim, todas as obviedades e superficialidades que habitam meu corpo. Nele me reconheço não só fisicamente - o que por si só já é fantástico - mas enxergo também as várias eus que me visitam. E não há satisfação mais plena do que, ao me olhar, perceber que já não está mais lá aquilo que abomino, que quero afastar. Mas sei também que isso custa: leva tempo e dá trabalho. Sei como mata aos poucos olhar-se todo dia, diversas vezes por dia, e continuar vendo refletida, correspondendo a cada gesto contido, aquela sua velha imagem que você busca renovar.
Paciência. É só o que eu te peço.

sábado, 6 de junho de 2009

ócio criativo

É fato. O artista precisa de tempo "ocioso".
O escritor - artista da palavra - precisa de tempo "ocioso" para se inspirar. O tempo ocioso aos nossos olhos é o seu ofício, sua carpintaria, seu adquirir poesia em protagonizar pequenas coisas. Suas grandes ideias literárias dão trabalho, vêm de uma sensibilidade incompreendida, curtida e cumprida, de uma observação despressurizada, sem pressão, sem pressa. Desenvolver essas grandes ideias não é um dom, mas um exercício. Um exercício que neste momento sou incapaz de fazer.
A semana foi pesada.
Pesada.
E eu estou repetitiva.
Repetitiva.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

modern life sucks

Eu não to dando conta de ler todos os livros que estou ganhando. E estou comprando outros tantos que estou empilhando em algum canto, sem nem me dar conta. Jurei que não ia mais fazer isso - e consegui cumprir a promessa por um bom tempo. Eu não tô dando conta de dar a devida atenção a algumas pessoas como gostaria. De falar com meu pai, de ligar pros meus avós. De ser amorosa como é a minha essência, e de ouvir mais, que é um dos meus propósitos principais. Não tô dando conta de checar meus hotmails, meu gmail, o orkut, o facebook, o twitter, o owa, a rede novolhar. Não to dando conta de acordar cedo, comer frutas, de ir na natação com esse frio. Já perdi a conta do número das minhas faltas. Não to dando conta da solidão dominical e do cansaço que a acompanha. Quero dar conta de simplesmente não fazer nada, mas não dou. E não dou conta de decidir o que vou fazer nas minhas férias porque não dou conta de ficar sem fazer nada pra poder pensar nisso. Hoje o Danilo me falou que eu sou uma das mulheres que ele conhece que mais realiza coisas. E isso é bom? perguntei. Ele disse que sim, que só consigo isso pela minha competência. Pensei então que, na verdade, eu não estou é me dando dando conta do tamanho dela. E de tudo de muito legal que eu dou conta de fazer, mesmo achando que eu não dou.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

é do inferno que a gente gosta

... o inferno? É tudo aquilo de que a gente gosta e que nos é dado em excesso.

Fabrício Carpinejar, em Blooks, Sesc Pinheiros em 03.06.2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

comprei

a vida tá tão prática: já comprei!
No site pontofrio.com tinha uma cafeteira em oferta. Isso me fez lembrar que fiquei rodando meia Europa com aquela maldita máquina de espresso debaixo do braço pra te trazer de presente e ainda paguei excesso de bagagem por isso... e você agora deve estar fazendo cafés pra outra.
Amargos.

let´s go get stoned, que hoje não é dia de nada... não.

frio desgraçado

faz uns 3 invernos que quero comprar um aquecedor e nunca compro.
puta merda.
amanhã vou comprar.
pelo menos o corpo fica aquecido.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

autopsicografia

Tem horas que é melhor não escrever nada.
É por isso que eu não vou escrever, só parafrasear.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

Todos nós passamos por alguém que não somos. Ou você pensa o que? Que as pessoas sabem quem elas são? Ou que você mesmo saiba quem é?
Chega.

domingo, 31 de maio de 2009

férias

Busco (boa) compania para viagem de férias.

Possíveis destinos:

* San Blas (Panamá)
* Costa Rica
* Los Roques (Venezuela)

Período: 09 a 31 de julho.

Pré-requisitos do(a) acompanhante: bom humor (especialmente pela manhã), que seja leve, na bagagem e na convivência. Que tenha bom papo e bom silêncio. Que goste de vinho, de ler, de mar e de sol. Que não assista TV no quarto.

Alguém se candidata?

sábado, 30 de maio de 2009

stand clear of the closing doors

Pela centésima vez, quiçá, contei a nossa história para um desconhecido: da minha audácia em te pedir em casamento no primeiro encontro, da despedida na esquina da Apinajés na certeza de que nunca mais iríamos nos ver, da nova iorque descoberta por nossos olhos, do calor que fazia naquele quarto, das inúmeras idas à loja do Kevin, das brigas escandalosas, do apaziguamento cinematográfico. Da volta - aeroporto de guarulhos e os malditos tacos de golfe.
Do fim. Da raiva. Do choro. Da dor.

Desta vez, porém, contei também do reencontro. De como é bom poder te ligar quando eu quero, quando você quer, para falarmos nada ou tudo, para descobrirmos finalmente que gostamos do mesmo sabor de pizza e que nossas mães fazem aniversário no mesmo dia. E mesmo numa sexta à noite pra te perguntar: "Que música é essa: lárariri larárirara...?", numa demonstração de sintonia que há bastante tempo não sentia.

Percebi então o quanto essa história foi importante. Agora, à distância, sem dor nem raiva nem paixão, consigo enxergar a quantidade de coisas boas que trouxemos à vida um do outro nessa troca louca e intensa e absurda, os milhares de pedecinhos de mosaicos de generosidade e música que colamos.
E o mais legal: enxerguei o quanto mudamos pra melhor.