90 por cento do que escrevo é invenção.
Só dez por cento é mentira.
Manoel de Barros
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
ainda
Depois de uma boa dose de auto-estima e outra de Salinas, depois de tanto tempo, de tanto vento, depois da viagem e da malandragem, me surpreendi ouvindo da minha própria boca que ainda desejaria ter um filho seu.
Acho que você cresceu dentro de mim como um órgão vital, insubstituível, inextirpável. Meu coração? Meu cérebro?
Meu amor?
Acho que você cresceu dentro de mim como um órgão vital, insubstituível, inextirpável. Meu coração? Meu cérebro?
Meu amor?
terça-feira, 22 de setembro de 2009
futuros amantes
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
(Só o chico mesmo pra colocar "escafandristas" no meio da porra da música...)
[ave maria!]
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
(Só o chico mesmo pra colocar "escafandristas" no meio da porra da música...)
[ave maria!]
domingo, 20 de setembro de 2009
Quero emudecer. Mantenho as luzes apagadas, inertes. Prefiro ficar no escuro, escondendo a lama, as lágrimas, a nudez real, as promessas não cumpridas, as frases nunca ditas e também aquelas que nunca deveriam ter sido ouvidas. Mantenho obscuros os vãos, a culpa, o fim da festa. Varro pra debaixo do tapete o amor que nunca chegou ao fim. Escureço lembranças. Deixo oculto tudo o que não entendi. Nunca entendi.
No escuro, arremesso dúvidas, e acendo uma vela que abre frestas, intervalos, respiros.
.
Amanheço com seu cheiro.
No escuro, arremesso dúvidas, e acendo uma vela que abre frestas, intervalos, respiros.
.
Amanheço com seu cheiro.
3min 20s = R$ 4,50 (fora do plano Vivo 90)
Tô cansada (também), mas não desisto.
No hay que perder la ternura.
No hay que endurecer.
Jamás!
No hay que perder la ternura.
No hay que endurecer.
Jamás!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
fantasia
Ele estava fora de contexto, encarnando o batman em um ambiente onde todos haviam improvisado divertidas fantasias, criativas até demais - vasos de flores pernambucanos e jardins encantados coletivos, quase alucinógenos. Fato é que ele apenas entrou numa loja, comprou a sua fantasia e foi. Ou talvez ele fosse mesmo o Bruce Wayne em carne e osso. Era o dono da festa. Carregando toda sua humanidade contraditória de super-herói, direto das telas de cinema para um casarão do século XIX em Santa Teresa. Veio voando (de preferência), não para salvar a humanidade, mas para tomar umas biritas e fumar um beque no rio de janeiro. Afinal super heróis também têm o direito de se divertir...
Esse Batman carioca era alto, bem apessoado. Caminhava a passos largos e pesados, não tirou a máscara uma só vez. Circulava com classe, chamando atenção, segurando sua longa capa preta. Foi num desses momentos sublimes: com olhar fixo, atravessou a pista de dança do imenso jardim. Aproximou-se dela, estilo mignon, cabelos enrolados, boca carnuda e vermelha. Parou por um segundo a sua frente (penso que super heróis devam se sentir inseguros às vezes), mas, sem titubear, apanhou-lhe o queixo, inclinando-o levemente para o lado direito, e eletrizou seus lábios. Longamente. Ela não resistiu, amoleceu seu corpo envolto em um corpete apertado. Suas línguas se enrolavam com uma intimidade conquistada em poucos segundos. Ele levantou a capa negra e os enrolou, evidenciando os contornos dos corpos perfeitamente encaixados. E voaram alto, como ela jamais havia sonhado, com a leveza que só os encontros fortuitos podem ter.
Esse Batman carioca era alto, bem apessoado. Caminhava a passos largos e pesados, não tirou a máscara uma só vez. Circulava com classe, chamando atenção, segurando sua longa capa preta. Foi num desses momentos sublimes: com olhar fixo, atravessou a pista de dança do imenso jardim. Aproximou-se dela, estilo mignon, cabelos enrolados, boca carnuda e vermelha. Parou por um segundo a sua frente (penso que super heróis devam se sentir inseguros às vezes), mas, sem titubear, apanhou-lhe o queixo, inclinando-o levemente para o lado direito, e eletrizou seus lábios. Longamente. Ela não resistiu, amoleceu seu corpo envolto em um corpete apertado. Suas línguas se enrolavam com uma intimidade conquistada em poucos segundos. Ele levantou a capa negra e os enrolou, evidenciando os contornos dos corpos perfeitamente encaixados. E voaram alto, como ela jamais havia sonhado, com a leveza que só os encontros fortuitos podem ter.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
romântica
Sim, eu sou. Além da conta, talvez.
Mas não vamos reduzir o romantismo à banalidade a que estamos habituados. Meu romantismo é amplo: é minha visão de mundo que é romântica. Acredito no poder criador do homem, na sua bondade, na pequenez delicada de seus gestos, no idealismo que ainda deve guiar suas ações. Na sua escuta, no seu interesse pelo outro, além de si mesmo. Estou convencida de que há magia por aí, e não precisa procurar muito.
Olho pro homem da minha vida e sei que ele é o homem da minha vida - só quem já sentiu isso sabe que é possível. E nossas almas se encontram num dia chuvoso e desajeitado, atravessando a rua, com aquelas luzinhas dos carros, dos faróis e dos olhos brilhando no asfalto molhado. E a música da cidade toca: ruído incessante da pressa. E tudo é sincrônico. Frio, livro, casaco, chocolate, abraço. Um após o outro, passos. E nossos corações pulsam ao ritmo dessa música.
É que tá tudo aí pra ser criado.
Sonhado.
Realizado.
Mas não vamos reduzir o romantismo à banalidade a que estamos habituados. Meu romantismo é amplo: é minha visão de mundo que é romântica. Acredito no poder criador do homem, na sua bondade, na pequenez delicada de seus gestos, no idealismo que ainda deve guiar suas ações. Na sua escuta, no seu interesse pelo outro, além de si mesmo. Estou convencida de que há magia por aí, e não precisa procurar muito.
Olho pro homem da minha vida e sei que ele é o homem da minha vida - só quem já sentiu isso sabe que é possível. E nossas almas se encontram num dia chuvoso e desajeitado, atravessando a rua, com aquelas luzinhas dos carros, dos faróis e dos olhos brilhando no asfalto molhado. E a música da cidade toca: ruído incessante da pressa. E tudo é sincrônico. Frio, livro, casaco, chocolate, abraço. Um após o outro, passos. E nossos corações pulsam ao ritmo dessa música.
É que tá tudo aí pra ser criado.
Sonhado.
Realizado.
domingo, 13 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
saia, já!
Sai daí.
Saia do meu caminho, deixe ele livre.
Agora que toda chuva já caiu, limpou, levou, lavou e o mundo não se acabou, passe você por outras ruas.
Saia dos fragmentos falsos de vida que você compõe.
Saia, saia, saia.
Saia já [da minha vida].
.
Hoje o dia foi difícil.
A noite não foi tão ruim: arrematada com um puta texto do dostoievski em francês, um prosecco (vários...) e alguns petit-fours deliciosos.
.
Amanhã vou sair de saia.
Mulherzinha, que sou!
Saia do meu caminho, deixe ele livre.
Agora que toda chuva já caiu, limpou, levou, lavou e o mundo não se acabou, passe você por outras ruas.
Saia dos fragmentos falsos de vida que você compõe.
Saia, saia, saia.
Saia já [da minha vida].
.
Hoje o dia foi difícil.
A noite não foi tão ruim: arrematada com um puta texto do dostoievski em francês, um prosecco (vários...) e alguns petit-fours deliciosos.
.
Amanhã vou sair de saia.
Mulherzinha, que sou!
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
eternal sunshine of the spotless mind
me peguei pensando em ligar o computador e encontrar um email teu pedindo desculpas. Desculpas por existir. Desculpas por ter me conhecido, por ter me amado, por ter me compreendido, por ter me apaixonado. E que esse email fosse como um lenço branco e macio passando por cima da minha testa, te levando embora pra sempre.
Para sempre (existe, sim!).
Para sempre (existe, sim!).
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