Pessoas de todas as idades, em todas as partes do mundo, acordaram com um pacote de presente ao lado. Era uma dose farta e generosa de bom humor. Todos – sem exceção – foram contagiados. Nesse dia, que mudou a história da humanidade, tivemos a chance de reciclar: rancores, preconceitos, preocupações, temores, receios, sofrimentos, impedimentos... Tudo – tudo mesmo o que não interessa e não tem utilidade – foi transformado com leveza. E à medida que os pacotes eram abertos e o bom humor encontrado, o mundo foi ficando cada vez melhor. Enlaçamos as mãos. Somamos talentos. Encontramos soluções e fizemos o que precisava ser feito para vivermos plenamente. Hoje esse dia é celebrado como o Dia da Graça, do Riso, da Alegria; onde a vida ganhou mais energia e cor, ganhou as ruas, os corações, os casebres e mansões e se fez presente em nossas ações.
(da www.wikifuturos.com)
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
again, again, again
Eu, pra variar, choramingava por um homem qualquer. Na sala de estar da nossa casa tipicamente inglesa, sentadas no chão, rodeadas por gatos, bebíamos Bacardi como água. A única regra era beber o suficiente para esquecer. Lá fora, frio. Do lado de dentro, aconchego. Talvez fosse a nossa latinidade ou o simples fato de nossos corações conseguirem conversar sem ressalvas. O cd do Sting que eu tinha acabado de ganhar da Pal comemorava nossa pré-ressaca. A faixa 01 "Brand New Day" foi a trilha daquela noite. Lembro de pedir inúmeras vezes pra ela voltar pra aquela faixa com aquela cadência de quem já passou do ponto: "agaaain, agaaain, agaaaain number óooone". E ela se levantava, cambaleando até o som, voltava para a faixa um. Acho que ela fez isso umas 25 vezes, até dobrarmos de dar tanta risada e não parar de falar "agaaaain, agaaaaain". Mesmo sem a música ter acabado, ela ia lá e apertava o botaozinho. E ríamos. Muito.
Coisa de bêbadas.
"My angel", foi como passei a chamá-la depois daquela noite. Ela me salvou de mais uma dor de cotovelo, cuidou da minha ressaca, e ainda se encarregou de aquecer outras geladas noitadas londrinas, com ideias mirabolantes, a boca sempre pronta pra um sorriso.
Faz 10 anos.
Tempos depois, nos encontramos em Buenos Aires. Recém-casada, orgulhosa de ser dona de casa, mulher trabalhadora, esposa, mas ainda conservava aquela menina traquinas de olhos grandes e brilhantes. Fez uma festa pra mim com empanadas, me apresentou seus amigos, seus pais, seus sonhos. Tomamos um porre rememorando os velhos tempos, ouvimos "Brand New Day", rimos muito. Choramos ao nos despedir.
Em seguida, a filha. A separação do marido.
"Às vezes a vida precisa de um 'agaaaaain'!", ela disse.
.
.
.
Hoje percebi que não devia ter ficado tanto tempo distante de você.
.
Coisa de bêbadas.
"My angel", foi como passei a chamá-la depois daquela noite. Ela me salvou de mais uma dor de cotovelo, cuidou da minha ressaca, e ainda se encarregou de aquecer outras geladas noitadas londrinas, com ideias mirabolantes, a boca sempre pronta pra um sorriso.
Faz 10 anos.
Tempos depois, nos encontramos em Buenos Aires. Recém-casada, orgulhosa de ser dona de casa, mulher trabalhadora, esposa, mas ainda conservava aquela menina traquinas de olhos grandes e brilhantes. Fez uma festa pra mim com empanadas, me apresentou seus amigos, seus pais, seus sonhos. Tomamos um porre rememorando os velhos tempos, ouvimos "Brand New Day", rimos muito. Choramos ao nos despedir.
Em seguida, a filha. A separação do marido.
"Às vezes a vida precisa de um 'agaaaaain'!", ela disse.
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Hoje percebi que não devia ter ficado tanto tempo distante de você.
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brand new day
How many of you people out there
Been hurt in some kind of love affair
And how many times do you swear that you'll never love again?
How many lonely, sleepless nights
How many lies, how many fights
And why would you want to put yourself through all that again?
"Love is pain," I hear you say
Love has a cruel and bitter way
Of paying you back for all the faith you ever had in your brain
How could it be that what you need the most
Can leave you feeling just like a ghost?
You never want to feel so sad and lost again
One day you could be looking
Through an old book in rainy weather
You see a picture of her smiling at you
When you were still together
You could be walking down the street
And who should you chance to meet
But that same old smile that you've been thinking of all day
You can turn the clock to zero, honey
I'll sell the stock, we'll spend all the money
We're starting up a brand new day
Turn the clock all the way back
I wonder if she'll take me back
I'm thinking in a brand new way
Turn the clock to zero, sister
You'll never know how much I missed her
Starting up a brand new day
Turn the clock to zero, boss
The river's wide, we'll swim across
Started up a brand new day
Sting
Been hurt in some kind of love affair
And how many times do you swear that you'll never love again?
How many lonely, sleepless nights
How many lies, how many fights
And why would you want to put yourself through all that again?
"Love is pain," I hear you say
Love has a cruel and bitter way
Of paying you back for all the faith you ever had in your brain
How could it be that what you need the most
Can leave you feeling just like a ghost?
You never want to feel so sad and lost again
One day you could be looking
Through an old book in rainy weather
You see a picture of her smiling at you
When you were still together
You could be walking down the street
And who should you chance to meet
But that same old smile that you've been thinking of all day
You can turn the clock to zero, honey
I'll sell the stock, we'll spend all the money
We're starting up a brand new day
Turn the clock all the way back
I wonder if she'll take me back
I'm thinking in a brand new way
Turn the clock to zero, sister
You'll never know how much I missed her
Starting up a brand new day
Turn the clock to zero, boss
The river's wide, we'll swim across
Started up a brand new day
Sting
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
diana x vanderlei
Ela (para ele): "Eu nunca mais vou..." (pausa longa)
Ele (para o público): "Bom, ou ela fala agora, ou só depois dos comerciais".
Ela: "Ai, acho que me arrependi no meio da frase...".
Ele (para o público): "Bom, ou ela fala agora, ou só depois dos comerciais".
Ela: "Ai, acho que me arrependi no meio da frase...".
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
a vida é um prato feito
Vou contar um segredo: um dia qualquer, depois do ocorrido, decidi levar flores pra ela. Eu lembrei da Emilia, de como a gente se gostava e se dava bem. Não conseguimos nos despedir, e ela (de raiva) deu fim numa caixa de roupas que eu deixei na casa dela, devia ter uns 2.000 euros de roupas semi-novas lá. Talvez, se eu tivesse tido a coragem de ligar, isso não teria acontecido - mas isso é outra história.
Nesse dia, então, decidi levar orquídeas. A tristeza me consumia, mas me arrumei bem bonita, passei aquele lápis azul que todo mundo elogia quando eu passo. Coloquei meus óculos de sol novos, apesar do céu nublado. Estava um dia abafado típico de dezembro, o céu baixo, quase encostando nas nossas cabeças. Fui dirigindo devagar pela Radial Leste, chorando. Ouvia Esperanza Spalding "...you always wanted something more from my body and said you needed something more from my loving, but all you got was me and that´s all that I can be, I´m sorry if it let you down...", acho que inconscientemente guardava a esperança secreta de que algo mágico pudesse acontecer naquele trajeto, você apareceria parado no farol ao meu lado ou encontraria teu carro na porta da casa dela, uma visita inesperada, uma coincidência feliz. Mas antes de chegar, comecei a tremer. Eu confiava nela, sabia que iria ser um segredo só nosso, ela jamais te contaria. Mesmo assim, estava insegura. De maneira nenhuma estava fazendo aquilo para você saber, mas você não iria acreditar se descobrisse.
Toquei a campainha. Ela saiu secando as mãos num pano de pratos velho. Me olhou com espanto. "Oi!. Tá tudo bem???", perguntou.
"Está. Vim te fazer uma visita...", disse eu, já com a voz embargada.
Ela abriu o portão. Me beijou. "Entra. Quer um café?".
"Não, obrigada. Tô meio apressada... Na verdade, vim trabalhar pra esses lados hoje e passei pra te trazer essas flores. E pra despedir de você".
"Despedir?? Por que? Você vai viajar?", perguntou.
"Não sei ainda. Talvez vá. Talvez fique. Mas eu vim pra te dizer que gosto muito de você. Precisava te dizer isso, já que não vamos mais nos ver", despejei.
"Minha filha, a gente nunca sabe de nada. Agredeço as flores, são lindas. Mas a gente se vê por aí, a vida dá voltas".
Por debaixo dos meus grandes óculos escorria uma lágrima. Ela, durona, não foi capaz de me dar um abraço e de dizer que tudo ia ficar bem. Mas fez o que pôde. Ofereceu novamente um café fresquinho para tentar desatar nós e, na sua simplicidade, disse uma coisa que nunca esqueci: "A vida não se engana, Beta. Ela é um prato feito. A gente é que tem mania de não querer comer o que tá no prato. A gente quer que as coisas sejam como a gente quer, mas não é assim não. Come e pronto".
Ao sair daquela casinha com jeito de interior, levei o cheiro do café coado na hora. Reparei no cacho de orquídeas, sobressalente em meio às outras plantas de que ela gostava. Imaginei você, que ao passar por aquela varanda quando fosse, certamente iria reparar nas flores novas. Um rastro meu pra você.
Nesse dia, então, decidi levar orquídeas. A tristeza me consumia, mas me arrumei bem bonita, passei aquele lápis azul que todo mundo elogia quando eu passo. Coloquei meus óculos de sol novos, apesar do céu nublado. Estava um dia abafado típico de dezembro, o céu baixo, quase encostando nas nossas cabeças. Fui dirigindo devagar pela Radial Leste, chorando. Ouvia Esperanza Spalding "...you always wanted something more from my body and said you needed something more from my loving, but all you got was me and that´s all that I can be, I´m sorry if it let you down...", acho que inconscientemente guardava a esperança secreta de que algo mágico pudesse acontecer naquele trajeto, você apareceria parado no farol ao meu lado ou encontraria teu carro na porta da casa dela, uma visita inesperada, uma coincidência feliz. Mas antes de chegar, comecei a tremer. Eu confiava nela, sabia que iria ser um segredo só nosso, ela jamais te contaria. Mesmo assim, estava insegura. De maneira nenhuma estava fazendo aquilo para você saber, mas você não iria acreditar se descobrisse.
Toquei a campainha. Ela saiu secando as mãos num pano de pratos velho. Me olhou com espanto. "Oi!. Tá tudo bem???", perguntou.
"Está. Vim te fazer uma visita...", disse eu, já com a voz embargada.
Ela abriu o portão. Me beijou. "Entra. Quer um café?".
"Não, obrigada. Tô meio apressada... Na verdade, vim trabalhar pra esses lados hoje e passei pra te trazer essas flores. E pra despedir de você".
"Despedir?? Por que? Você vai viajar?", perguntou.
"Não sei ainda. Talvez vá. Talvez fique. Mas eu vim pra te dizer que gosto muito de você. Precisava te dizer isso, já que não vamos mais nos ver", despejei.
"Minha filha, a gente nunca sabe de nada. Agredeço as flores, são lindas. Mas a gente se vê por aí, a vida dá voltas".
Por debaixo dos meus grandes óculos escorria uma lágrima. Ela, durona, não foi capaz de me dar um abraço e de dizer que tudo ia ficar bem. Mas fez o que pôde. Ofereceu novamente um café fresquinho para tentar desatar nós e, na sua simplicidade, disse uma coisa que nunca esqueci: "A vida não se engana, Beta. Ela é um prato feito. A gente é que tem mania de não querer comer o que tá no prato. A gente quer que as coisas sejam como a gente quer, mas não é assim não. Come e pronto".
Ao sair daquela casinha com jeito de interior, levei o cheiro do café coado na hora. Reparei no cacho de orquídeas, sobressalente em meio às outras plantas de que ela gostava. Imaginei você, que ao passar por aquela varanda quando fosse, certamente iria reparar nas flores novas. Um rastro meu pra você.
sábado, 22 de agosto de 2009
ex-férias-futuras
Eu sei que parece injusto eu pedir férias de novo. Eu acabei de voltar. Mas agora tô querendo uma pausa diferente: das pessoas.
já já passa.
já já passa.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
coerência
A ética é, em si, um conceito positivo. Não existe, para mim, ética má ou falta de ética. Tudo o que me aproxima da minha essência e faz bem à minha alma é ético. Na incansável busca por uma maior conexão comigo mesma, lá está a ética: me ordena que, na possibilidade da escolha, eu faça somente o que me faz feliz. E que eu seja coerente com as minhas verdades, sempre.
Vamos lá, então.
Vamos lá, então.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
27 anos (parte 2)
Hoje me vali da minha pouca experiência, pouca vivência, pouca paciência. Hoje me vali da minha juventude. De forma geral, é cruel ter questionamentos, mesmo de ordem prática. Não poque ninguém os responda, mas porque não se pode perguntá-los. É feio não saber, é quase ridículo. Quando olho ao meu redor, percebo o quão jovem eu sou para o cargo que ocupo, para as responsabilidades que assumo, para o risco que corro. Eu realmente não sei muitas coisas e nem devo sabê-las. Há anos recebo o tapinha no ombro acompanhado da frase feita mais batida que alguém com mais de 40 pode dizer: "Calma, um dia você vai mudar, você vai amansar". É claro que eu vou mudar, só os idiotas não mudam. Minhas prioridades também vão mudar, minhas angustias vão ser outras. Mas a minha essência permanecerá a mesma. E ela não vai se adaptar, não vai se acostumar, não vai parar de perguntar e nem de se indignar. A minha essência vai ter sempre 27 anos.
E tenho dito.
E tenho dito.
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